Quase 500 pontos de coleta unem escolas, igrejas e comércios em Guarujá, transformam lacres e tampinhas em 40 cadeiras de rodas e elevam para 80 as entregas desde 2025
Quase 500 pontos de coleta unem escolas, igrejas e comércios em Guarujá, transformam lacres e tampinhas em 40 cadeiras de rodas e elevam para 80 as entregas contabilizadas desde 2025
O que muita gente jogaria no lixo virou mobilidade para dezenas de famílias em Guarujá, no litoral de São Paulo. Uma rede formada por escolas, igrejas, hotéis, postos de gasolina, comércios e moradores reuniu lacres de alumínio e tampinhas plásticas em quase 500 pontos de coleta e viabilizou a entrega de 40 cadeiras de rodas e de banho.
A distribuição aconteceu na sede do Fundo Social de Solidariedade e levou o Projeto Biblioteca Cidadã à marca de 80 equipamentos entregues no recorte iniciado em 2025 e contabilizado até 17 de abril de 2026. Além das cadeiras, a cerimônia reconheceu 40 instituições que se destacaram na mobilização espalhada pela cidade.
Por trás do resultado está uma ideia simples: transformar materiais recicláveis recolhidos no cotidiano em uma rede de apoio para pessoas que precisam de equipamentos de mobilidade.
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Pequenos lacres e tampinhas mobilizaram quase 500 pontos pela cidade
A arrecadação alcançou escolas públicas e particulares, igrejas, hotéis, estabelecimentos comerciais, postos de combustível e entidades comunitárias. Juntos, esses espaços formaram quase 500 locais de coleta em Guarujá.
Cada ponto recebe materiais que poderiam ser descartados incorretamente. Quando acumulados, os lacres de alumínio e as tampinhas de plástico ajudam a sustentar uma iniciativa que aproxima reciclagem, educação ambiental e solidariedade.
Na cerimônia de entrega, 40 parceiros receberam certificados em reconhecimento ao trabalho. Cada instituição homenageada também levou um vaso de ciclâmen, planta cujas pétalas lembram um coração e simbolizam o cuidado com o próximo.
A Prefeitura de Guarujá informou que os 40 equipamentos distribuídos incluem cadeiras de rodas e de banho. O evento foi organizado com participação da Secretaria Municipal de Educação, da Coordenadoria de Bibliotecas Municipais e do Fundo Social de Solidariedade.
Projeto criado em 2006 usa histórias para ensinar cidadania
O Biblioteca Cidadã existe desde 2006 e aposta na educação para ampliar o alcance da campanha. Seu idealizador e coordenador, o professor Pedro Menezes, afirma que o objetivo é transformar conhecimento em ação.

“O nosso objetivo é transformar conhecimento em ação, conscientizando sobre meio ambiente, reciclagem e solidariedade. Quando a criança aprende, ela leva essa mensagem para casa e mobiliza toda a família”, explicou o educador.
A contação de histórias está entre as ferramentas usadas para apresentar valores como empatia e sustentabilidade. A partir das atividades com os alunos, a proposta chega aos pais, aos vizinhos e a outros espaços da comunidade.
O trabalho cria uma cadeia que começa com a separação de resíduos e termina com um item capaz de facilitar o deslocamento, o banho e a rotina de quem enfrenta dificuldades de mobilidade.
Famílias e escolas ajudaram a ampliar a corrente de solidariedade
Sheila Agria, diretora da Escola Municipal Constantino Michaello Conde, uma das instituições homenageadas, relatou que a participação das crianças ajuda a aproximar as famílias da campanha.
“Conversamos com os pais, explicamos a importância da ação e as crianças se empolgam. Elas passam a se preocupar com o próximo e entendem desde cedo o valor da solidariedade. É um trabalho de formação humana, além de ambiental”, afirmou.
Também participaram da mobilização professores, equipes escolares, comerciantes, representantes de instituições religiosas e funcionários de estabelecimentos que aceitaram funcionar como pontos de coleta.
A primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Haifa Madi, destacou a união entre os diferentes grupos envolvidos. Para ela, o resultado depende da conexão entre educação, famílias, comunidade e poder público.

“Estamos conectados. É uma rede: escolas, famílias, professores, comunidade e Fundo Social trabalhando juntos. Estamos ajudando o meio ambiente e, acima de tudo, ajudando pessoas que realmente precisam. Cada cadeira entregue representa dignidade para alguém”, declarou.
Quarenta novas cadeiras elevaram para 80 as entregas contabilizadas desde 2025
Com a distribuição realizada em 17 de abril de 2026, a iniciativa chegou a 80 cadeiras entregues no recorte iniciado em 2025. A etapa mais recente, com 40 equipamentos, respondeu por metade desse total.
Esse número não corresponde ao total histórico do projeto. A trajetória solidária é anterior ao recorte atual. Em dezembro de 2021, o mesmo Projeto Biblioteca Cidadã entregou 35 cadeiras de rodas e de banho depois de arrecadar quase três toneladas de lacres, tampinhas e embalagens, conforme registro oficial da Prefeitura de Guarujá.
O resultado também foi registrado pelo portal Cidade Guarujá e pelo jornal A Estância de Guarujá, que destacaram o impacto da arrecadação de recicláveis na entrega dos equipamentos.
Além de ampliar o acesso a cadeiras de rodas e de banho, a campanha ajuda a retirar do descarte comum materiais que podem ganhar novo destino. O benefício ambiental se soma ao efeito direto sobre pessoas que dependem de apoio para se locomover.
A experiência mostra como uma ação pulverizada por centenas de endereços consegue produzir um resultado coletivo. De um lacre guardado depois de abrir uma lata a uma tampinha separada em casa, cada contribuição se transforma em parte de uma rede que devolve autonomia e dignidade a moradores da cidade.

