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São Paulo muda de patamar e vai sugar água do mar para abastecer cidade turística: usina inédita de R$ 56,4 milhões usará osmose reversa, entregará 20 litros por segundo e ampliará a oferta de água.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/06/2026 às 18:51
Atualizado em 09/06/2026 às 19:35
Sabesp terá usina de dessalinização em Ilhabela, com R$ 56,4 milhões, osmose reversa e aumento de 20% na oferta de água.
Sabesp terá usina de dessalinização em Ilhabela, com R$ 56,4 milhões, osmose reversa e aumento de 20% na oferta de água.
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Projeto inédito no litoral norte paulista promete reforçar o abastecimento em Ilhabela com tecnologia de dessalinização, investimento milionário e foco na segurança hídrica durante períodos de maior demanda, como feriados prolongados e temporada de verão.

A Sabesp vai construir em Ilhabela, no litoral norte paulista, a primeira usina pública de dessalinização de São Paulo voltada ao abastecimento humano, com previsão de ampliar a oferta local de água em uma cidade pressionada pelo turismo e por limitações ambientais.

Anunciado nesta terça-feira (09), o projeto prevê investimento de R$ 56,4 milhões, acréscimo de 20 litros de água por segundo ao sistema municipal e aumento de 20% na disponibilidade de água para moradores, visitantes e atividades essenciais da ilha.

Com conclusão prevista para dezembro de 2027, a nova estrutura será integrada ao sistema Água Branca e foi planejada para reforçar o abastecimento em um município onde a captação convencional de água doce encontra barreiras técnicas, territoriais e ambientais.

Ilhabela terá primeira usina pública de dessalinização de São Paulo

A escolha de Ilhabela está ligada às características geográficas e ambientais do município, já que a condição insular reduz alternativas de captação e torna mais difícil ampliar a oferta de água por métodos tradicionais usados em outras cidades atendidas pela companhia.

Como grande parte do território está em área de preservação ambiental, novas captações em mananciais de água doce dependem de restrições específicas, enquanto a perfuração de poços profundos também não aparece como solução tecnicamente viável para o abastecimento local.

Em entrevista ao Metrópoles, o diretor de Engenharia e Inovação da Sabesp, Roberval Tavares, afirmou que a combinação entre demanda crescente e limitação de fontes disponíveis levou a empresa a adotar uma solução menos comum no abastecimento público brasileiro.

“Ilhabela é um município onde a água doce tem uma grande restrição de captação por ser uma ilha”, disse o diretor, ao explicar por que o município foi escolhido para receber a estrutura inédita no estado.

A pressão sazonal provocada pelo turismo também entrou nos estudos da companhia, especialmente porque feriados prolongados e a temporada de verão elevam o consumo de água e exigem maior margem operacional para reduzir riscos de instabilidade no fornecimento.

Segundo a Sabesp, os cálculos de demanda consideraram a população atual e a projeção de crescimento para os próximos dez anos, o que reforçou a necessidade de uma fonte complementar capaz de atender períodos de maior carga sobre a rede.

Nesse cenário, a usina deve funcionar como reforço permanente ao sistema, principalmente nos momentos em que a presença de visitantes amplia o consumo e torna mais difícil equilibrar produção, reservação e distribuição de água no município.

Osmose reversa vai tratar água salobra em Ilhabela

Sabesp terá usina de dessalinização em Ilhabela, com R$ 56,4 milhões, osmose reversa e aumento de 20% na oferta de água.
Sabesp terá usina de dessalinização em Ilhabela, com R$ 56,4 milhões, osmose reversa e aumento de 20% na oferta de água.

Embora o projeto seja apresentado como uma solução para transformar água do mar em água potável, a captação não ocorrerá diretamente em alto-mar, mas em um ponto onde a influência das marés altera a composição da água disponível.

A retirada será feita no Ribeirão Água Branca, em trecho próximo à foz, onde o contato com a maré deixa o recurso salobro e exige tratamento específico antes que a água possa ser incorporada ao abastecimento público.

Para tornar essa água própria para consumo, a Sabesp utilizará osmose reversa, tecnologia aplicada em usinas de dessalinização de diferentes países e baseada na passagem da água por membranas especiais submetidas a alta pressão.

Durante esse processo, sais dissolvidos e outras impurezas são separados antes da distribuição, permitindo que a água tratada atenda aos parâmetros exigidos para consumo humano e seja integrada ao sistema municipal de abastecimento.

