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Satélites flagram tempestade histórica no Pacífico com ondas de 35 metros que cruzaram quase 24 mil km e foram vistas do espaço

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 07/01/2026 às 18:37
Atualizado em 07/01/2026 às 21:14
Satélites registram tempestade no Pacífico em 2024 com ondas de até 35 metros que viajaram cerca de 24 mil km pelos oceanos.
Satélites registram tempestade no Pacífico em 2024 com ondas de até 35 metros que viajaram cerca de 24 mil km pelos oceanos.
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Dados de satélites e análises científicas mostram que uma mega-tempestade no Pacífico, em dezembro de 2024, gerou ondas médias de quase 20 metros, com picos acima de 35 metros, cuja energia percorreu cerca de 24 mil quilômetros entre diferentes bacias oceânicas, redefinindo medições globais do estado do mar

Uma tempestade excepcional no Pacífico Norte, em dezembro de 2024, produziu ondas oceânicas sem precedentes, observadas por satélite, com médias de 19,7 metros e picos acima de 35 metros, influenciando costas a milhares de quilômetros e redefinindo medições científicas.

Tempestade extrema e ondas visíveis do espaço

Em dezembro de 2024, uma enorme tempestade no Pacífico desencadeou ondas de escala inédita, visíveis do espaço por meio de satélites em órbita. As medições documentaram as maiores ondas já registradas por observação espacial direta.

Essas mesmas ondas forneceram a energia responsável por dois eventos marcantes no surfe de ondas grandes. Entre eles estiveram o Eddie Aikau Big Wave Invitational, realizado em Waimea Bay, no Havaí, e descidas recordes no pico de Mavericks, na Califórnia.

Os dados analisados foram divulgados pela Agência Espacial Europeia, a partir das medições do satélite Surface Water and Ocean Topography, conhecido como SWOT. O conjunto de informações permitiu avaliar com precisão a altura e a propagação das ondas geradas.

A análise indicou que, em 21 de dezembro de 2024, as ondas atingiram alturas médias de 19,7 metros, equivalentes a 65 pés. Ondas individuais provavelmente ultrapassaram 35 metros, cerca de 115 pés, segundo os cientistas envolvidos.

Esses valores representam um marco na observação oceânica por satélite. Até então, não havia registros espaciais diretos de ondas com essa magnitude média associada a um único sistema de tempestade no oceano aberto.

Crédito: ESA

Monitoramento global e alcance transoceânico

De acordo com a Agência Espacial Europeia, as observações recentes mostram que ondas oceânicas durante grandes tempestades podem atingir alturas sem precedentes. Mais do que fenômenos locais, essas ondas funcionam como mensageiras de tempestades distantes.

Mesmo quando a tempestade permanece longe da costa, a energia gerada viaja por distâncias imensas através do oceano. Esse deslocamento pode transportar poder destrutivo até regiões costeiras situadas a milhares de quilômetros do ponto de origem.

A equipe de pesquisa concentrou-se na chamada tempestade Eddie, identificada como a maior tempestade em altura média de onda observada na última década. O sistema foi analisado de forma contínua ao longo de sua trajetória.

Os cientistas conseguiram monitorar a ondulação associada à tempestade por aproximadamente 24.000 quilômetros de oceano. Esse acompanhamento incluiu a travessia do Pacífico Norte e a passagem pela Passagem de Drake.

Após cruzar o extremo sul da América do Sul, as ondas alcançaram o Atlântico tropical. O período de observação se estendeu de 21 de dezembro de 2024 até 6 de janeiro de 2025, segundo os dados consolidados.

Esse alcance confirmou que a energia das ondas geradas por grandes tempestades pode circular entre bacias oceânicas distintas. O fenômeno reforça a necessidade de monitoramento global contínuo dos estados do mar.

Dados históricos e integração de satélites

A pesquisa combinou medições do SWOT com décadas de registros históricos do projeto Sea State, da Iniciativa de Mudanças Climáticas da ESA. Esse banco de dados reúne informações contínuas desde 1991.

O conjunto histórico incorpora medições de diversos satélites, incluindo SARAL, Jason-3, Copernicus Sentinel-3A e 3B, Copernicus Sentinel-6 Michael Freilich, CryoSat e CFOSAT. A integração permitiu comparações robustas ao longo de mais de três décadas.

Essa base de dados ampliada possibilitou contextualizar a tempestade de 2024 em relação a eventos passados. A análise mostrou que, embora extrema, ela se insere em um histórico limitado de tempestades oceânicas muito grandes.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre observações recentes e séries históricas é essencial para identificar padrões de recorrência. Tempestades dessa magnitude são raras e ocorrem aproximadamente uma vez por década.

