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Quem é o homem que investiu 28 milhões em uma mina “parada” e agora tem 2,1 bilhões?

Publicado em 03/02/2026 às 21:36
Atualizado em 03/02/2026 às 21:38
Mina, Ouro, Valor
Imagem: Ilustração
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Investidor veterano transforma aposta arriscada na Hycroft em caso emblemático de paciência, visão estratégica e aproveitamento raro do rali do ouro e da prata no mercado global

O canadense Eric Sprott construiu uma reputação sólida ao longo de décadas apostando em ouro e prata. Agora, essa convicção rendeu um dos retornos mais impressionantes de sua carreira. Seu investimento na Hycroft Mining multiplicou por 8, transformando 28 milhões de dólares aplicados em 2022 em uma participação avaliada hoje em mais de 2,1 bilhões de dólares, mesmo com a mina sem operar plenamente há anos.

O salto de um investidor veterano na mina

Conhecido como o “magnata do ouro”, Sprott acompanha o mercado de metais preciosos de perto e defende há décadas a importância de manter exposição a esses ativos.

A valorização recente da Hycroft reflete esse posicionamento. As ações da companhia avançaram mais de 425% nos últimos dois meses e acumulam uma alta superior a 1.500% desde que ele começou a ampliar sua posição no ano passado.

A rentabilidade total do investidor na empresa alcançou 746%, um número que chama atenção não apenas pelo tamanho, mas também pelas circunstâncias.

A Hycroft não extrai ouro desde 2021 e, em 2022, registrou faturamento de apenas 33 milhões de dólares, segundo dados da Bloomberg.

Mina, Ouro, Valor
Imagem: Divulgação / Xataka

Uma mina que não minera

Localizada no norte de Nevada (EUA), a jazida da Hycroft opera desde os anos 1980. Atualmente, a companhia se limita a reprocessar minério previamente extraído que permanece na superfície.

A maior parte das reservas, porém, está no subsolo, e não existe um plano definido para a retomada da mineração tradicional.

Para o analista Brian Quast, do Bank of Montreal, a empresa funciona como “um enorme ETF subterrâneo”.

A lógica é simples: mesmo sem produzir, suas reservas se valorizam conforme os preços do ouro e da prata atingem máximas históricas.

Da quase falência ao estrelato na bolsa

O momento da entrada de Sprott foi decisivo. Quando ele investiu em 2022, a Hycroft beirava a insolvência.

Junto com a AMC Entertainment, que vivia um período de excesso de liquidez após o fenômeno das ações meme, o canadense ajudou a salvar a empresa de seus credores, como conta a Bloomberg.

O anúncio fez os papéis dispararem quase 100% no pré-mercado. O entusiasmo, porém, arrefeceu rapidamente.

No fim de 2022, as ações já valiam menos da metade do preço de entrada. Sprott vendeu um quinto de sua posição e passou cerca de três anos com o investimento estagnado.

A mudança de estratégia

No ano passado, Sprott decidiu dobrar a aposta. Entre junho e janeiro, aplicou 187 milhões de dólares adicionais, elevando sua participação para mais de 40% do capital da empresa.

Estou fazendo todo o possível para ampliar minha posição ao máximo”, afirmou em outubro a Tony Denaro, criador de conteúdo dedicado às finanças.

A manobra coincidiu com novos resultados de perfuração, que identificaram jazidas de prata de qualidade maior do que a esperada e áreas com potencial de expansão.

Poucos bilionários no rali do ouro

Apesar do boom dos metais preciosos, poucas grandes fortunas conseguiram se beneficiar de forma expressiva.

Segundo o Relatório Global de Family Offices 2025 do UBS, esse tipo de estrutura patrimonial destina, em média, apenas 2% a metais preciosos.

Apenas alguns investidores, como Sprott e o honconguês Cheah Cheng Hye, apostaram forte, como reporta a Bloomberg.

Para Sprott, o histórico irregular da Hycroft é justamente o principal atrativo. À medida que ouro e prata sobem, cresce também a chance de o reprocessamento se tornar mais rentável e abrir novas formas de monetizar as reservas subterrâneas.

Em suas palavras, “não é possível encontrar uma recompensa mais alavancada e significativa”, uma visão que ajuda a explicar por que ele continua confiante, mesmo diante de um ativo que, à primeira vista, parece parado no tempo.

Com informações de Xataka.

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Romário Pereira de Carvalho

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