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Robô que escala açaizeiro no Pará corta cachos com controle remoto, reduz acidentes de peconheiros e promete colher 10 vezes mais, chegando a 1.000 kg por dia, custando R$ 21 mil com PRONAF subsidiado

Escrito por Carla Teles
Publicado em 05/04/2026 às 17:00
Atualizado em 05/04/2026 às 17:04
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Robô no açaizeiro colhe açaí por controle remoto, reduz risco ao peconheiro e pode ser financiado no PRONAF.
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Com robô acessível via PRONAF, açaí ganha colheita mais segura no açaizeiro e o peconheiro reduz risco de acidente.

Você já imaginou um robô subindo um açaizeiro para colher açaí no topo da palmeira? No Pará, essa tecnologia já está em uso com o robô Açaí Bolt, que escala a palmeira de forma automatizada, localiza o cacho e faz o corte com controle remoto.

A proposta é direta: reduzir acidentes entre peconheiros e aumentar a eficiência da colheita. Segundo o projeto, o robô pode entregar um ganho de produtividade de 10 vezes, chegando perto de 1.000 kg de açaí por dia em uma jornada ampliada, além de ter caminho de financiamento para agricultores familiares via PRONAF.

Por que subir no açaizeiro é tão arriscado

Robô no açaizeiro colhe açaí por controle remoto, reduz risco ao peconheiro e pode ser financiado no PRONAF.

A colheita tradicional exige prática e resistência. As palmeiras podem passar de 15 metros de altura, e os ribeirinhos costumam amarrar os pés em uma pecônia feita com palha ou corda para escalar. O facão vai na cintura para realizar o corte do cacho.

O peconheiro é peça central na cadeia do açaí no Pará, mas a atividade é descrita como uma das mais perigosas e precárias do mundo. No relato do projeto, 80% desses trabalhadores já sofreram algum tipo de acidente, seja por quedas, seja por cortes ligados ao facão e à pecônia.

O robô Açaí Bolt e o corte por controle remoto

Robô no açaizeiro colhe açaí por controle remoto, reduz risco ao peconheiro e pode ser financiado no PRONAF.

A solução apresentada vem do Instituto Socioambiental de Ciência e Tecnologia da Amazônia, o Isaacta, com sede em Belém. O Açaí Bolt é um robô que se prende à palmeira e escala de forma automatizada e intuitiva.

O foco do robô é tornar o corte mais seguro: ele sobe, localiza o cacho e realiza a colheita com controle remoto, reduzindo o risco de queda e de ferimentos durante a operação. Ainda assim, a proposta não é “trabalhar sozinho”. O robô precisa de um operador, e a ideia é que a colheita seja feita com joystick, sem o peconheiro precisar subir no método tradicional.

10 vezes mais produtividade e uma meta de até 1.000 kg por dia

O ganho de produtividade é um dos pontos mais fortes do projeto. No método tradicional, um peconheiro colhe, em média, 100, 130 ou 150 kg de açaí durante a manhã, que costuma ser o período de trabalho.

Com o robô, o diferencial citado é a possibilidade de estender a jornada: operar quatro horas pela manhã, deixar o equipamento carregando no almoço e voltar para mais quatro horas à tarde. Nesse cenário, o projeto aponta que o robô pode chegar perto de 1.000 kg de açaí por dia, o que representa dez vezes mais do que o método tradicional, além de reduzir o risco de acidente.

Um robô pensado para a realidade da floresta

Robô no açaizeiro colhe açaí por controle remoto, reduz risco ao peconheiro e pode ser financiado no PRONAF.

O Açaí Bolt foi testado em condições reais na Amazônia, enfrentando calor intenso, chuvas frequentes, umidade alta e desafios logísticos. O robô apresentou ganhos de eficiência nesse ambiente, que costuma ser o maior obstáculo para qualquer tecnologia que dependa do campo e da floresta.

A motivação do projeto também passa por questões sociais da colheita, como o risco de morte, o trabalho não remunerado de parte das mulheres envolvidas e a presença de trabalho infantil relatada no contexto da atividade. A proposta do robô é ser acessível a comunidades ribeirinhas, agricultores familiares, quilombolas e indígenas, com foco em segurança e organização da cadeia.

Evolução do equipamento, materiais e peso do robô

O desenvolvimento do robô começou em 2022. O primeiro protótipo era artesanal e pesava cerca de 14 kg. O oitavo protótipo foi finalizado em junho de 2025 e foi considerado ideal, com 8 kg.

O equipamento é feito de plástico injetado, com 30% de fibra de carbono, e usa alumínio citado como material robusto, semelhante ao utilizado em aeronaves. A bateria é de lítio, buscando equilíbrio entre resistência e leveza para o uso prático no dia a dia.

Preço, PRONAF e abatimento para agricultor familiar

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O robô custa em torno de R$ 21.000 e entrou no catálogo de equipamentos agrários do MDA, o que abriu caminho para financiamento via PRONAF B, tornando o acesso mais viável para pequenos produtores.

No modelo descrito, o agricultor familiar que paga as parcelas em dia pode ter abatimento de 40% no valor do equipamento. A proposta é que o robô seja uma ferramenta de fortalecimento da atividade, não um substituto da renda de ribeirinhos e extrativistas.

Produção, vendas e os próximos passos do robô

A fábrica instalada no distrito de Oteiro, em Belém, já comercializou cerca de 500 unidades e tem capacidade para produzir até 3.000 robôs por mês. Os desenvolvedores também trabalham na adaptação da tecnologia para a Mata Atlântica, mirando a colheita da juçara, palmeira parecida com o açaí amazônico.

Além do robô, o projeto menciona outras soluções, como basquetas biodegradáveis para acondicionamento do fruto e a construção de biovias, estruturas dentro da floresta para transportar o açaí em áreas de difícil acesso, com a proposta de circular sem derrubar árvores.

O impacto na cadeia do açaí no Pará

A Federação da Agricultura do Pará avalia que o projeto tem potencial para impulsionar a cadeia produtiva do açaí no estado, que já responde por cerca de 90% do volume produzido no país. A entidade também afirma atuar com capacitação técnica para ribeirinhos e pequenos produtores, para que o uso do robô aconteça com sucesso.

Com mais segurança na colheita, melhor ritmo de produção e operação remota, o robô entra como uma tentativa concreta de resolver um gargalo antigo do açaí: colher rápido, com menos risco e com mais controle sobre o processo.

Você acha que esse robô vai se tornar comum na colheita do açaí no Pará ou ainda vai demorar para chegar de verdade na rotina dos pequenos produtores?

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Oniele gomes
Oniele gomes
06/04/2026 07:53

Existe alguma forma na qal possa saber si o açai estar bom para colheita

Roseli Guimarães
Roseli Guimarães
05/04/2026 19:24

O que vai acontecer com os apanhadores de açaí? Só pensam em produtividade e lucro, deviam pensar nas pessoas que vão ficar sem trabalhar!😫

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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