Conhecido nacionalmente pela música, Léo Chaves também construiu uma trajetória ligada ao campo, onde uma criação iniciada de maneira quase casual ganhou estrutura empresarial, seleção genética e presença em leilões, revelando outra dimensão da Fazenda Paraíso, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Léo Chaves levou para o campo uma atividade que ultrapassou a função de refúgio rural e passou a operar como negócio ligado à genética bovina, estruturado na criação de gado Senepol e na seleção de animais destinados à reprodução.
Na região de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o cantor desenvolveu a Fazenda Paraíso com foco em touros, matrizes e exemplares escolhidos por características genéticas, aproximando a propriedade de um segmento especializado da pecuária brasileira.
A ligação do artista com essa atividade começou antes de a Fazenda Paraíso se consolidar como centro do projeto, quando uma aquisição feita quase por acaso despertou seu interesse pela raça e abriu caminho para uma atuação mais organizada no campo.
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Segundo o Canal Rural, Léo começou a criar gado Senepol em 2008, depois que a então esposa comprou um touro e uma novilha durante um leilão, dando início a uma relação que mais tarde ganharia dimensão empresarial.

Quatro anos depois, o cantor passou a comandar a Fazenda Paraíso em Uberlândia, onde a pecuária de seleção recebeu estrutura própria e se tornou parte relevante de sua atuação profissional fora dos palcos e da rotina ligada à música.
Fazenda Paraíso aposta em genética bovina e criação de Senepol
Em vez de concentrar a propriedade apenas na criação convencional de bovinos, o modelo adotado passou a priorizar a reprodução e a escolha criteriosa de animais capazes de transmitir características desejadas às gerações seguintes.
Nesse tipo de negócio, o valor não depende somente do peso ou da destinação final do animal, porque a genética carregada por touros e matrizes também influencia diretamente sua utilização dentro de outros rebanhos.
Por essa razão, a fazenda passou a trabalhar com exemplares selecionados, mantendo atenção sobre características relacionadas à reprodução, ao desenvolvimento e ao desempenho dos animais escolhidos para formar novos plantéis ou integrar programas de melhoramento.
Criado no Brasil por produtores interessados em desempenho produtivo e adaptação ao clima tropical, o Senepol ganhou espaço em propriedades especializadas, onde atributos reprodutivos e características físicas são avaliados antes da definição dos animais destinados ao mercado.
Dentro da Fazenda Paraíso, a seleção genética passou a orientar tanto o manejo quanto a comercialização, criando uma ligação direta entre o trabalho realizado na propriedade e os compradores interessados em ampliar ou renovar seus próprios rebanhos.
Touros, matrizes e doadoras escolhidos para reprodução passaram a integrar essa estrutura comercial, fazendo com que a origem genética e o potencial reprodutivo ganhassem peso importante na apresentação dos animais destinados a outros produtores.

Leilões aproximam a genética da fazenda do mercado
Como parte dessa estratégia comercial, os leilões se transformaram em uma vitrine para os animais selecionados na Fazenda Paraíso, permitindo que exemplares desenvolvidos dentro do criatório alcançassem compradores interessados especificamente na raça Senepol.
Em 2019, o Canal Rural acompanhou o primeiro Leilão Virtual Senepol Paraíso e informou que 80 fêmeas da raça foram colocadas à venda, enquanto o criatório apresentava publicamente seu trabalho com matrizes, touros e doadoras.
Além de ampliar o alcance comercial da propriedade, a modalidade virtual permitiu que compradores analisassem os animais sem depender exclusivamente de negociações presenciais, fortalecendo a conexão entre a seleção realizada no campo e o mercado pecuário especializado.
Nesse modelo, o bovino deixa de ser avaliado apenas pelo peso ou pela finalidade de abate, pois também passa a representar um conjunto de características genéticas que pode ser multiplicado quando utilizado em programas de reprodução.
Projeto começou com apenas dois animais
Antes de alcançar essa estrutura, a relação de Léo Chaves com o Senepol começou de maneira bem mais simples, a partir da compra de apenas dois animais e sem que o cantor tivesse conhecimento aprofundado sobre a raça naquele momento.
Em relato ao Canal Rural, Léo contou que não conhecia o Senepol quando recebeu a notícia da aquisição do primeiro touro e da primeira novilha, comprados enquanto ele estava envolvido com sua agenda profissional na música.
A partir daquele contato inicial, porém, o cantor passou a demonstrar maior interesse pela criação, aprofundou seu conhecimento sobre o gado e transformou uma experiência pontual em atividade rural estruturada dentro de uma propriedade com finalidade econômica definida.
Enquanto a dupla Victor & Léo já desfrutava de projeção nacional, a rotina do artista começou a incorporar também decisões relacionadas à pecuária, à administração da fazenda e ao acompanhamento dos animais mantidos dentro do projeto de seleção.

