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Roma Antiga ressurge em bairro periférico e revela um enigma de 2.500 anos: arqueólogos encontram piscinas monumentais, túmulos e possível santuário de Hércules

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/01/2026 às 04:15
Atualizado em 17/01/2026 às 04:16
Escavações em Pietralata, Roma, revelam piscinas antigas, santuário e túmulos republicanos fora do centro histórico. (Imagem:ANSA/Ansa -Brasil)
Escavações em Pietralata, Roma, revelam piscinas antigas, santuário e túmulos republicanos fora do centro histórico. (Imagem:ANSA/Ansa -Brasil)
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Escavações na via di Pietralata, na zona leste de Roma, revelaram estruturas monumentais e vestígios funerários fora do centro histórico, com indícios de ocupação entre a República e o período imperial, segundo a Superintendência Especial de Roma.

Arqueólogos identificaram duas grandes estruturas semelhantes a piscinas, um pequeno santuário possivelmente associado ao culto de Hércules e dois túmulos da época republicana durante escavações no Parco delle Acacie, na região da via di Pietralata, zona leste de Roma.

As descobertas apareceram em trabalhos de arqueologia preventiva conduzidos pela Superintendência Especial de Roma, órgão ligado ao Ministério da Cultura da Itália, fora da área histórica mais conhecida por visitantes.

A Superintendência informa que as pesquisas no local começaram no verão de 2022 e avançam em uma área estimada em quatro hectares.

Dentro desse perímetro, o núcleo mais recente de achados ocupa cerca de um hectare e reúne evidências de ocupação entre os séculos V e IV a.C. e o século I d.C., além de registros mais pontuais dos séculos II e III d.C.

Para a superintendente especial de Roma, Daniela Porro, achados fora do circuito tradicional ajudam a ampliar a compreensão sobre a extensão urbana da antiga metrópole.

“É em contextos como este, aparentemente distantes dos locais mais famosos da metrópole antiga, que emergem elementos que enriquecem a narrativa da Roma arqueológica como uma cidade extensa e que contribuíram significativamente para o seu desenvolvimento”, afirmou.

“Os subúrbios modernos revelam-se, assim, repositórios de memórias profundas, ainda por explorar”, completou.

Descobertas arqueológicas na via di Pietralata

O conjunto inclui duas “piscinas” monumentais, um sacelo (edifício de pequeno porte ligado a práticas religiosas) e dois túmulos escavados na rocha, atribuídos ao período republicano.

Segundo o Ministério da Cultura, o terreno também era cortado por um antigo eixo viário e era atravessado por um curso d’água que desaguava no rio Aniene, nas proximidades.

De acordo com os responsáveis pela intervenção, a leitura do material depende do avanço das escavações e de análises especializadas.

Por isso, parte das interpretações divulgadas até aqui aparece como hipótese de trabalho, sujeita a revisão conforme novos dados sejam coletados.

(Imagem: Reprodução)
(Imagem: Reprodução)

Sacelo e culto de Hércules na Roma Antiga

O sacelo localizado no sítio tem cerca de 4,5 metros por 5,5 metros, com paredes em técnica construtiva antiga com tufo e vestígios de reboco na face interna, conforme a descrição oficial.

No interior, a equipe registrou uma base quadrada alinhada com a entrada, interpretada como um possível altar — ou parte dele — e, ao fundo, uma estrutura que pode ter sustentado uma imagem de culto.

Ainda segundo o comunicado, o edifício teria sido erguido sobre um depósito votivo desativado.

Entre os materiais associados ao contexto, foram encontrados fragmentos e peças de terracota, incluindo cabeças, pés, pequenas estatuetas femininas e representações de dois bovinos, elementos que sustentam a leitura de uso devocional.

A datação proposta para a construção do sacelo fica entre o fim do século III a.C. e o século II a.C., com base em moedas de bronze mencionadas na nota técnica divulgada pela Superintendência.

Túmulos republicanos e complexo funerário em Roma

Os dois túmulos foram localizados em uma encosta de tufo próxima à via di Pietralata e integram um mesmo complexo funerário, segundo o relatório.

Corredores paralelos conduzem a duas câmaras mortuárias, datadas entre o século IV a.C. e o início do século III a.C.

Na tumba A, o acesso é descrito como monumental, com portal em pedra e fechamento interno por uma laje monolítica.

O interior continha um grande sarcófago e três urnas, todos em peperino, além de objetos associados ao uso funerário, como vasos preservados, uma copa de verniz negro, uma pequena jarra e um espelho, de acordo com o inventário preliminar apresentado.

