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Santa Catarina invadiu o ranking dos maiores supermercados do Brasil com duas redes que faturam bilhões e agora desafiam gigantes que dominavam o topo sozinhos há anos

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/04/2026 às 15:23
Atualizado em 29/04/2026 às 16:37
Duas redes de supermercados de SC invadiram o top 10 do Ranking Abras 2026. Grupo Pereira faturou R$ 17,53 bi e Koch R$ 12,92 bi desafiando gigantes nacionais.
Duas redes de supermercados de SC invadiram o top 10 do Ranking Abras 2026. Grupo Pereira faturou R$ 17,53 bi e Koch R$ 12,92 bi desafiando gigantes nacionais.
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Duas redes catarinenses de supermercados alcançaram o top 10 do Ranking Abras 2026: o Grupo Pereira ocupa a 7ª posição com faturamento de R$ 17,53 bilhões e o Grupo Koch fica em 8º com R$ 12,92 bilhões, avanço que consolida Santa Catarina como potência no varejo alimentar que movimentou R$ 1,145 trilhão.

Santa Catarina colocou duas redes entre os dez maiores supermercados do país e agora disputa espaço com gigantes que dominavam o topo do varejo alimentar brasileiro há anos sem concorrência regional significativa. O Ranking Abras 2026, divulgado nesta semana pela Associação Brasileira de Supermercados em parceria com a NielsenIQ, posiciona o Grupo Pereira na 7ª colocação e o Grupo Koch na 8ª entre as 40 maiores empresas do setor, resultado que marca a ascensão catarinense num mercado tradicionalmente controlado por redes de atuação nacional como Carrefour, Assaí e Grupo Mateus, que seguem ocupando as três primeiras posições. O Grupo Pereira registrou faturamento de R$ 17,53 bilhões em 2025, avanço expressivo considerando que no ano anterior ocupava a décima posição, enquanto o Grupo Koch alcançou R$ 12,92 bilhões em receita no mesmo período.

O cenário que esses números desenham é de um mercado de supermercados em transformação. O varejo alimentar brasileiro movimentou R$ 1,145 trilhão em 2025, com crescimento nominal de 7,32% e avanço real de 3,68%, e dentro desse universo trilionário as redes catarinenses conquistam fatia cada vez maior ao combinar expansão regional agressiva com formatos de loja que atendem desde o consumidor que busca atacarejo até quem prefere o modelo tradicional de supermercados com atendimento diferenciado. A presença de duas empresas de Santa Catarina no top 10 não é acidente: é resultado de décadas de investimento em expansão e diversificação que agora se traduz em posição de destaque nacional.

Como os supermercados catarinenses escalaram o ranking nacional

A trajetória do Grupo Pereira ilustra como redes de supermercados regionais podem crescer até desafiar líderes nacionais. A empresa opera bandeiras como Fort Atacadista e Comper, combinação que atende dois segmentos distintos do varejo alimentar: o atacarejo, onde consumidores e pequenos comerciantes compram em volume com preços menores, e o supermercado convencional, que prioriza variedade de produtos e experiência de compra. O salto da décima para a sétima posição em apenas um ano indica que o Grupo Pereira não está apenas crescendo organicamente, mas ganhando participação de mercado que antes pertencia a concorrentes posicionados acima dele no ranking de supermercados.

O Grupo Koch, por sua vez, consolidou presença em Santa Catarina com rede de lojas que cobre o estado de ponta a ponta. Com receita e faturamento de R$ 12,92 bilhões, a empresa catarinense demonstra que é possível faturar na casa dos bilhões operando predominantemente numa única unidade da federação, estratégia que prioriza densidade de cobertura regional em vez da dispersão geográfica que grandes redes nacionais de supermercados praticam. A inauguração de novas unidades, como a loja recente em Balneário Camboriú que gerou 100 vagas de emprego, mostra que o Koch continua expandindo mesmo já ocupando posição de destaque no cenário nacional.

