Estrutura subterrânea de grande capacidade entra em operação na divisa entre São Paulo e o ABC, com números que chamam atenção pelo volume armazenado, profundidade, área ocupada e integração ao sistema metropolitano de drenagem.
O Governo de São Paulo colocou em operação, em 23 de dezembro de 2025, o Piscinão Jaboticabal, reservatório de contenção com capacidade para armazenar 900 mil metros cúbicos de água, volume equivalente a 360 piscinas olímpicas.
A estrutura fica na divisa entre São Paulo, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo e integra o sistema de macrodrenagem da Região Metropolitana, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado.
Chamado no título de “lago subterrâneo” pela escala de armazenamento, o equipamento é tecnicamente um reservatório de detenção de cheias.
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Sua função é receber, de forma temporária, parte do volume de água encaminhado pela rede de drenagem e permitir que o escoamento ocorra de maneira controlada após o pico de acúmulo.
A capacidade de 900 mil m³ é o principal dado técnico do Jaboticabal.
De acordo com o governo estadual, o empreendimento tem 13 metros de profundidade, ocupa uma área de 130 mil m² e liga o Córrego Jaboticabal, nas proximidades da Rodovia Anchieta, ao Ribeirão dos Meninos.
Para auxiliar a retirada da água acumulada, foram instalados seis conjuntos de motobombas, cada um com vazão de 850 litros por segundo.
O investimento informado pelo Estado é de aproximadamente R$ 573 milhões.
A obra faz parte de um pacote de infraestrutura hídrica estimado em R$ 25 bilhões, que reúne intervenções em drenagem, reservatórios, despoluição de rios, saneamento e apoio a municípios paulistas.
Dimensão do Piscinão Jaboticabal
O Piscinão Jaboticabal se destaca, segundo o governo paulista, pelo volume de armazenamento previsto no projeto.
Os 900 milhões de litros informados pelo Estado equivalem a 360 piscinas olímpicas, comparação usada pela administração estadual para dimensionar a obra ao público.
Na prática, o reservatório não é uma área de lazer nem um lago aberto destinado ao uso público.
Trata-se de uma estrutura de engenharia hidráulica construída para receber grandes volumes de água em momentos de sobrecarga do sistema de drenagem.
Depois do armazenamento temporário, a água precisa ser retirada com apoio das motobombas instaladas no local.
Durante a entrada em operação, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que a meta era ter o equipamento funcionando no período de maior demanda do sistema.
“Hoje estamos aqui e o Jaboticabal é o maior piscinão da América Latina, com 900 milhões de litros, o equivalente a 360 piscinas olímpicas”, disse o governador, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.
A fala do governador atribui ao Jaboticabal a condição de maior piscinão da América Latina.
Pelos dados divulgados pelo Estado, a estrutura foi dimensionada para atuar em uma área de até 100 km² e beneficiar cerca de 1,5 milhão de pessoas no ABC e na capital paulista.
Onde fica o reservatório subterrâneo
A localização do Jaboticabal ajuda a compreender o papel do reservatório dentro da rede de drenagem metropolitana.
A estrutura fica entre São Paulo, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo, em uma região conectada a cursos d’água usados no escoamento urbano.
O projeto estabelece a ligação entre o Córrego Jaboticabal e o Ribeirão dos Meninos, dois pontos relevantes para a drenagem local.
Essa conexão coloca o reservatório em uma área de interface entre municípios, o que explica o alcance regional atribuído à obra pelo governo paulista.
O município de São Bernardo do Campo informou que a obra está ligada à região do Rudge Ramos e a bairros que historicamente enfrentam problemas em períodos de maior volume de água.
São Caetano do Sul também associou a operação do reservatório a áreas como Jardim São Caetano, Fundação, Centro, Santo Antônio, Cerâmica, São José e Mauá.
Mesmo com impacto descrito por prefeituras e pelo governo estadual, o dado central do equipamento permanece ligado à capacidade de armazenamento.
