Piso regional do Rio Grande do Sul ganha destaque ao estabelecer faixas salariais acima do mínimo nacional, com reajuste aprovado em lei estadual.
O piso salarial regional do Rio Grande do Sul chega a R$ 2.267,21 na faixa mais alta e mantém valores acima do salário mínimo nacional, que passou a R$ 1.621 com reajuste de 6,79%.
Os novos números do piso gaúcho foram definidos em lei estadual aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governo do Estado, com aumento de 8% sobre os valores anteriores e divisão em cinco faixas, conforme a ocupação.
No Brasil, o salário mínimo é o menor valor que pode ser pago legalmente ao trabalhador, servindo de referência também para benefícios e contribuições.
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Em 2026, o valor nacional subiu de R$ 1.518 para R$ 1.621, segundo decreto publicado no fim de 2025 e em vigor desde 1º de janeiro.
Salário mínimo regional no RS: regras e quem é afetado
Embora o mínimo nacional valha para todo o país, alguns estados adotam pisos próprios para determinadas categorias.
É o caso do Rio Grande do Sul, que aplica o chamado piso regional a trabalhadores sem salário definido em convenção coletiva, acordo formal ou legislação específica.
A regra segue a autorização prevista na Lei Complementar Federal 103, que permite a criação de pisos estaduais nessas condições.
Na prática, o piso regional não substitui o mínimo nacional em qualquer situação.
Ele funciona como um patamar adicional para categorias enquadradas nas faixas previstas na lei estadual e, em geral, tem como referência a atividade exercida.
Reajuste de 8% e Lei nº 16.311: o que mudou nas faixas
O reajuste de 8% do piso regional foi sancionado em junho de 2025 e publicado no Diário Oficial do Estado.
A norma é a Lei nº 16.311, de 10 de junho de 2025, que atualizou os valores das cinco faixas e listou as categorias abrangidas.
Com os números em vigor, a diferença entre o teto do piso regional e o mínimo nacional chega a cerca de R$ 646, já que a Faixa 5 fica em R$ 2.267,21, enquanto o salário mínimo do país está em R$ 1.621.
Cinco faixas do piso regional: valores e categorias enquadradas
A Faixa 1 foi fixada em R$ 1.789,04 e contempla, entre outros grupos, trabalhadores da agricultura e pecuária, indústrias extrativas, pesca, empregados domésticos, turismo e hospitalidade e construção civil, além de funções operacionais associadas a esses setores.
Na Faixa 2, o valor passa a R$ 1.830,23, com enquadramento de atividades como parte da indústria do vestuário e calçados, além de áreas de serviços, a exemplo de segmentos ligados a saúde, limpeza e alimentação fora do lar, como hotéis, restaurantes e bares, conforme a listagem prevista na legislação.
A Faixa 3 estabelece R$ 1.871,75 e reúne categorias relacionadas a indústrias como a de alimentos, móveis, química e farmacêutica, além do comércio em geral e atividades de armazenagem, seguindo o detalhamento legal do piso regional.
Já a Faixa 4, de R$ 1.945,67, inclui trabalhadores de indústrias como metalúrgica, gráfica, vidro e borracha, além de funções de apoio em condomínios e serviços de vigilância, entre outros enquadramentos descritos na lei.
Por fim, a Faixa 5 chega a R$ 2.267,21, voltada principalmente a técnicos de nível médio, formando o maior valor do piso regional gaúcho entre as faixas estabelecidas.
DIEESE e o salário mínimo necessário: distância para o custo de vida
Mesmo com reajustes no mínimo nacional e com pisos regionais acima da referência federal, estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) indicam uma distância entre o mínimo vigente e o que seria necessário para cobrir despesas básicas de uma família.
No recorte de setembro de 2025, o DIEESE calculou o chamado salário mínimo necessário em R$ 7.075,83, estimativa baseada no custo da cesta básica e em gastos essenciais como moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte e lazer, em uma composição familiar padrão usada pelo estudo.
Essa metodologia não define um valor oficial, mas serve como indicador do poder de compra do mínimo ao longo do tempo.
Ainda assim, o dado é frequentemente usado em debates sobre custo de vida, política de valorização do salário mínimo e negociações salariais em diferentes setores.
Com o salário mínimo nacional em R$ 1.621, a diferença para o valor apontado pelo DIEESE em setembro de 2025 supera R$ 5 mil, o que ajuda a dimensionar o desafio de fechar o orçamento doméstico apenas com o piso federal, sobretudo em centros urbanos onde despesas fixas pesam mais.

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