O que os números do ranking revelam sobre o mercado de supermercados no Brasil

O Ranking Abras 2026, em sua 49ª edição, oferece retrato detalhado de um setor que emprega milhões e representa parcela significativa da economia. O varejo alimentar responde por 9,02% do PIB brasileiro e reúne cerca de 439,7 mil lojas em operação pelo país, infraestrutura que gera aproximadamente 9 milhões de empregos diretos e indiretos e que coloca os supermercados entre os maiores empregadores privados do Brasil. A dimensão do setor explica por que a entrada de redes catarinenses no top 10 é evento relevante: disputar espaço num mercado trilionário exige escala, eficiência e capacidade de investimento que poucas empresas regionais conseguem sustentar.

A distribuição do faturamento por formato de loja também é reveladora. O modelo de autosserviço, formato clássico dos supermercados onde o consumidor percorre corredores e escolhe produtos por conta própria, concentra 49% do faturamento total do setor, enquanto o atacarejo responde por 29%, participação que cresceu rapidamente nos últimos anos impulsionada pela busca dos brasileiros por preços mais baixos. Micro e pequenas empresas de supermercados representam 15% do mercado, número que evidencia a diversidade de formatos e a capilaridade que o varejo alimentar mantém mesmo com a concentração crescente no topo do ranking.

Por que Santa Catarina se tornou berço de potências no setor de supermercados

A força das redes catarinenses no ranking nacional de supermercados tem raízes na economia do estado. Santa Catarina combina renda per capita acima da média nacional, distribuição de renda menos desigual que outros estados e população concentrada em cidades de porte médio que oferecem mercado consumidor consistente para redes regionais que conhecem os hábitos locais melhor do que concorrentes nacionais. O Grupo Pereira e o Grupo Koch cresceram atendendo comunidades que valorizam proximidade, variedade de produtos regionais e relação de confiança com o estabelecimento, vantagens competitivas que grandes redes de supermercados com sede em São Paulo ou no Rio de Janeiro dificilmente replicam.

A cultura empresarial catarinense também contribui. O estado que abriga Havan, WEG, Weg e dezenas de empresas de projeção nacional produz ambiente de negócios onde crescer de forma agressiva mas sustentável é padrão, não exceção. Os supermercados do Grupo Pereira e do Grupo Koch aplicam essa mentalidade ao setor alimentar: expandem quando as condições permitem, diversificam formatos para atender diferentes públicos e reinvestem receita em operações que geram mais receita, ciclo virtuoso que os levou de redes locais a potências nacionais.

O que a presença catarinense no top 10 significa para o futuro dos supermercados no Brasil

A entrada simultânea de duas redes de Santa Catarina entre as dez maiores sinaliza que o mercado de supermercados no Brasil está se descentralizando. O domínio histórico de três ou quatro grandes grupos nacionais no topo do ranking começa a ser contestado por empresas regionais que crescem mais rápido, conhecem melhor seus mercados e conseguem operar com eficiência que compensa a ausência de escala continental. Se o Grupo Pereira saltou da décima para a sétima posição em um ano, a tendência sugere que posições ainda mais altas são alcançáveis nos próximos rankings, cenário que pressiona Carrefour, Assaí e Grupo Mateus a responder com estratégias que considerem a concorrência vinda de baixo.

Para os consumidores, a competição entre supermercados nacionais e regionais é positiva. Mais concorrentes disputando o mesmo mercado significa mais opções de preço, formato e localização, e a presença de redes catarinenses no topo do ranking demonstra que é possível oferecer alternativa competitiva aos gigantes sem sacrificar a identidade regional que conecta o supermercado à comunidade que ele atende. Santa Catarina provou que faturar bilhões no varejo alimentar não exige sede em São Paulo: exige entender o que o cliente quer e entregar isso consistentemente, loja após loja, ano após ano.

E você, compra em supermercados do Grupo Pereira ou do Grupo Koch? Acha que redes regionais podem ultrapassar os gigantes nacionais? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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