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Quaresma pressiona preço do pescado e eleva consumo de peixes no DF

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 21/02/2026 às 20:40 Atualizado em 21/02/2026 às 20:42
Quaresma impulsiona consumo de peixes, pressiona preço do pescado e encarece bacalhau importado no DF. Produção local tenta suprir demanda.
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Quaresma impulsiona consumo de peixes, pressiona preço do pescado e encarece bacalhau importado no DF. Produção local tenta suprir demanda.

Quaresma já provoca reflexos diretos no bolso e no prato dos brasilienses. O que está acontecendo é um aumento no preço do pescado e no consumo de peixes, especialmente de tilápia e bacalhau importado.

Quem sente esse impacto são comerciantes e consumidores do Distrito Federal, sobretudo entre o carnaval e a Semana Santa, período em que quase metade da população — 49,74%, segundo o IPEDF — se declara católica. 

Como consequência da tradição religiosa de evitar carne vermelha, a procura cresce, os estoques giram mais rápido e os valores sobem.

Além disso, custos com ração, transporte e logística também pressionam o mercado. 

Consumo de peixes cresce até 60% na Quaresma 

Nas peixarias do DF, o movimento já mudou.

Na Feira do Guará, as vendas chegam a subir 60% durante a Quaresma e a Semana Santa, em comparação com o restante do ano. 

Segundo o gerente Leandro Braga, os produtos mais buscados incluem robalo, pescada amarela, salmão, tilápia e o tradicional bacalhau importado, além de camarão, lula e polvo para paella.

A tilápia, produzida majoritariamente no DF, costuma ser a opção mais acessível, enquanto o bacalhau, vindo da Noruega e de Portugal, lidera entre os mais caros. 

A expectativa é de que o preço do pescado tenha alta entre 10% e 15% até a Sexta-feira Santa. Para atender à demanda, a peixaria contratou 15 funcionários temporários. 

“Nesses dias, abrimos a loja às 4h devido ao movimento.

A Feira inteira fica bastante lotada, sendo difícil até se locomover”, disse Leandro. 

Bacalhau importado pode ter aumento de até 60% 

O impacto no bolso é sentido principalmente no bacalhau importado.

Em supermercados do DF, o quilo pode custar o dobro da tilápia, e a previsão é de novos reajustes. 

“A nossa expectativa é que, nesse período da Quaresma, haja um incremento de venda de pescados, entre 18% e 25%, em supermercados.

No caso do bacalhau, a previsão é de um aumento de até 60% nos preços. Para não repassarmos essa conta de maneira abrupta aos consumidores, vamos tentar negociar esse fardo entre importadores e comerciantes”, afirma Givanildo de Aguiar, porta-voz da Associação de Supermercados de Brasília (Asbra). 

Além da alta demanda, a variação cambial influencia diretamente o valor final, já que o produto depende do dólar.

Portanto, qualquer oscilação na moeda impacta o preço do pescado nas gôndolas. 

Consumidores mantêm tradição apesar do preço do pescado 

Mesmo com valores elevados, muitos consumidores não abrem mão da tradição. O aposentado Miguel Maluf, de 75 anos, resume o sentimento de quem encara os balcões. 

“Caríssimo”, ressaltou. “Vivencio a Quaresma todos os anos, evitando comer carne vermelha. Mas tento variar nas opções, incluindo carnes brancas e ovos. Hoje, vou comprar tambaqui. Bacalhau, eu gosto muito, porém, só compro cerca de 300g e na Semana Santa, porque é um valor absurdo.” 

A aposentada Vânia Vieira, de 76 anos, também mantém o costume, embora reconheça que os preços estão “mais altos do que no ano passado”.

Sobre o prato principal, ela admite incerteza: “Eu já estive olhando o preço do bacalhau. Está tão caro. Mas não quero deixar passar em branco. É uma tradição”. 

Produção local ganha força com aumento do consumo de peixes 

Se por um lado o preço do pescado preocupa, por outro a produção local vive um momento de expansão. A tilápia representa mais de 90% do volume produzido no DF, seguida por tambaqui, pacu e pintado. 

Segundo Adalmyr Borges, da Emater-DF, o crescimento é expressivo.

“A produção no DF tem crescido bastante. Para se ter uma ideia, saímos de 2.163 toneladas em 2024 para 2.637 toneladas em 2025, aumento de 22%.

Essa alta está bem acima da observada em outras cadeias produtivas daqui”, garantiu. 

Então entre o carnaval e a Semana Santa, concentra-se 40% de toda a comercialização anual de pescado no DF.

Então esse planejamento permite que o ciclo de engorda dos peixes, que dura de seis a oito meses, seja finalizado justamente na Quaresma, período de maior consumo de peixes

Ainda assim, o mercado local precisa recorrer a estados vizinhos para suprir a demanda. 

Por que o preço do pescado sobe na Quaresma? 

O aumento do preço do pescado ocorre por três fatores principais: 

Crescimento do consumo por motivos religiosos; 

Alta nos custos de produção, como ração e transporte; 

Dependência do dólar no caso do bacalhau importado. 

Além disso, especialistas apontam que consumidores de renda mais alta tendem a manter o consumo mesmo com preços elevados, enquanto famílias de menor renda substituem por frango ou ovos. 

Dicas para economizar na compra de peixes na Quaresma 

Diante da alta no preço do pescado, o consumidor precisa redobrar a atenção. Veja orientações importantes: 

Acompanhe a pesagem do peixe fresco. 

Observe se o produto está bem refrigerado ou coberto com gelo adequado. 

Evite balcões congelados superlotados, que prejudicam a circulação do ar frio. 

Não permita que o gelo seja pesado junto com o peixe. 

Verifique a procedência do bacalhau e evite peças com manchas avermelhadas ou pintas escuras. 

Desconfie de valores muito abaixo do mercado. 

Caso identifique irregularidades, o consumidor pode acionar o Procon pelo telefone 151 ou pelo e-mail 151@procon.df.gov.br

Quaresma reforça tradição e movimenta a economia 

Apesar dos reajustes, a Quaresma segue como um dos períodos mais importantes para o setor.

O aumento do consumo de peixes fortalece a produção local, movimenta feiras e supermercados e mantém viva uma tradição cultural e religiosa. 

Enquanto isso, o consumidor equilibra fé, orçamento e pesquisa de preços para manter o cardápio típico da Semana Santa — mesmo diante do encarecimento do bacalhau importado e do restante do mercado. 

Veja mais em: Entenda o aumento de preço dos pescados nesta época do ano

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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