As negociações entre o Congo e os EUA podem redefinir o acesso a minerais essenciais para tecnologias avançadas, enquanto o país busca reforçar sua segurança com apoio externo
Os Estados Unidos estão negociando com a República Democrática do Congo (RDC) um possível acordo para explorar minerais essenciais. O país africano, rico em cobre, cobalto e urânio, propôs um acordo que pode garantir direitos de exploração para empresas americanas em troca de apoio ao governo local.
O interesse dos EUA faz parte de uma estratégia para garantir acesso a recursos naturais e reduzir a influência da China na região. O interesse dos EUA nos recursos naturais da Ucrânia é outro grande exemplo.
Discussões em andamento
As negociações entre os dois países estão em fase inicial. Autoridades da RDC apresentaram a proposta no mês passado, buscando reforçar o governo do presidente Félix Tshisekedi. A instabilidade no leste do país, onde rebeldes avançam sobre territórios ricos em minerais, motivou o pedido de apoio.
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Segundo o FT, o governo americano demonstrou interesse. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a RDC possui minerais essenciais para tecnologias avançadas. Segundo ele, uma parceria pode fortalecer a economia de ambos os países e integrar a RDC às cadeias de valor globais.
A proposta enviada ao secretário de Estado Marco Rubio inclui a concessão de direitos de exploração para empresas dos EUA e a criação de um estoque estratégico de minerais. Em troca, o governo congolês pede assistência militar para combater grupos rebeldes.
Interesse dos EUA em recursos minerais
Desde o início do mandato, Donald Trump tem buscado garantir acesso a recursos estratégicos no exterior. Em outras ocasiões, ele já propôs acordos similares, como o interesse na Groenlândia e uma negociação mineral com a Ucrânia, que pode ser fechada em breve.
A entrada dos EUA na mineração da RDC poderia diminuir a influência da China no setor. Empresas chinesas dominam atualmente as operações de extração no país africano.
A proposta enviada ao governo americano destaca essa oportunidade, argumentando que uma nova parceria pode criar uma cadeia de fornecimento mais ética.
Negociações ligadas à Ucrânia
As conversas sobre mineração entre os EUA e a RDC ocorrem ao mesmo tempo que Washington busca finalizar um acordo similar com a Ucrânia. No entanto, fontes indicam que o governo Trump quer vincular esse acordo a exigências para que Kiev aceite um cessar-fogo com a Rússia.
Fontes informaram que Trump está disposto a assinar o acordo sobre recursos naturais com a Ucrânia, desde que o presidente Volodymyr Zelensky se comprometa com negociações de paz.
Essa exigência tem dificultado a conclusão do acordo, que ficou suspenso após uma reunião tensa entre os dois líderes na Casa Branca.
Representantes dos EUA e da Ucrânia podem se reunir na Arábia Saudita nos próximos dias para discutir o tema. Entretanto, há incerteza sobre a posição americana, já que Trump tem histórico de mudar de opinião rapidamente.
O interesse dos EUA nos recursos minerais da RDC reforça a disputa global por matérias-primas estratégicas. Enquanto negocia um possível acordo na África, o governo americano também usa sua influência para condicionar acordos na Europa a interesses geopolíticos.
As movimentações ainda estão em andamento, e os próximos dias podem ser decisivos para definir os rumos das negociações.
Algumas informações colhidas no FT.
