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Robô submarino do tamanho de um torpedo foi lançado por um buraco de 600 metros na “geleira do juízo final” e revelou fendas derretendo até 10 vezes mais rápido; Icefin mostrou por dentro como água quente ameaça a Thwaites, massa de gelo capaz de elevar o nível do mar em quase 70 cm

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 25/05/2026 às 10:39
Atualizado em 25/05/2026 às 10:43
Assista o vídeoRobô submarino do tamanho de um torpedo foi lançado por um buraco de 600 metros na “geleira do juízo final” e revelou fendas derretendo
Robô submarino do tamanho de um torpedo foi lançado por um buraco de 600 metros na “geleira do juízo final”
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Robô Icefin revelou derretimento acelerado em fendas sob a Geleira Thwaites, que pode elevar o nível do mar em 65 cm.

Um robô submarino estreito, alongado e projetado para entrar por furos no gelo revelou uma das imagens mais detalhadas já obtidas da parte inferior da Geleira Thwaites, na Antártida Ocidental. Chamado Icefin, o veículo foi lançado por um buraco de cerca de 600 metros aberto com água quente e alcançou uma região que satélites, navios e mergulhadores não conseguem observar diretamente. A Thwaites é conhecida em reportagens internacionais como “geleira do juízo final” por causa do risco de longo prazo associado ao seu colapso. Segundo a International Thwaites Glacier Collaboration, se toda a geleira desmoronasse, o nível médio global do mar subiria cerca de 65 cm, ou 25 polegadas.

O dado mais surpreendente não foi apenas a presença de água quente sob o gelo, mas a forma como ela age. Os estudos publicados na Nature mostraram que partes planas da base derretiam menos do que alguns modelos esperavam, enquanto fendas, paredes inclinadas e formações em degraus concentravam derretimento muito mais rápido.

Robô Icefin entrou por um buraco de 600 metros para alcançar a zona onde a geleira encontra o oceano

O Icefin foi usado dentro do projeto MELT, parte da colaboração científica Reino Unido–Estados Unidos que estudou a Thwaites. A equipe abriu um acesso com perfuração de água quente na plataforma de gelo e desceu o robô até a cavidade oceânica sob a geleira.

A operação ocorreu perto da chamada linha de aterramento, ponto onde o gelo deixa de tocar o fundo marinho e começa a flutuar como plataforma de gelo. Essa região é crítica porque controla a estabilidade da geleira e a velocidade com que o gelo continental pode avançar para o oceano.

O artigo da Nature informa que as observações foram feitas por um furo atravessando 587 metros de gelo, a aproximadamente 1,5 a 2 km da linha de aterramento atual. A descrição pública do BAS resume a operação como um furo de cerca de 600 metros.

Veículo de 3,5 metros levou câmeras, sonar e sensores para um lugar onde nenhum humano chega

O Icefin tem 3,5 metros de comprimento, 23 cm de diâmetro, pesa 130 kg e foi projetado para operar a até 1 km de profundidade. O formato estreito permite que ele passe por furos verticais no gelo e ainda carregue sensores oceanográficos, câmeras e sistemas de navegação.

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A plataforma leva câmeras em alta definição, sonar, sensor de temperatura e salinidade, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, altímetro, sistemas de imagem do fundo e instrumentos para medir correntes. Isso transforma o robô em uma espécie de laboratório móvel sob o gelo.

Durante a missão na Thwaites, o Icefin mediu temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e velocidade das correntes, além de mapear em três dimensões o fundo do mar e a base do gelo.

Fendas e terraços sob o gelo derretem muito mais rápido que as áreas planas

O achado central é que a Thwaites não derrete de forma uniforme por baixo. Nas áreas mais planas da base da plataforma, uma camada de água mais fresca ajuda a reduzir a mistura vertical de calor e limita a taxa de derretimento.

Mesmo assim, o Icefin mostrou que a base do gelo tem fendas, paredes inclinadas e estruturas em degraus, onde a água quente consegue atacar o gelo de forma mais intensa. A ITGC afirma que, nessas áreas, o derretimento rápido está ocorrendo mesmo quando a taxa média sob partes planas parece menor.

O British Antarctic Survey informou que, ao longo de nove meses, a água perto da linha de aterramento ficou mais quente e salgada, mas o derretimento médio na base do gelo ficou entre 2 e 5 metros por ano, abaixo do previsto por alguns modelos. O problema é que esse número médio esconde pontos de derretimento concentrado nas fendas.

Geleira Thwaites já recuou 14 km desde os anos 1990 e continua fora de equilíbrio

A Thwaites é uma das geleiras que mudam mais rapidamente na Antártida. Segundo a ITGC, sua zona de aterramento recuou 14 km desde o fim dos anos 1990, sinal de que a base da geleira vem perdendo estabilidade.

