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Promessas quebradas e abandono, Rio Doce vira filete longe do cais e moradores denunciam leito seco após mudança na vazão em Aimorés

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 25/02/2026 às 09:18
Atualizado em 27/02/2026 às 09:43
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Moradores de Aimorés relatam secura do Rio Doce, críticas à hidrelétrica e efeitos do desastre da Samarco em 2015.
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Moradores de Aimorés relatam que o Rio Doce deixou de correr na calha histórica à margem da cidade e virou um filete distante. Promessas de desenvolvimento com a hidrelétrica deram lugar a pedras expostas, pesca rareando e sensação de abandono.

Em Aimorés, no leste de Minas Gerais, o Rio Doce moldou a vida de gerações. Canoas, mergulhos e pesca eram parte do cotidiano, um roteiro que criava identidade ribeirinha. Hoje, moradores descrevem um cenário de pedras à mostra e um filete de água longe do cais.

O ponto de virada, segundo depoimentos, ocorreu com a hidrelétrica instalada nos anos 2000, quando o curso principal deixou de banhar o trecho urbano. A frustração cresce porque o que se via em maquetes e promessas de um espelho d’água não se confirmou na prática.

As pessoas também citam a escalada de problemas sanitários, como mais mosquitos e doenças, além de prejuízos à pesca artesanal. E, como agravante histórico, veio o desastre da Samarco em 5 de novembro de 2015, que contaminou o Rio Doce de montante a jusante, segundo o Ministério Público Federal e o Ibama.

Hidrelétrica de Aimorés e desvio do Rio Doce, memória apagada e transformação do leito urbano

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Moradores relatam que a calha principal do rio junto ao centro de Aimorés perdeu vazão após a construção da usina, restando um canal afastado centenas de metros do cais. No lugar da lâmina d’água que margeava a cidade, ficaram bancos de pedras e poças isoladas.

Especialistas lembram que usinas a fio d’água podem alterar o regime local, exigindo projeto de engenharia, operação e manutenção que garantam circulação hídrica mínima no trecho urbano. A promessa de um espelho d’água permanente virou símbolo de cobrança pública.

Vazão ecológica, licenciamento e fiscalização, o que deveria garantir água corrente e limpeza do leito

A vazão ecológica é o volume mínimo para manter processos ecológicos e usos múltiplos da água. De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), essa vazão deve ser definida em estudos e cumprida na operação dos empreendimentos.

No licenciamento ambiental, órgãos como IBAMA e secretarias estaduais avaliam impactos e condicionantes. Quando a outorga estabelece defluências mínimas, a usina precisa respeitar esses parâmetros, inclusive em períodos de seca, ressalvadas situações críticas formalmente reconhecidas.

Moradores afirmam que o lixo se acumula no leito antigo e que não há descargas que “lavem” o rio, o que contraria o que foi divulgado no licenciamento, segundo eles. Sem auditoria pública contínua, fica difícil verificar o cumprimento das condicionantes.

O que dizem órgãos oficiais

Segundo a ANEEL e a própria Cemig em documentos públicos de referência, usinas têm regras operativas e monitoramento. Já a ANA define diretrizes para outorga e vazão de referência. Este é o arcabouço que deve ser conferido caso a caso.

Sem acesso ao plano operacional atualizado, a reportagem registra o relato comunitário e reforça a necessidade de transparência em dados de vazão e fiscalizações presenciais periódicas, com participação social e divulgação em linguagem acessível.

Impactos sociais e culturais em Aimorés, pesca, saúde pública e a sensação de abandono

Com menos água à beira da cidade, a pesca artesanal encolheu, afetando a renda de famílias com tradição centenária. Moradores citam idosos pescadores, herdeiros de uma cultura passada de pais para filhos, agora sem rio navegável no trecho urbano.

Sem circulação hídrica, surgem poças que podem favorecer mosquitos vetores, o que preocupa a saúde local. De acordo com o Ministério da Saúde, ambientes com água parada elevam o risco de dengue e chikungunya, exigindo ação integrada de saneamento e controle.

Samarco e o colapso do Rio Doce em 2015, dupla pancada sobre quem vive da água

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, liberou rejeitos que desceram até a foz do Rio Doce, em Linhares. Segundo o MPF e o Ibama, foi um dos piores desastres ambientais do país, com danos à água, à biota e aos meios de vida ribeirinhos.

Em Aimorés, relatos apontam que, quando a comunidade começava a se adaptar à nova realidade após a usina, a lama chegou e aprofundou as perdas. A Fundação Renova, criada pelos responsáveis para reparar danos, mantém programas de indenização e restauração, mas moradores dizem que a recomposição é lenta.

Autoridades ambientais destacam que a recuperação do Rio Doce exige longo prazo, com monitoramento ecotoxicológico, recomposição de habitats e reativação da pesca com segurança. A incerteza sobre a qualidade do peixe local ainda assusta parte da população.

Para além dos números, o impacto psicológico e cultural é evidente no discurso ribeirinho. “Água é vida” virou refrão de quem cresceu vendo o rio correr ao pé do quintal e hoje enxerga apenas um traço d’água distante.

Sem resultados concretos à vista, cresce a cobrança por uma governança robusta, com metas públicas, prazos e avaliação independente dos programas de reparação e de gestão hídrica.

Caminhos possíveis, recuperar a calha, cumprir acordos e devolver vida ao Rio Doce

Especialistas sugerem revisar a outorga de uso da água e as condicionantes, definindo vazão ecológica que recoloque água circulando no trecho urbano de Aimorés. A ANA, os órgãos ambientais e o empreendedor devem pactuar metas factíveis, com cronograma e divulgação contínua.

É crucial garantir monitoramento em tempo real de vazões, qualidade da água e ictiofauna, com auditorias independentes e participação da sociedade. A restauração de matas ciliares, o manejo de sedimentos e ações de saneamento urbano completam o pacote.

Por fim, transparência e diálogo são essenciais. Cumprir o que foi prometido, corrigir rumos e colocar a água de volta na calha histórica podem devolver dignidade, cultura e economia à Aimorés, conectando memória e futuro.

E você, o que pensa sobre a vazão ecológica e as promessas feitas à comunidade? A água deve voltar a correr ao lado do cais de Aimorés, como defendem os moradores, ou a operação atual já atende ao licenciamento? Deixe seu comentário e ajude a ampliar o debate, cobrando transparência e soluções que realmente devolvam vida ao Rio Doce.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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