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Projeto rural que teve Murilo Benício na Zona da Mata mineira sai de uma ideia para cobrir custos do campo, ganha força após sociedade com pecuaristas, adota seleção de Gir Leiteiro para produzir animais de alto valor genético e transforma a criação em negócio com leilão que faturou R$ 1,45 milhão no Rio

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 05/09/2026 às 14:18 Atualizado em 05/09/2026 às 14:51
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Seleção de matrizes, reprodução assistida e venda de prenhezes permitiram que a AgroCopa explorasse o valor genético do rebanho, além da criação convencional. Em uma das fases documentadas do projeto, a estrutura chegou a 600 animais distribuídos em duas propriedades de Minas Gerais.

Uma criação voltada à seleção genética pode gerar receita não apenas com a produção direta do rebanho, mas também com matrizes, reprodutores, prenhezes e sêmen. Foi nesse modelo que um projeto ligado a Murilo Benício avançou de uma tentativa de reduzir despesas de uma propriedade familiar para uma operação pecuária estruturada.

O ponto de partida foi uma chácara em Secretário, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Benício procurava uma atividade ligada ao campo que pudesse contribuir com os custos da propriedade quando conheceu o pecuarista Felipe Picciani em um evento dedicado ao Gir no Copacabana Palace.

A Dinheiro Rural relatou que as conversas com Picciani ampliaram o objetivo inicial do ator. “Fiquei muito empolgado com a possibilidade de apostar em um negócio maior, e um dia ter uma segunda profissão”, disse Benício à publicação.

A seleção de Gir Leiteiro ampliou o projeto

A formação da Agropecuária Copacabana, a AgroCopa, começou em 2008. O Canal Rural registrou que Benício, Picciani e Tico Cardoso iniciaram a parceria durante o 1º Leilão Gir das Américas, ocasião em que adquiriram a doadora Sema CAL.

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A partir dessa fase, o Gir Leiteiro passou a ocupar posição central no empreendimento. A criação se voltou à seleção de animais destinados à reprodução e à multiplicação genética, atividade em que o potencial produtivo e genealógico dos bovinos interfere diretamente no valor comercial do material oferecido a outros criadores.

Nesse modelo, o patrimônio não se limita ao número de cabeças mantidas nas fazendas. Matrizes selecionadas podem produzir descendentes e prenhezes de interesse comercial, enquanto touros avaliados podem fornecer sêmen para outros rebanhos, ampliando as formas de aproveitamento econômico da genética construída pela criação.

Os números publicados pela Dinheiro Rural mostram a dimensão alcançada nessa etapa. Depois de iniciar os investimentos com seis animais considerados de cabeceira, a AgroCopa chegou a 600 bovinos distribuídos em duas propriedades de Minas Gerais, uma delas em Tombos, município da Zona da Mata.

O rebanho descrito pela revista incluía 300 fêmeas em reprodução, 80 vacas Girolando meio-sangue, 150 receptoras e 70 bezerros. André Monteiro, que participava da sociedade naquele período, informou que os parceiros haviam acumulado R$ 10 milhões em investimentos no empreendimento.

Sema da Cal, primeira doadora adquirida pelo grupo, participou da formação desse plantel. Monteiro relatou que a expansão começou a partir dela, dentro de uma seleção voltada a animais que poderiam contribuir tanto para a reprodução interna quanto para a comercialização de genética.

A AgroCopa também mantinha touros em central de inseminação artificial e tinha animais participantes de teste de progênie da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro em parceria com a Embrapa, conforme registrou a Dinheiro Rural na fase retratada pela reportagem.

O teste de progênie acompanha características transmitidas pelos reprodutores aos descendentes. Para uma criação dedicada à seleção, essa avaliação fornece informações sobre o desempenho genético dos touros e ajuda a orientar seu uso na reprodução e a oferta de material destinado a outros criatórios.

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Leilão transformou prenhezes em receita

A comercialização ganhou uma frente própria com o primeiro Leilão AgroCopa, realizado no Rio de Janeiro em 2009. O remate ofertou 36 acasalamentos comprovados e faturou R$ 1,45 milhão, com média próxima de R$ 40 mil por lote, segundo o Canal Rural.

Entre os negócios daquela edição, uma prenhez da campeã Profana com Nobre TE da CAL foi negociada por R$ 102 mil. A venda mostra como a operação passou a obter receita também com descendentes planejados a partir de animais selecionados, e não apenas com bovinos já mantidos nas propriedades.

Esse tipo de negociação depende da combinação entre escolha de matrizes, definição dos cruzamentos e reprodução assistida. No caso da AgroCopa, o leilão permitiu colocar no mercado prenhezes originadas do trabalho de seleção desenvolvido pelos sócios e ampliar a atividade para além da manutenção do plantel.

Benício também passou a participar da escolha de animais incorporados ao rebanho. A Dinheiro Rural descreveu o trabalho ao lado de pecuaristas mais experientes como parte do aprendizado do ator, enquanto os parceiros destacaram sua presença nas decisões relacionadas à formação da criação.

Os dados de rebanho, investimento e estrutura apresentados pelas duas reportagens pertencem às fases documentadas em 2009 e 2014. Por isso, eles descrevem a dimensão alcançada pelo empreendimento naquele período e não constituem um retrato atual da quantidade de animais ou do capital aplicado na AgroCopa.

A experiência pecuária de Benício posteriormente alcançou outra raça. Na etapa registrada pela Dinheiro Rural, o grupo também havia iniciado investimentos em Nelore e trabalhava com a intenção de comercializar touros e matrizes, acrescentando uma segunda frente à atividade construída inicialmente em torno do Gir Leiteiro.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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