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Em formatura no Agreste, diretor pede que primeiros universitários da família fiquem de pé, 10 de 16 se levantam, pai com 4ª série sobe ao palco e vários já trabalham na área

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 25/08/2026 às 06:31
Em Arapiraca, 62,5% dos formandos conquistaram o primeiro diploma superior de suas famílias
Em Arapiraca, 62,5% dos formandos conquistaram o primeiro diploma superior de suas famílias.
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Em Arapiraca, 62,5% dos formandos conquistaram o primeiro diploma superior de suas famílias, a turma reuniu dez licenciados em Letras/Português e seis bacharéis em Sistemas de Informação, muitos já empregados nas áreas escolhidas

Dez pessoas se levantaram no auditório quando o diretor perguntou quem estava se tornando o primeiro universitário da própria família. Diante de apenas 16 formandos, a resposta visual tomou conta da cerimônia realizada em Arapiraca, no Agreste de Alagoas.

A cena ocorreu em 16 de junho de 2025, durante a colação de grau de estudantes de Letras/Português e Sistemas de Informação. O gesto mostrou que 62,5% da turma estava levando um diploma superior para dentro de casa pela primeira vez.

A informação foi publicada pelo Instituto Federal de Alagoas, instituição pública federal de educação profissional e superior. Além da conquista acadêmica, muitos daqueles novos profissionais já trabalhavam nas áreas em que se formaram.

O pedido que mudou o clima da cerimônia

Augusto de Oliveira, responsável pela direção do campus, pediu que os concluintes pioneiros ficassem de pé para receber os aplausos da plateia. O que parecia uma pergunta simples revelou a dimensão da formatura: dez estudantes se levantaram ao mesmo tempo.

O gesto mudou o clima no auditório porque deu forma a algo que costuma permanecer escondido. Não eram apenas estudantes encerrando um curso. Eram filhos levando para casa uma oportunidade que não havia chegado aos pais.

dez estudantes se levantaram ao mesmo tempo
Dez estudantes se levantaram ao mesmo tempo (Imagem: IFAL / Reprodução)

Cledilma Costa, dirigente de Ensino que presidiu a solenidade, também foi a primeira pessoa de sua família a concluir uma graduação. Ela se emocionou com a quantidade de pioneiros e relacionou aquele momento ao papel da educação pública, gratuita e inclusiva.

Antes do pedido feito pela direção, Robson Gominho, orador da turma de Sistemas de Informação, já havia falado sobre o orgulho dos pais. Ele lembrou que chegar até ali exigiu renúncias, tempo longe da família, finais de semana ocupados e muitas noites de pouco sono.

Dez pioneiros em 16 cadeiras

O cálculo ajuda a entender a força da cena. Se 10 dos 16 concluintes eram os primeiros graduados de suas famílias, isso significa que quase dois em cada três ocupavam uma posição inédita dentro de casa. O percentual exato chegou a 62,5%.

A turma tinha dez licenciados em Letras/Português e seis bacharéis em Sistemas de Informação. Assim, a mesma solenidade reuniu novos profissionais ligados à educação e à tecnologia.

O Instituto Federal de Alagoas, instituição pública federal de educação profissional e superior, reuniu os dados da cerimônia e identificou Rayra Gabrielle Barbosa e Graciele Oliveira entre as novas licenciadas que inauguraram esse caminho em suas famílias.

Para as duas formandas, o diploma representava uma conquista compartilhada com pais e irmãos. Também abria espaço para crescimento profissional e aumento de renda, efeitos concretos para famílias que antes não tinham alguém com formação superior.

Os pais que não tiveram a mesma oportunidade

Marta Barbosa, mãe de Rayra Gabrielle, acompanhou a formatura da filha mais nova com orgulho. Rayra tem outros dois irmãos e foi a primeira da família a alcançar o diploma superior, realizando um sonho que pertencia tanto a ela quanto à mãe.

A história de Graciele Oliveira levou esse contraste para cima do palco. Seu pai, Erivaldo Bezerra, estudou somente até a 4ª série do antigo ensino fundamental e caminhou ao lado da filha no momento em que ela recebeu o diploma.

Erivaldo explicou o sentido daquele esforço familiar com uma frase direta: “Eu ensinei a elas, que elas seguissem esse caminho, porque eu não tive oportunidade. Agora é só alegria”. A fala mostra um pai que não viveu a universidade, mas orientou as filhas a seguirem adiante.

A emoção também tinha uma continuação prevista para a família. Na data da cerimônia, Erivaldo esperava ver a filha mais velha, irmã de Graciele, formada ainda em 2025. O palco de Arapiraca funcionou, portanto, como a primeira celebração de um ciclo que poderia se repetir poucos meses depois.

O diploma que já virou emprego

A colação de grau não marcou apenas o fim de uma etapa de estudos. Os seis novos bacharéis em Sistemas de Informação presentes na cerimônia já estavam inseridos no mercado de trabalho e atuavam na área em que se formaram.

colação de grau
Colação de grau (Imagem: IFAL/ Reprodução)

Entre os concluintes de Letras/Português, muitos também já trabalhavam na própria área de formação. Isso mostra que o aprendizado do curso já estava sendo aplicado antes mesmo da entrega oficial dos diplomas.

Robson Gominho relacionou a entrada no mercado à passagem pela instituição. O orador afirmou que boa parte da turma tinha origem humilde e chegou ao emprego depois das oportunidades abertas durante a formação.

Para Rayra, Graciele e os demais pioneiros, o diploma passou a ter dois sentidos ao mesmo tempo. Ele simbolizou uma mudança na história familiar e confirmou uma qualificação que já produzia resultado profissional.

Ao final daquela noite, dez cadeiras contavam uma história diferente das outras seis. Nelas estavam pessoas que atravessaram pela primeira vez a fronteira entre suas famílias e o ensino superior, diante de pais que conheciam de perto a falta de oportunidade.

O número de 10 pioneiros em uma turma de 16 formandos tornou visível o alcance da educação pública no Agreste. E o fato de vários já estarem empregados mostrou que a conquista saiu do palco e chegou à vida profissional.

Você conhece alguém que também foi a primeira pessoa da família a conquistar um diploma superior? Conte essa história nos comentários e compartilhe esta publicação com quem ajudou a abrir esse caminho.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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