Iniciativa une formação presencial na Amazônia, prêmio financeiro e curso remoto para ampliar ações de cultura digital e fortalecer projetos comunitários, indígenas e socioambientais na região do Rio Negro.
O Ministério da Cultura (MinC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) abriram inscrições para a Rede de Formação em Cultura Digital – Labic Amazonas, que vai selecionar 30 projetos da região do Rio Negro e de São Gabriel da Cachoeira (AM) para uma formação imersiva e o pagamento de um prêmio de R$ 1 mil por iniciativa selecionada.
As ações combinam oficinas presenciais, mentorias e vivências em aldeias indígenas, além de um curso remoto aberto para participantes de todo o Brasil, com certificado gratuito emitido pela UFRJ.
Formação cultural na Amazônia
O Labic Amazonas será realizado em São Gabriel da Cachoeira, município considerado o mais indígena do país, com 23 povos que preservam línguas e tradições próprias.
-
A Fiocruz abriu 30 mil vagas em um curso gratuito online sobre saúde mental no trabalho, com certificado e inscrição pelo Campus Virtual, sem prova de seleção
-
A FGV liberou 216 cursos gratuitos online com certificado e acesso imediato, sem processo seletivo e sem prazo, em áreas como administração, marketing e Inteligência Artificial
-
Últimos dias: o IFRS está com mais de 200 cursos gratuitos de educação a distância e com certificado, e as inscrições vão só até 30 de junho
-
Fiocruz convoca para cursos de Especialização EAD e oferece 400 vagas gratuitas em todo o Brasil; formação tem até 668 horas, polos presenciais em vários estados e seleção sem cobrança de taxa de inscrição.
A proposta é promover uma imersão em saberes, tecnologias e culturas da floresta, conectando conhecimentos tradicionais a ferramentas digitais contemporâneas.
A formação privilegia projetos e lideranças que atuam em ações socioambientais, economias da floresta, tecnologias sociais, produção cultural e modos de vida amazônicos, além de iniciativas voltadas ao combate à desinformação e à análise dos impactos da cultura digital em comunidades indígenas e ribeirinhas.
Segundo a pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, o foco é discutir o papel das plataformas e ferramentas digitais no cotidiano dos territórios.
“Será um Labic dedicado a refletir sobre o impacto da cultura digital nas culturas indígenas e a destacar iniciativas que se apropriam dessas ferramentas para fortalecer suas comunidades e territórios”, afirma.
Parcerias institucionais na região do Rio Negro
A ação é organizada pelo Laboratório de Inovação Cidadã da UFRJ (Labic UFRJ) em parceria com o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), com o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
O secretário de Formação Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, destaca o caráter colaborativo da iniciativa e a continuidade da agenda da cultura digital no ministério.
Para ele, o Labic em São Gabriel da Cachoeira é uma oportunidade concreta de diálogo com o território e suas potências, reforçando uma linha de trabalho iniciada nas gestões anteriores e ampliada na atual política cultural.
Além de fortalecer redes locais, o Labic Amazonas também funciona como espaço de articulação nacional, conectando organizações indígenas, instituições de ensino e coletivos da cultura digital.
A Foirn, que reúne mais de 20 povos do Rio Negro, atua como parceira estratégica na mobilização dos territórios e na defesa dos direitos e modos de vida indígenas.
O que é o Labic e sua trajetória
Criado em 2017, o Labic UFRJ é coordenado pela professora Ivana Bentes e surgiu com o objetivo de apoiar práticas colaborativas e experimentais que aproximam a universidade de comunidades, coletivos, gestores públicos e iniciativas sociais.
Desde então, o laboratório já realizou edições no Rio de Janeiro (2017, 2018 e 2019), em Salvador e Lisboa (2019).
A partir de 2020, passou a promover ações virtuais e híbridas, mantendo o caráter participativo mesmo no período de distanciamento físico.
Nos últimos anos, o Labic expandiu a cartografia de inovação cidadã para outras regiões do Brasil, com edições em Brasília, Curitiba, novamente no Rio de Janeiro e, em 2025, em Fortaleza, antes de chegar a São Gabriel da Cachoeira.
