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Caminhoneiros podem aposentar o diesel: tecnologia abastece em apenas 8 minutos, alcança até 700 km de autonomia e surge como alternativa para uma frota que ainda depende 99% do combustível responsável por 47% das emissões do setor

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/06/2026 às 13:50
Atualizado em 09/06/2026 às 13:57
Assista o vídeoBiometano abastece caminhões em 8 minutos, alcança até 700 km e surge como alternativa ao diesel no transporte rodoviário brasileiro.
Biometano abastece caminhões em 8 minutos, alcança até 700 km e surge como alternativa ao diesel no transporte rodoviário brasileiro.
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Tecnologia ganha espaço no transporte pesado brasileiro ao combinar abastecimento rápido, autonomia elevada e menor impacto ambiental, enquanto o país discute alternativas para reduzir a dependência do diesel em caminhões e ônibus que movimentam cargas, influenciam custos logísticos e afetam a qualidade do ar.

O transporte rodoviário brasileiro amplia a busca por combustíveis alternativos ao diesel em meio à variação de custos, às exigências ambientais e à necessidade de reduzir emissões em uma frota de veículos pesados ainda dependente de derivados de petróleo.

Entre as tecnologias avaliadas por montadoras, distribuidoras e transportadoras, o biometano aparece como uma das opções mais próximas da operação atual das frotas, por permitir abastecimento rápido e autonomia compatível com viagens de média e longa distância.

A mudança envolve um setor relevante para a economia brasileira, já que as rodovias seguem como principal meio de movimentação de cargas no país.

No recorte ambiental, dados da Empresa de Pesquisa Energética indicam que o transporte rodoviário responde por parcela expressiva das emissões de gases de efeito estufa associadas ao setor de energia no Brasil.

A presença do diesel na frota se explica pela infraestrutura já instalada, pela oferta nacional e pela adaptação dos veículos à rotina das transportadoras.

Mesmo assim, a dependência desse combustível mantém o frete sujeito à variação de preços, às importações e às regras de controle de emissões, sobretudo em grandes centros urbanos e corredores logísticos.

Biometano ganha espaço no transporte de cargas

Biometano abastece caminhões em 8 minutos, alcança até 700 km e surge como alternativa ao diesel no transporte rodoviário brasileiro.
Biometano abastece caminhões em 8 minutos, alcança até 700 km e surge como alternativa ao diesel no transporte rodoviário brasileiro.

No grupo das alternativas em expansão, o biometano se destaca por preservar parte da lógica operacional já usada pelos motoristas e pelas empresas de transporte.

Segundo Erik Trencht, diretor de Gases Renováveis da Ultragaz, caminhões movidos a biometano podem ser abastecidos em cerca de oito minutos e alcançar autonomia entre 500 e 700 quilômetros, desempenho que reduz uma das limitações operacionais enfrentadas por modelos elétricos em longas distâncias.

O tempo de parada é um dos pontos considerados pelas empresas na comparação entre as tecnologias.

Enquanto caminhões elétricos dependem de carregadores de alta potência e podem exigir planejamento mais rígido de recarga, os modelos a gás renovável conseguem operar em rotas fixas com abastecimento concentrado em bases próprias ou pontos dedicados.

Esse perfil atende principalmente empresas de logística com trajetos previsíveis, centros de distribuição definidos e controle direto sobre a frota.

Em operações desse tipo, a ausência de uma rede pública ampla de postos tende a ter impacto menor, porque o abastecimento pode ser organizado dentro da própria estrutura da empresa, especialmente em contratos de maior volume.

Produzido a partir do biogás gerado em resíduos agroindustriais, aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto e dejetos da pecuária, o combustível também entra no debate sobre redução de emissões no transporte pesado.

Quando substitui o gás natural fóssil ou o diesel, o biometano pode reduzir a intensidade de carbono do transporte, desde que a cadeia de produção e distribuição seja certificada e monitorada.

Falta de postos limita avanço fora das rotas fixas

A expansão do biometano depende, porém, de uma rede de abastecimento compatível com a escala da frota brasileira.

A própria EPE aponta que a interiorização da oferta de gás em um país continental é uma barreira relevante para a adoção ampla de caminhões e ônibus movidos a gás natural ou biometano.

Esse limite ajuda a explicar por que a tecnologia avança primeiro em operações fechadas, como distribuição urbana, transporte entre centros logísticos e rotas industriais.

Para caminhoneiros autônomos e empresas que dependem de trajetos variáveis, a falta de postos disponíveis no interior ainda reduz a previsibilidade da viagem e exige planejamento adicional.

O resultado ambiental também varia conforme o combustível utilizado.

A EPE ressalta que o gás natural fóssil pode ter intensidade de carbono superior à do diesel em determinadas avaliações de ciclo de vida, enquanto o biometano apresenta resultado mais favorável quando produzido em unidades certificadas.

Essa distinção pesa na análise sobre descarbonização do transporte de cargas.