Em uma região urbanizada e com espaço limitado para grandes intervenções em superfície, reservatórios de detenção são usados pelo poder público para ampliar a retenção temporária de água dentro do sistema de drenagem.
A obra também aparece em discussões antigas sobre infraestrutura no Grande ABC.
O Consórcio Intermunicipal Grande ABC afirma que o Piscinão Jaboticabal era debatido havia mais de dez anos e constava entre as medidas estruturais do Plano Regional de Macro e Microdrenagem de 2016.
O projeto voltou a avançar em 2019, após reuniões entre prefeitos da região e o Governo do Estado.
Como funciona o sistema de bombeamento
O funcionamento do reservatório depende da combinação entre armazenamento e retirada controlada da água.
Primeiro, o sistema recebe o volume excedente encaminhado pela drenagem urbana.
Em seguida, os conjuntos de motobombas fazem o escoamento gradual, com vazão individual de 850 litros por segundo, conforme os dados divulgados pelo governo estadual.
Esse tipo de operação requer manutenção periódica, segundo práticas usuais de gestão de reservatórios urbanos.
Estruturas de detenção podem acumular sedimentos e resíduos arrastados pela rede de drenagem, o que torna a limpeza e o desassoreamento medidas necessárias para preservar a capacidade operacional informada no projeto.
A SP Águas, agência vinculada ao governo paulista, realiza a limpeza e a manutenção de 27 reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo.
Em abril de 2026, a Semil informou que esses equipamentos somavam capacidade superior a 4,8 bilhões de litros e que o investimento em manutenção e limpeza desde 2023 havia chegado a R$ 169,78 milhões.
Com a entrada em operação, o Jaboticabal passa a compor esse conjunto de estruturas metropolitanas.
A capacidade de 900 milhões de litros representa uma parcela relevante do sistema de reservação temporária administrado pelo Estado, conforme os dados oficiais divulgados pela Semil.
Investimento em reservatórios de contenção
Além do Jaboticabal, o Governo de São Paulo informou que investiu quase R$ 1 bilhão, desde 2023, em obras de implantação de reservatórios de contenção.
Entre as entregas citadas estão os piscinões EU-09 e EU-08, em Franco da Rocha, com capacidade somada de 268 mil m³.
Também foram mencionados pelo Estado o TG-09, na divisa entre Franco da Rocha e Francisco Morato, e o RA-01, conhecido como Piscinão Antonico, ao lado do Estádio do Morumbi, na capital paulista.
No caso do Antonico, a obra inclui ainda a canalização do córrego de mesmo nome.
Em junho de 2026, a Semil informou que, entre 2023 e 2025, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos contratou R$ 1,17 bilhão em investimentos.
Desse total, R$ 982,2 milhões foram destinados diretamente aos municípios, com recursos aplicados em obras estruturantes de drenagem urbana, saneamento, controle de perdas e gestão hídrica.
Outro eixo citado pelo governo estadual é o IntegraTietê.
Em janeiro de 2026, a Semil afirmou que cerca de R$ 22 bilhões já estavam assegurados para ações de despoluição do Rio Tietê desde 2023, com investimentos da Sabesp programados e em execução entre 2024 e 2026.
No Jaboticabal, o conjunto técnico reúne 900 mil m³ de capacidade, 13 metros de profundidade, 130 mil m² de área e seis conjuntos de motobombas.
Esses dados colocam o reservatório entre as principais obras de contenção informadas pelo governo paulista para a Região Metropolitana de São Paulo.
A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou na entrega que o projeto enfrentou ritmo lento e desafios antes de avançar.
“Essa obra é muito representativa, porque ela é isso. Estava com um ritmo lento, com uma série de desafios, que a gente conseguiu superar”, disse, segundo o governo estadual.
Com a operação do Piscinão Jaboticabal, o Estado passa a contar com um reservatório de grande capacidade em uma área de ligação entre a capital paulista e o ABC.
A estrutura foi apresentada pelo governo como parte de uma estratégia mais ampla de segurança hídrica, baseada em obras de drenagem, reservação, saneamento e recuperação de rios.