Roberval Tavares afirmou que a companhia já utiliza membranas em outros tipos de tratamento, mas destacou que esta será a primeira aplicação no estado com a finalidade de produzir água potável a partir de água salobra para abastecimento público.

“O grande diferencial é justamente a utilização da osmose reversa para transformar essa água salobra em água doce para consumo humano”, declarou o diretor, ao detalhar a principal inovação técnica prevista para a futura unidade.

Além da estação de tratamento, o empreendimento inclui estruturas de captação, bombeamento, reservação e integração com o sistema existente, de modo que a água produzida possa chegar à rede sem depender de uma operação isolada.

A implantação também prevê tubulações, reservatórios e etapas de controle operacional, elementos necessários para acompanhar a qualidade da água produzida e garantir que o reforço anunciado seja incorporado à rotina de abastecimento da cidade.

Custo da dessalinização será maior que tratamento convencional

A dessalinização ainda tem uso limitado no abastecimento público brasileiro, principalmente porque a operação exige consumo elevado de energia elétrica e costuma ter custo superior ao de sistemas convencionais de tratamento de água doce.

No caso de Ilhabela, a tecnologia depende de pressão constante sobre as membranas para separar o sal da água, etapa que torna a operação mais cara e exige planejamento para absorver os custos sem comprometer o serviço.

De acordo com Roberval Tavares, a futura unidade deverá custar cerca de 30% mais do que um sistema convencional de produção de água, diferença atribuída sobretudo à energia necessária para o funcionamento da osmose reversa.

Mesmo com esse custo adicional, a Sabesp afirma que o impacto será absorvido pela estrutura operacional da empresa e não deve provocar aumento nas tarifas cobradas dos consumidores atendidos pelo sistema local de abastecimento.

A tecnologia é mais comum em países com escassez hídrica severa, como Israel e nações do Oriente Médio, onde a dessalinização se tornou alternativa relevante para ampliar a segurança no fornecimento de água potável.

No Brasil, iniciativas semelhantes já aparecem em estados como Ceará, Espírito Santo e Pernambuco, mas a solução ainda não se consolidou como ferramenta ampla para redes urbanas de grande porte, sobretudo por razões econômicas.

Para a Sabesp, a adoção da tecnologia em Ilhabela se justifica pela dificuldade de ampliar a matriz hídrica local com métodos tradicionais, já que outras alternativas encontraram limitações ambientais, operacionais ou prazos incompatíveis com a demanda projetada.

Licenciamento ambiental define descarte da salmoura

Entre os principais pontos de atenção em projetos de dessalinização está o destino da salmoura, resíduo com alta concentração de sal que sobra após a separação feita pelas membranas durante o tratamento da água salobra.

Segundo a Sabesp, esse material será devolvido ao mar conforme os parâmetros definidos no licenciamento ambiental conduzido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb, responsável pela análise do empreendimento.

A empresa afirma que realizou estudos ambientais antes da aprovação do projeto, incluindo avaliações sobre possíveis impactos à fauna e aos ecossistemas marinhos, etapas consideradas necessárias para orientar o descarte e o acompanhamento da operação.

Quando a unidade entrar em funcionamento, a operação deverá contar com monitoramento contínuo da qualidade da água produzida e dos resíduos gerados durante o tratamento, além de controles vinculados às exigências ambientais do licenciamento.

A Sabesp informou ainda que as etapas necessárias de licenciamento foram cumpridas até o momento e que, após a conclusão das obras, deverá solicitar a licença de operação para iniciar as atividades da usina.

Na avaliação da companhia, a implantação também se relaciona à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, já que séries históricas de chuva monitoradas há mais de 50 anos indicaram redução dos índices na última década.

Apesar desse contexto climático, Tavares negou que a construção da usina tenha relação direta com a crise hídrica que atingiu a Região Metropolitana de São Paulo em 2014, atribuindo a decisão às condições específicas de Ilhabela.

Além da estrutura de dessalinização, o projeto prevê um centro de educação ambiental aberto à visitação, com auditório e painéis fotovoltaicos para auxiliar no abastecimento energético do espaço destinado a atividades educativas.

Para medir o desempenho da iniciativa, a Sabesp considera essencial entregar a vazão prevista de 20 litros por segundo e ampliar a segurança hídrica para moradores e visitantes em uma cidade com forte variação de demanda ao longo do ano.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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