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Substituir diesel por gás fóssil pode contribuir para diversificação energética e redução de alguns poluentes locais, mas não garante o mesmo efeito climático atribuído ao biometano renovável em estudos de ciclo de vida.

Caminhão elétrico avança em rotas pesadas

A eletrificação é outra rota analisada para reduzir emissões no longo prazo, principalmente porque a matriz elétrica brasileira tem forte participação de fontes renováveis.

Em estudo sobre motorizações alternativas, a EPE estima que uma trajetória de maior penetração de caminhões e ônibus elétricos poderia reduzir em 20% as emissões da frota circulante de veículos pesados em 2050, na comparação com a trajetória de referência.

A mesma análise projeta que a frota elétrica a bateria poderia representar cerca de um terço dos caminhões e ônibus em circulação no Brasil em 2050, caso avanços tecnológicos, infraestrutura de recarga e condições econômicas favoreçam a adoção.

O levantamento também estima queda potencial de quase 14 bilhões de litros no consumo de diesel em relação ao cenário de referência.

Testes operacionais passaram a demonstrar aplicações práticas dessa tecnologia em rotas de carga.

Em 06 de outubro de 2025, a Syngenta informou que um caminhão 100% elétrico percorreu mais de 250 quilômetros entre o Porto de Santos e Paulínia, em São Paulo, transportando 27 toneladas de carga em uma operação feita com a transportadora Gelog.

O trajeto incluiu a subida da Serra da Anchieta, trecho de grande exigência operacional para veículos pesados.

Conforme a empresa, o modelo usado foi o Electric Tractor SE 437, da fabricante Sany Irmen, em um teste voltado à avaliação de desempenho de caminhões elétricos em rotas de carga com maior demanda energética.

Ainda que os testes avancem, a eletrificação pesada depende de fatores econômicos e de infraestrutura.

Preço de aquisição dos veículos, peso e autonomia das baterias, disponibilidade de carregadores rápidos em rodovias e capacidade da rede elétrica em corredores logísticos estão entre os pontos citados em análises do setor.

Hidrogênio e diesel verde seguem em fase restrita

O hidrogênio também aparece no mapa da transição energética, embora sua adoção em larga escala no transporte rodoviário brasileiro ainda dependa de condições técnicas e econômicas.

A tecnologia exige produção competitiva, armazenamento seguro, distribuição especializada e veículos com custo compatível com a operação das empresas, fatores que mantêm sua aplicação mais concentrada em projetos-piloto e corredores específicos.

Combustíveis renováveis líquidos, como biodiesel avançado e diesel verde, têm a vantagem de aproveitar parte da infraestrutura já existente.

Ao mesmo tempo, sua expansão depende de escala industrial, disponibilidade de matéria-prima e regras que comprovem redução de emissões ao longo de todo o ciclo produtivo.

Biometano abastece caminhões em 8 minutos, alcança até 700 km e surge como alternativa ao diesel no transporte rodoviário brasileiro.
Biometano abastece caminhões em 8 minutos, alcança até 700 km e surge como alternativa ao diesel no transporte rodoviário brasileiro.

A substituição do diesel tende a ocorrer por diferentes rotas tecnológicas, de acordo com o tipo de operação, a infraestrutura disponível e o custo de cada alternativa.

O biometano pode avançar em frotas com abastecimento dedicado; a eletrificação tende a ganhar espaço em operações urbanas, regionais e, de forma gradual, em rotas mais pesadas; outras soluções podem atender nichos específicos conforme infraestrutura e custos evoluam.

Poluição do diesel também pesa na saúde pública

A discussão sobre combustíveis alternativos não se limita às emissões de gases de efeito estufa.

A queima de diesel está associada à emissão de poluentes locais, como material particulado e óxidos de nitrogênio, que afetam a qualidade do ar e estão relacionados a doenças respiratórias e cardiovasculares, segundo organismos de saúde e estudos ambientais.

A Organização Mundial da Saúde afirma que quase toda a população global respira ar acima dos limites recomendados de qualidade, dado que reforça a relevância de políticas públicas voltadas à redução de emissões nos transportes.

Em áreas urbanas, veículos pesados costumam concentrar parte relevante da emissão de poluentes locais.

Relatórios e estudos técnicos sobre emissões veiculares apontam que caminhões e ônibus a diesel estão entre os principais emissores de óxidos de nitrogênio e material particulado, especialmente em regiões metropolitanas e corredores de grande circulação.

Esse quadro leva governos, montadoras, distribuidoras e transportadoras a testar soluções que reduzam emissões sem comprometer a entrega de cargas.

A transição, porém, depende da combinação entre infraestrutura, financiamento, escala produtiva, regras de certificação e adequação das tecnologias às diferentes rotas do transporte brasileiro.

No curto prazo, o biometano oferece uma alternativa mais próxima do padrão operacional do diesel em frotas planejadas.

Para o longo prazo, a eletrificação aparece nos estudos do setor como uma das rotas de maior potencial climático, desde que o país amplie a rede de carregadores, reduza custos dos veículos e prepare a rede elétrica para uma demanda maior.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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