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Quase 70% dos brasileiros têm dívidas e 41% não pagaram amigos e familiares após empréstimo, aponta Datafolha; rotativo vira bola de neve e aperto financeiro atinge 45%

Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/04/2026 às 20:34
Atualizado em 19/04/2026 às 20:36
Quase 70% dos brasileiros têm dívidas e 41% não pagaram amigos e familiares após empréstimo, aponta Datafolha; rotativo vira bola de neve e aperto financeiro atinge 45%
Datafolha aponta dívidas, alerta para crédito rotativo e cartão de crédito e mostra como o aperto financeiro afeta brasileiros.
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Levantamento nacional mostra dívidas concentradas em cartão, banco e carnês, alerta para o crédito rotativo como bola de neve e revela aperto financeiro forte para 45% da população

Quase 70% dos brasileiros têm dívidas, e uma parcela relevante também carrega pendências fora do sistema bancário: 41% dos que pegaram dinheiro com amigos e familiares não devolveram o valor, segundo pesquisa do Datafolha. O estudo trata de endividamento, inadimplência e restrições no orçamento que afetam o dia a dia.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do Brasil, entre 8 e 9 de abril de 2026, e foi publicada no sábado, 18 de abril de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Dívidas vão além dos bancos e atingem relações pessoais

O levantamento indica que, de cada três brasileiros, dois têm dívidas financeiras. Mas o problema não se limita a bancos e cartões: muitos entrevistados relataram dívidas com conhecidos, como amigos e familiares, e uma parte expressiva admitiu não ter quitado esses valores após o empréstimo.

Esse dado chama atenção porque dívidas pessoais podem criar tensão dentro de casa e no círculo social, além de dificultarem a reorganização financeira quando não há clareza de prazo e forma de pagamento.

Onde estão as dívidas de quem já está endividado

Ao olhar apenas para quem tem dívidas, o Datafolha mapeou os tipos de atraso e pendências mais comuns. Entre os endividados, aparecem com destaque:

29% estão inadimplentes nos parcelamentos do cartão de crédito
26% não quitaram empréstimos no banco
25% têm pendências em carnês de lojas

O retrato sugere que as dívidas se espalham por modalidades diferentes, muitas vezes acumuladas, o que torna a recuperação mais lenta quando o orçamento já está pressionado.

Crédito rotativo ganha status de vilão por juros altos

Entre os entrevistados, 27% disseram usar o crédito rotativo, em intensidades diferentes. Desse grupo, 5% afirmam recorrer à modalidade habitualmente, enquanto 22% usam de forma ocasional ou rara.

O ponto central é o mecanismo: o crédito rotativo é acionado automaticamente quando a pessoa paga apenas o mínimo da fatura, e juros altos incidem sobre o valor restante. É nesse cenário que o rotativo pode virar uma bola de neve, especialmente quando outras dívidas já estão em aberto.

Dívidas em contas de serviço também entram no radar

O levantamento também identificou inadimplência em contas de consumo e serviços. No total, 28% dos entrevistados disseram ter débitos em atraso. Entre as contas mais citadas por quem está inadimplente, aparecem:

Telefonia e internet: 12%
Tributos, como IPTU, IPVA e carnê leão: 12%
Energia elétrica: 11%
Água: 9%

Na prática, essas dívidas afetam diretamente o básico, porque envolvem serviços essenciais e obrigações que costumam ter impacto rápido no cotidiano.

Aperto financeiro atinge 45% e força cortes no consumo

A pesquisa mostra que a sensação de aperto financeiro é comum. A partir de um índice que mede oito tipos de restrições orçamentárias, como cortes de consumo e inadimplência, o Datafolha apontou que 45% da população vive sob forte pressão econômica.

Dentro desse grupo, 27% estão em situação “apertada” e 18% em condição “severa”. Outros 36% enfrentam cenário moderado, enquanto 19% são considerados isentos ou com restrições leves.

Como as famílias tentam sobreviver quando as dívidas apertam

Para equilibrar as contas, os entrevistados relatam estratégias frequentes. O lazer foi o primeiro item cortado por 64%, seguido pela redução de refeições fora de casa (60%) e pela troca de marcas por opções mais baratas (60%).

Também há reflexo no consumo básico: 52% reduziram a compra de alimentos e 50% cortaram gastos com água, luz e gás. No campo das obrigações, 40% deixaram contas vencerem, e 38% suspenderam o pagamento de dívidas ou a compra de remédios, mostrando como o aperto pode avançar sobre decisões essenciais.

No fim, as preocupações aparecem de forma direta: ao falar espontaneamente do maior problema pessoal, 37% citaram fatores financeiros, como baixa renda, endividamento e alto custo de vida.

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Carla Teles

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