Assim, o campo deixou de representar apenas uma ligação pessoal com o ambiente rural e ganhou função econômica organizada em torno de reprodução, seleção genética e comercialização, sem substituir a trajetória que Léo já mantinha na música.
Seleção de touros e matrizes define o perfil do negócio
Ao escolher o Senepol como base do empreendimento, o criatório passou a procurar animais adequados ao trabalho reprodutivo, formando uma estrutura capaz de gerar touros e fêmeas destinados a produtores interessados em incorporar essa genética aos próprios plantéis.
Cada decisão tomada dentro da fazenda pode alcançar outras propriedades quando um reprodutor, uma matriz ou uma doadora é comercializado, fazendo com que os resultados da seleção realizada em Uberlândia ultrapassem os limites físicos da Fazenda Paraíso.
Esse tipo de operação exige acompanhamento contínuo dos animais, porque a escolha dos exemplares não termina no nascimento e depende da observação do desenvolvimento, das características físicas e da aptidão reprodutiva apresentada ao longo do processo.
A organização da Fazenda Paraíso passou justamente por essa lógica, na qual animais avaliados dentro do sistema de criação podem permanecer no programa do próprio criatório ou seguir para comercialização após atenderem aos critérios estabelecidos.
Leilão virtual amplia alcance da Fazenda Paraíso
Ao colocar 80 fêmeas à venda no leilão virtual realizado em 2019, a propriedade demonstrou uma escala comercial incompatível com uma simples criação doméstica e apresentou ao mercado um conjunto de animais selecionados especificamente para reprodução.
Por meio daquele evento, exemplares da Fazenda Paraíso puderam chegar a compradores interessados no Senepol sem que todas as negociações precisassem ocorrer presencialmente, ampliando o alcance de uma atividade construída a partir do trabalho realizado dentro do campo.
A estrutura de um leilão especializado também aproxima diferentes etapas da cadeia pecuária, porque o animal nasce e se desenvolve na propriedade, passa por critérios de seleção e depois pode integrar um projeto reprodutivo mantido por outro produtor.
Dessa forma, a fazenda participa de várias etapas de uma mesma cadeia econômica, desde a criação e avaliação dos animais até sua apresentação comercial e eventual transferência para rebanhos localizados fora da propriedade de Léo Chaves.
De dois animais a um negócio de genética bovina
A cronologia dessa trajetória mostra a mudança de escala do projeto, que começou com a aquisição de um touro e uma novilha em 2008 e avançou até a consolidação de uma propriedade dedicada à seleção genética.
Quando assumiu a Fazenda Paraíso em Uberlândia, em 2012, Léo já havia ampliado sua relação com a raça, enquanto sete anos depois a propriedade promovia um leilão virtual com dezenas de fêmeas destinadas ao mercado.
Mais do que servir apenas como espaço de descanso de uma celebridade, a fazenda passou a manter uma atividade econômica definida, sustentada por um produto identificável e por um mercado específico dentro da pecuária de reprodução.
Nesse caso, o produto central é a genética bovina representada pelos animais escolhidos para reprodução, conectando a propriedade rural do cantor à comercialização de touros, matrizes, doadoras e outros exemplares selecionados no Triângulo Mineiro.
Até que ponto a transformação de uma fazenda de celebridade em um negócio especializado de genética bovina muda a forma como o público enxerga os investimentos de artistas no agronegócio?