O Labic Amazonas marca a entrada da iniciativa em uma área estratégica da Amazônia, conectando florestas, rios, aldeias e redes digitais.
Quem pode disputar as 30 bolsas de R$ 1 mil
A chamada pública é direcionada principalmente a projetos da região do Rio Negro e de São Gabriel da Cachoeira (AM), já que a etapa formativa presencial ocorrerá no município.
Serão selecionadas 30 iniciativas para participar de mentorias, oficinas e atividades imersivas, com direito ao prêmio em dinheiro de R$ 1 mil por projeto, além de acompanhamento formativo ao longo do processo.
As propostas podem envolver comunicação comunitária, cultura digital, ações ambientais, defesa de direitos, circulação de saberes tradicionais, iniciativas educativas e outras práticas de interesse das comunidades locais.
A seleção considera o vínculo com os territórios amazônicos, a relevância social e cultural das ações e o potencial de impacto coletivo.
Curso remoto e certificação pela UFRJ
Quem não mora em São Gabriel da Cachoeira também pode acompanhar o Labic Amazonas.
A UFRJ oferece o Curso de Extensão Formação em Cultura Digital, totalmente remoto, com transmissão síncrona e certificação gratuita para quem cumprir os requisitos de participação.
O curso faz parte das ações de extensão da universidade e é realizado em parceria com o MinC, por meio da Sefli.
A iniciativa tem apoio da Mídia Ninja e do Pontão de Cultura Digital da Escola de Comunicação da UFRJ (Eco/UFRJ), além das parcerias com o Ifam e a Foirn.
O conteúdo aborda temas como cultura digital em contextos indígenas e ribeirinhos, combate à desinformação, comunicação comunitária, uso estratégico de redes sociais, economia da cultura e tecnologias sociais voltadas à Amazônia.
Pessoas de qualquer região do país podem participar, sem exigência de vínculo prévio com a UFRJ.
Extensão universitária e impacto social
O Labic Amazonas integra o conjunto de ações de Extensão da UFRJ, área responsável por conectar a universidade à sociedade em diferentes territórios.
Somente em 2024, a instituição desenvolveu mais de duas mil ações de extensão, entre programas, projetos, cursos e eventos, alcançando milhões de pessoas com atividades de formação, pesquisa aplicada, oficinas e capacitações.
No caso específico do Labic Amazonas, estudantes da UFRJ podem atuar como colaboradores dos projetos selecionados, acumulando créditos necessários à conclusão da graduação e vivenciando, na prática, processos de inovação cidadã em diálogo com comunidades amazônicas.
Datas e organização da etapa presencial
A etapa presencial do Labic Amazonas está prevista para o primeiro bimestre de 2026, em São Gabriel da Cachoeira.
As atividades vão ocorrer na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e no Instituto Federal do Amazonas (Ifam), em datas a serem definidas em conjunto com os participantes selecionados.
Além da imersão em campo, haverá um encontro online obrigatório, com transmissão por plataformas digitais, no qual serão apresentados conteúdos iniciais, orientações gerais e a organização das mentorias.
O curso remoto em Formação em Cultura Digital, associado à iniciativa, também será realizado de forma síncrona ao longo desse período.
Como se inscrever no Labic Amazonas e concorrer às bolsas
As inscrições para o Labic Amazonas estão abertas até 24 de novembro de 2025 e devem ser feitas exclusivamente por meio de formulário online da Rede de Formação em Cultura Digital – Labic Amazonas.
Antes de enviar a proposta, é essencial ler com atenção a Chamada Pública, disponível junto ao formulário, já que as respostas do candidato funcionam como principal referência para a seleção e levam cerca de 15 minutos para serem preenchidas.
Para concorrer às 30 bolsas de R$ 1 mil e garantir vaga na formação presencial ou acompanhar as mentorias pelo curso remoto com certificado da UFRJ, você já decidiu qual projeto da sua comunidade tem mais força para representar o seu território nessa rede de cultura digital?

Como se inscrever? Será totalmente on-line? Resido em POA, RS e tenho muita experiência em elaboração de projetos.