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Ranking atualizado do FMI mostra que a Argentina deve quatro vezes mais que a Ucrânia em guerra e quase seis vezes mais que o Egito, enquanto Brasil acumula reservas de mais de 350 bilhões de dólares e não deve nenhum centavo ao fundo

Publicado em 28/04/2026 às 13:56
Atualizado em 28/04/2026 às 14:25
A Argentina lidera o ranking do FMI com dívida de quase US$ 60 bilhões. O Brasil quitou tudo em 2005 e não deve nada ao fundo desde então.
A Argentina lidera o ranking do FMI com dívida de quase US$ 60 bilhões. O Brasil quitou tudo em 2005 e não deve nada ao fundo desde então.
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A Argentina acumula cerca de 41,8 bilhões de SDR em dívida com o FMI, o equivalente a quase US$ 60 bilhões, o que representa sozinha 35% de todo o crédito pendente do fundo no mundo. O país deve quatro vezes mais que a Ucrânia em guerra e quase seis vezes mais que o Egito. Do outro lado da fronteira, o Brasil quitou sua dívida com o FMI em 2005 e hoje mantém reservas internacionais acima de US$ 350 bilhões.

A Argentina lidera com folga o ranking dos maiores devedores do FMI, e a distância para o segundo colocado é tão grande que o país sulamericano deve mais do que vários dos próximos na lista somados. Dados atualizados pelo próprio fundo nesta segunda-feira (27) mostram que a dívida argentina alcança 41,8 bilhões de SDR (Direitos Especiais de Saque, a moeda de referência da instituição), o equivalente a algo entre US$ 57 bilhões e US$ 60 bilhões. O total global de crédito pendente do FMI gira em torno de 120,7 bilhões de SDR, o que significa que a Argentina sozinha concentra quase 35% de tudo o que todos os países do mundo ainda devem ao fundo.

O contraste com o Brasil é gritante. Enquanto a Argentina ocupa o topo do ranking com uma dívida que supera a de nações em guerra, o Brasil não aparece sequer na lista. O país quitou praticamente toda sua dívida com o FMI em 2005, durante o primeiro governo Lula, quando pagou antecipadamente cerca de US$ 15 bilhões e encerrou um ciclo histórico de dependência do fundo. Desde então, acumulou reservas internacionais robustas, geralmente acima de US$ 350 bilhões, e não precisou mais recorrer ao emprestador de última instância.

O ranking completo dos maiores devedores do FMI

Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, depois da Argentina, os maiores devedores do FMI são países que enfrentam guerras, crises cambiais ou dificuldades severas para pagar suas contas externas. A Ucrânia aparece em segundo lugar com 10,7 bilhões de SDR, seguida por Egito com 7,4 bilhões, Paquistão com 7,2 bilhões e Equador com 7,2 bilhões. Na sequência vêm Costa do Marfim, Angola, Bangladesh, Gana e Quênia.

A comparação dimensiona a anomalia argentina. O país deve quase quatro vezes mais que a Ucrânia, uma nação que está em guerra desde 2022 e que recorreu ao FMI justamente para financiar a sobrevivência econômica durante o conflito. Deve quase seis vezes mais que o Egito, que enfrenta crise cambial crônica. A concentração de 35% de toda a dívida global do fundo em um único país não tem paralelo na história recente da instituição.

Por que a Argentina deve tanto ao FMI e como chegou a esse ponto

A relação da Argentina com o FMI é antiga e turbulenta. O país já firmou mais de 20 acordos com o fundo desde os anos 1950 e vive um ciclo repetido de crise econômica, inflação alta, desvalorização cambial e necessidade de novos empréstimos. Cada crise gera um programa de resgate que, quando fracassa, é substituído por outro programa ainda maior para refinanciar a dívida anterior.

O grande salto aconteceu em 2018, no governo de Mauricio Macri, quando o FMI aprovou o maior empréstimo da história da instituição até então: US$ 57 bilhões. O programa tinha como objetivo conter a fuga de capitais e estabilizar a economia, mas saiu do controle. Em 2022, um novo acordo refinanciou a dívida antiga. Em 2025, já sob Javier Milei, a Argentina fechou mais um programa de US$ 20 bilhões, principalmente para rolar parcelas anteriores e dar fôlego ao ajuste fiscal. Na prática, o país pega dinheiro novo para pagar dívida velha.

O que significa aparecer no topo do ranking do FMI

Estar no topo da lista de devedores do FMI não é a mesma coisa que ser o país mais endividado do mundo. Japão, Estados Unidos, Itália e o próprio Brasil têm dívidas públicas gigantescas, mas financiadas principalmente no mercado interno, com emissão de títulos e bancos locais. Esses países não precisam recorrer ao fundo porque conseguem se financiar com sua própria moeda e seus próprios investidores.

O FMI atua como emprestador de última instância, procurado quando o país enfrenta crise cambial, falta de dólares, risco de calote externo ou colapso nas reservas internacionais. Aparecer muito alto nesse ranking é sinal de fragilidade econômica, não apenas de dívida elevada. A Argentina está no topo porque sua economia não consegue, há décadas, gerar os dólares necessários para pagar suas obrigações externas sem recorrer repetidamente ao socorro internacional.

Como o Brasil saiu da lista e por que não volta

O Brasil quitou sua dívida com o FMI em 2005, quando pagou antecipadamente cerca de US$ 15 bilhões e encerrou a dependência que marcou os anos 1990 e o início dos anos 2000. Desde então, o país acumulou reservas internacionais que geralmente ficam acima de US$ 350 bilhões, um colchão que permite enfrentar crises externas sem precisar bater na porta do fundo.

O problema fiscal brasileiro existe, mas está concentrado na dívida pública interna, financiada em reais e dentro do próprio mercado nacional. A diferença entre dever ao FMI em dólares e dever ao mercado interno em moeda própria é estrutural: no primeiro caso, o país depende de gerar dólares para pagar; no segundo, tem o Banco Central como regulador da moeda em que a dívida é denominada. Essa distinção explica por que o Brasil, mesmo com déficit fiscal elevado, não aparece no ranking do FMI.

O que o ranking do FMI revela sobre a economia da Argentina em 2026

A permanência da Argentina no topo do ranking sob o governo Milei mostra que o ajuste fiscal prometido pelo presidente libertário não foi suficiente para mudar a dinâmica de dependência do fundo. O programa de US$ 20 bilhões fechado em 2025 não reduziu a dívida total: apenas substituiu parcelas antigas por novas, mantendo o país na mesma posição relativa e garantindo que a Argentina continue concentrando mais de um terço de todo o crédito do FMI no mundo.

Para os argentinos, a dívida com o fundo tem consequências práticas. Os programas do FMI vêm acompanhados de condicionalidades que incluem metas fiscais, controle da inflação e reformas estruturais, e o descumprimento dessas metas pode levar à suspensão dos desembolsos. A Argentina opera, na prática, com a economia parcialmente administrada pelas exigências do fundo, uma situação que o Brasil deixou para trás há duas décadas.

Você sabia que a Argentina deve mais ao FMI do que a Ucrânia em guerra, ou achava que o Brasil ainda tinha dívida com o fundo? Conte nos comentários o que pensa sobre a diferença entre os dois vizinhos e se acredita que a Argentina conseguirá sair desse ciclo de endividamento.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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