Protótipo do BabaçuTech usa materiais reciclados e o calor do sol para secar o mesocarpo, reduzir um gargalo no processamento do coco e facilitar a produção de farinha, azeite e outros itens que sustentam famílias maranhenses.
Cinco estudantes do Instituto Estadual do Maranhão, em São Luís, criaram um forno solar de baixo custo com caixas de papelão e casca de coco. Batizado de BabaçuTech, o protótipo foi pensado para ajudar as quebradeiras de coco babaçu a acelerar uma etapa importante do processamento.
As informações foram divulgadas pela Samsung Newsroom Brasil, página institucional de notícias da Samsung. Em 6 de novembro de 2025, a equipe formada por um aluno e quatro alunas do 3º ano do ensino médio e técnico estava entre os 10 finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2025.
O forno concentra a secagem do mesocarpo, a parte fibrosa da casca do coco. Ao tornar essa fase mais rápida, a proposta pode agilizar o preparo e a comercialização de produtos derivados do babaçu, entre eles farinha e azeite, com potencial de contribuir para a renda das famílias.
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Quem são as quebradeiras de coco babaçu
As quebradeiras de coco babaçu são mulheres que coletam, quebram e processam o fruto para produzir itens destinados à venda. A atividade reúne várias etapas até que os derivados estejam prontos para a comercialização.
Entre esses produtos aparecem a farinha e o azeite de babaçu. A renda obtida com esse trabalho ajuda famílias maranhenses que dependem do aproveitamento do coco, por isso qualquer dificuldade no processamento afeta o ritmo da produção.

O grupo de São Luís voltou a atenção para essa realidade e procurou uma resposta baseada nos recursos disponíveis no próprio lugar. A escolha revela que a inovação não precisa começar com equipamentos caros, mas com a compreensão clara de um problema cotidiano.
O gargalo estava na secagem do mesocarpo
O mesocarpo é a parte fibrosa da casca do coco. Antes que o material avance no processamento, ele precisa passar pela secagem, etapa escolhida pelos estudantes como foco do BabaçuTech.
Quando essa fase demora, todo o restante também perde velocidade. A equipe buscou reduzir esse intervalo para que as quebradeiras consigam avançar mais rapidamente na preparação dos produtos que serão vendidos.
O projeto não tenta substituir o trabalho e o conhecimento dessas mulheres. Sua função é oferecer apoio em um ponto específico da cadeia, justamente onde uma solução simples pode acelerar o processamento e a comercialização.
Como funciona o forno solar feito de papelão
A versão apresentada pelos estudantes usa caixas de papelão e materiais reciclados. A própria casca do babaçu entra na estrutura como isolante térmico, isto é, como uma camada que ajuda a conservar o calor.
O aquecimento vem do sol e é direcionado para a secagem do mesocarpo. Dessa forma, o grupo aproveita um recurso natural disponível e reduz a necessidade de uma estrutura cara para cumprir essa etapa.
Felipe Borges Pereira, professor e orientador da equipe, resumiu a construção do protótipo: “A versão atual do protótipo é feita com caixas de papelão e usamos a própria casca como isolante térmico.” A combinação mostra como um resíduo do próprio coco também pode integrar a solução.
Reconhecimento nacional manteve o projeto em desenvolvimento
A Samsung Newsroom Brasil, página institucional de notícias da Samsung, registrou o BabaçuTech entre os 10 finalistas da 12ª edição do Solve for Tomorrow Brasil.
O programa de cidadania corporativa da Samsung, com coordenação geral do Cenpec, estimula estudantes e professores da rede pública a desenvolver soluções para necessidades reais. Os projetos usam conhecimentos de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Na época da publicação, a equipe participava de mentorias e aperfeiçoava a proposta com técnicas de criação e teste de soluções. Esse contexto é importante: o forno solar ainda era um protótipo em desenvolvimento, e seu impacto aparecia como potencial, não como resultado já comprovado em larga escala.
O impacto potencial na renda das famílias
O baixo custo é um dos pontos centrais do BabaçuTech. Papelão, casca de coco e energia solar formam uma combinação acessível, ligada aos recursos locais e ao reaproveitamento de materiais.
Se a secagem do mesocarpo se tornar mais rápida, as famílias poderão avançar com maior agilidade no processamento e na venda dos derivados do coco. O ganho proposto está na redução de um gargalo que consome tempo antes da comercialização.
O forno solar criado pelos cinco estudantes une criatividade de baixo custo, sustentabilidade e impacto social direto. Mais do que uma experiência escolar, a ideia parte de uma necessidade econômica concreta e tenta fortalecer uma atividade realizada por mulheres no Maranhão.
Você acredita que soluções simples como o BabaçuTech podem gerar mudanças duradouras em cadeias produtivas tradicionais? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a história.