Já a tumba B, atribuída a um momento ligeiramente posterior — ainda no período republicano — estava fechada por grandes blocos de tufo.

Nesse espaço, a Superintendência registra a presença de bancos laterais para deposição e informa que foi recuperada, até agora, parte do crânio de um homem adulto, com indício de trepanação cirúrgica.

Ao comentar o achado, a equipe técnica aponta que a arquitetura do conjunto funerário é compatível com a presença de um grupo familiar com recursos na área, interpretação apresentada como hipótese a partir do padrão construtivo e dos materiais descritos.

Piscinas monumentais romanas e função ainda incerta

Uma das estruturas, identificada como vasca leste, mede cerca de 28 metros por 10 metros e tem profundidade aproximada de 2,10 metros.

O Ministério da Cultura informa que ela foi construída no século II a.C. e que parte das paredes apresentava reboco branco; com o abandono, esse revestimento teria se desprendido quase por completo, restando traços.

O mesmo documento descreve a presença de nichos com abóbada em alguns pontos, além de uma pequena rampa que não chega ao fundo.

A partir do século I d.C., segundo a Superintendência, a estrutura teria perdido a função inicial e entrou em processo de desuso, com fechamento definitivo ao fim do século II d.C.

Sobre a finalidade, o informe ressalta que a interpretação permanece em aberto.

Na leitura inicial, as possibilidades consideradas incluem relação com atividades de caráter ritual ou, em alternativa menos provável, uso produtivo ou de captação de água, sempre condicionadas a análises futuras e ao conjunto de evidências.

A segunda, descrita como vasca sul, foi escavada no banco de tufo e mede cerca de 21 metros por 9,2 metros, alcançando aproximadamente 4 metros de profundidade.

O texto oficial aponta que ela recebeu paredes externas em blocos, também atribuídas ao século II a.C., e que cerca de um século depois foram acrescentados elementos de contenção e acabamento na borda superior.

Duas rampas permitiam a descida até o fundo, ainda conforme o registro: uma delas formada por grandes blocos de tufo e outra, mais estreita, com pavimentação.

Nesse caso, a equipe informa que ainda não identificou canais claros de entrada ou saída de água, o que mantém em aberto a discussão sobre uso e funcionamento.

O comunicado menciona uma analogia com uma estrutura encontrada em Gabii, atribuída ao século III a.C., onde se levantou a hipótese de uso sagrado.

Em Pietralata, por sua vez, os materiais cerâmicos no preenchimento da vasca sul são citados como indicativos de que o abandono pode ter ocorrido ao longo do século II d.C., sem detalhar, por enquanto, um evento específico associado a essa mudança.

Estrada antiga, rio Aniene e ocupação na periferia de Roma

Além das estruturas monumentais, a documentação divulgada indica que o terreno era atravessado por uma estrada antiga em dois trechos distintos.

Um deles, mais próximo da via di Pietralata, tinha piso de terra batida; o outro, perto da via Feronia, foi talhado no tufo.

As primeiras intervenções de regularização do eixo, com orientação noroeste-sudeste, são relacionadas à fase médio-republicana, no século III a.C., quando também teria sido construído um grande muro de contenção.

Em seguida, segundo a Superintendência, esse elemento foi substituído por outra técnica construtiva.

No século I d.C., ainda conforme o informe, a via recebeu um novo piso e passou a ser delimitada por outras estruturas.

A equipe também relata marcas interpretadas como sulcos de rodas no trecho talhado no tufo.

Mais tarde, entre os séculos II e III d.C., pequenas sepulturas ao longo do traçado são mencionadas como um dos sinais associados ao abandono gradual do percurso.

Escavações continuam e plano de valorização da área

As escavações continuam, e a Superintendência afirma que, concluída a fase de campo, pretende iniciar estudos voltados à valorização e ao uso público do espaço, dentro das etapas administrativas e técnicas previstas.

O objetivo, segundo o órgão, é definir como a área poderá ser integrada a um plano de revitalização.

“O estudo científico aprofundado nos permitirá contextualizar essas descobertas e compreender seu papel na Antiguidade, devolvendo à comunidade o verdadeiro significado desses testemunhos do passado”, afirmou Fabrizio Santi, arqueólogo da Superintendência Especial de Roma.

Ele disse ainda que os túmulos “constituem um importante testemunho” de ocupação por um grupo familiar abastado e que as duas piscinas “abrem cenários de pesquisa estimulantes”.

Para Santi, as estruturas “podem ser” ligadas a atividades rituais ou, “menos provável”, a finalidades produtivas ou de captação de água.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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