A robustez dos dados também permitiu revisar modelos numéricos usados para estimar energia das ondas. As novas observações diretas serviram como validação empírica sob condições extremas.

Transporte de energia e dinâmica das ondas

As ondas geradas pelo vento atingem sua potência máxima durante tempestades intensas. No entanto, o maior risco para áreas costeiras não vem da tempestade em si, mas das ondas de longo período que se propagam para longe.

Essas ondas transportam energia por vastas distâncias oceânicas, ultrapassando o alcance imediato do sistema meteorológico que as originou. Seus comprimentos de onda longos irradiam através das bacias oceânicas.

Uma característica fundamental dessas ondas é o período, definido como o intervalo entre cristas sucessivas. Esse parâmetro fornece informações diretas sobre o tamanho e a intensidade da tempestade geradora.

Por exemplo, um período de 20 segundos indica que uma onda grande chega a cada 20 segundos. Quanto maior o período, maior tende a ser a energia transportada ao longo da propagação.

O estudo publicado recentemente na revista PNAS representa a primeira validação observacional direta de modelos numéricos de ondas em condições extremas. Isso levou a ajustes nos cálculos de energia utilizados até então.

Os cientistas já sabiam que ondas muito longas transportavam grande quantidade de energia. Entretanto, as novas medições revelaram que modelos anteriores superestimavam sistematicamente esse conteúdo energético.

Revisão dos modelos e implicações científicas

Com base nos dados do SWOT, os pesquisadores identificaram que uma parcela maior da energia está concentrada nas ondas dominantes da tempestade. Antes, acreditava-se que essa energia estivesse mais distribuída entre ondas longas.

Essa revisão altera a compreensão da dinâmica energética dos oceanos durante eventos extremos. Embora as ondas continuem altamente destrutivas, sua distribuição de energia é agora descrita com maior precisão.

Os pesquisadores compararam o fenômeno a um boxeador que concentra força em poucos golpes decisivos, em vez de dispersá-la em muitos movimentos mais fracos. A analogia ajuda a explicar a concentração observada.

Essa nova leitura melhora a capacidade de previsão de impactos costeiros e de riscos à navegação. Modelos ajustados tendem a oferecer estimativas mais confiáveis sobre a chegada de grandes ondulações.

A validação direta também fortalece o uso de satélites como ferramentas centrais para monitoramento oceânico. Observações espaciais passam a ter papel ainda mais relevante em eventos raros e intensos.

Contexto histórico e tempestades anteriores

Os resultados históricos do projeto CCI Sea State indicam que as ondas mais altas dos últimos 34 anos ocorreram em janeiro de 2014. Naquele episódio, a tempestade atlântica Hércules gerou ondas de 23 metros.

Essas ondas causaram danos significativos em uma ampla faixa do Atlântico Nordeste, afetando desde o Marrocos até a Irlanda. O evento permanece como referência histórica de impacto costeiro.

A comparação entre 2014 e 2024 mostra diferenças importantes na distribuição e propagação das ondas. Enquanto Hércules foi marcante no Atlântico, a tempestade Eddie destacou-se pelo alcance transoceânico.

Ambos os casos reforçam o caráter raro desses eventos extremos. A baixa frequência dificulta a identificação de tendências claras ao longo do tempo, segundo os pesquisadores envolvidos.

Ainda assim, a ampliação do registro observacional contribui para análises mais consistentes. Cada novo evento extremo adiciona dados cruciais ao entendimento do comportamento oceânico.

Perspectivas futuras e mudanças climáticas

O líder da pesquisa, Fabrice Ardhuin, afirmou que o próximo passo é relacionar as descobertas às mudanças climáticas por meio de modelagem. O objetivo é testar possíveis vínculos com tendências de longo prazo.

Segundo Ardhuin, agora é possível monitorar a intensidade das tempestades ao longo do tempo com maior precisão. A mudança climática pode ser um fator relevante, mas não é o único determinante.

Outros elementos também influenciam o comportamento das ondas, como as condições do fundo do mar nas regiões costeiras. Esses fatores locais podem amplificar ou atenuar os efeitos das ondulações extremas.

Além disso, a raridade das grandes tempestades dificulta conclusões definitivas. Eventos desse porte ocorrem cerca de uma vez por década, o que limita o tamanho das amostras analisadas.

Mesmo assim, as conclusões têm implicações importantes para a proteção de comunidades costeiras e infraestruturas marinhas. À medida que os padrões climáticos globais evoluem, a compreensão precisa das ondas torna-se essencial para planejamento e segurança maritíma.

Este artigo foi produzido com base em dados da Agência Espacial Europeia e no estudo “Dimensionamento das maiores ondas oceânicas usando a missão SWOT”, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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