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A Nature descreve a Thwaites como um sistema especialmente vulnerável porque grande parte do gelo está apoiada abaixo do nível do mar, sobre um leito que se aprofunda para o interior do continente. Essa geometria aumenta o risco de recuo acelerado quando a água oceânica consegue alcançar a base da geleira.

O próprio artigo afirma que o colapso completo da Thwaites, ao longo de séculos, contribuiria com 65 cm para o nível global do mar. A desestabilização mais ampla dos principais glaciares do setor do Mar de Amundsen teria potencial muito maior, chegando a vários metros em escalas de tempo mais longas.

Dois estudos na Nature mudaram a forma de enxergar o derretimento sob a Thwaites

Os resultados foram publicados em dois artigos científicos na revista Nature, em fevereiro de 2023. Um deles analisou o derretimento basal suprimido na zona de aterramento da plataforma leste da Thwaites; o outro descreveu o derretimento heterogêneo perto da linha de aterramento com dados do Icefin.

A grande mudança é que os cientistas passaram a ver a base da geleira como um ambiente irregular, com pontos de derretimento concentrado, e não como uma superfície plana onde o calor do oceano age de maneira homogênea.

Robô Icefin revelou derretimento acelerado em fendas sob a Geleira Thwaites, que pode elevar o nível do mar em 65 cm.
Robô submarino Icefin em fendas sob a Geleira Thwaites/Reprodução

Peter Washam, pesquisador ligado à equipe do Icefin, afirmou em divulgação da Cornell que o robô coleta dados o mais perto possível do gelo, em locais que nenhuma outra ferramenta consegue alcançar hoje. Para ele, o sistema é complexo e exige repensar como o oceano derrete o gelo em uma região como a Thwaites.

A ameaça não está só no derretimento médio, mas nas rachaduras que enfraquecem a estrutura

O dado mais importante da missão é que uma taxa média menor de derretimento não significa segurança. A própria ITGC afirma que, apesar do derretimento suprimido em partes da plataforma, a geleira continua recuando.

A razão é que fendas e terraços funcionam como pontos fracos. Quando a água quente entra nessas irregularidades, ela amplia rachaduras, altera a geometria da base e ajuda a enfraquecer a plataforma que segura o gelo continental.

Na prática, o Icefin mostrou que o perigo da Thwaites não pode ser medido apenas por uma média simples de metros derretidos por ano.

O problema está na combinação entre água quente, rachaduras, recuo da linha de aterramento e perda progressiva da capacidade da plataforma de frear o gelo que vem do continente.

Icefin revela o ponto cego da Antártida que modelos climáticos ainda tentam alcançar

Satélites conseguem medir altura, velocidade e mudança superficial das geleiras. Mas não enxergam diretamente o que acontece no teto submerso das plataformas de gelo, onde o oceano toca a base da Antártida.

É exatamente esse ponto cego que o Icefin começou a revelar. O robô entrou por um furo estreito, nadou sob centenas de metros de gelo e mostrou que a parte invisível da Thwaites é irregular, ativa e mais complexa do que os modelos simplificados conseguiam representar.

O recado da missão é direto: a ameaça da “geleira do juízo final” não está apenas no que aparece por satélite. Está escondida nas fendas, nos degraus e nas paredes submersas onde a água quente trabalha em silêncio contra uma massa de gelo capaz de redesenhar o litoral do planeta.

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Dimitrios
Dimitrios
26/05/2026 13:18

A água congelada tem volume maior que água líquida. Deixe uma garrafa cheia no congelador para confirmar. Se as geleiras derreterem, o nível da água vai recuar, e não aumentar. Essa narrativa é uma falsa do ponto de vista da física básica.

Sopcomplicar
Sopcomplicar
Em resposta a  Dimitrios
26/05/2026 15:09

Entao vms imaginar vários cubos d gelo derretendo numa bacia c água num certo nível…..O q vai acontecer c o nível da squa se o gelo derreter dentro dessa bacia? … para e pense

Antônio
Antônio
Em resposta a  Dimitrios
26/05/2026 17:03

Tá certo mas vc não está contando a parte de gelo em terra firme , se virar água vai subir sim o nível geral do mar.

Leandro
Leandro
Em resposta a  Dimitrios
26/05/2026 23:17

Não é o caso. Essa geleira está acima da água. Quando quebrar, vai deslocar o volume de água iqual ao volume dela. E quando derreter esse volume sim, vai permanecer o mesmo do volume do que o gelo deslocou.

Junior Sousa
Junior Sousa
Em resposta a  Dimitrios
28/05/2026 02:35

Só contará como volume a geleira que tiver acima do mar, a geleira imersa já faz parte do volume.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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