Caio Ramos, de 23 anos, passou um ano sem aulas durante a pandemia, precisou trabalhar para ajudar a família após o adoecimento do pai e foi selecionado para receber apoio financeiro anual enquanto cursa Design em Dubai.
Em 2020, Caio Ramos não conseguia sequer acompanhar aulas online porque sua escola não tinha estrutura para oferecer esse tipo de ensino. Seis anos depois, o jovem de 23 anos, morador de Irajá, no Rio de Janeiro, foi selecionado para estudar Design em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com apoio do programa Black STEM.
A trajetória inclui dificuldades que foram muito além da escola. O pai de Caio adoeceu, deixou de trabalhar e as despesas familiares aumentaram. Em 2022, o jovem também precisou buscar trabalho para ajudar dentro de casa. A apuração foi publicada pela IstoÉ, portal digital de notícias e reportagens, em 9 de agosto de 2026.
A seleção garante a Caio um apoio complementar de R$ 42 mil por ano, destinado a despesas de permanência no exterior. O valor pode ser utilizado para moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos e não deve ser confundido com o custo integral da graduação.
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Um ano sem aulas online mudou o caminho de Caio antes mesmo da entrada na universidade
A dificuldade educacional começou em 2020. Durante a pandemia de covid 19, a escola onde Caio estudava não tinha estrutura para oferecer aulas online. Na prática, ele passou um ano sem aulas, justamente em um período importante para sua formação.
A interrupção trouxe uma dificuldade que muitos estudantes enfrentaram naquele período, mas a situação de Caio ganhou uma dimensão ainda maior dentro de casa. Enquanto os estudos eram afetados, a família começava a lidar com um problema de saúde que mudaria sua rotina financeira.
O intervalo na educação não significou que o jovem tivesse abandonado os planos de estudar. Porém, o caminho até o ensino superior ficou mais longo e passou a depender também das condições da família.
Pai começou a apresentar Alzheimer e Parkinson e Caio precisou ajudar no sustento da casa
No mesmo ano em que ficou sem aulas, o pai de Caio começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson. Com o avanço das doenças, ele precisou deixar o trabalho.
A família passou a enfrentar despesas com medicamentos e não tinha recursos suficientes para contratar um cuidador. O problema atingiu diretamente a renda da casa e obrigou os familiares a reorganizarem a rotina.
Em 2022, Caio começou a trabalhar para contribuir com as despesas. Conciliar a necessidade de ganhar dinheiro com o desejo de continuar estudando dificultou sua entrada no ensino superior. Ainda assim, ele continuou procurando alternativas para chegar à universidade.
Seleção do Black STEM abriu uma possibilidade de graduação fora do Brasil
A mudança veio com o Black STEM, programa do Fundo Baobá voltado ao apoio de estudantes negros que seguem para graduações internacionais. Em 2026, Caio esteve entre três estudantes selecionados para estudar fora do Brasil.
O destino escolhido foi Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Caio já havia conhecido a cidade durante uma viagem em família e decidiu buscar uma oportunidade acadêmica no local.
A graduação será em Design no Dubai Institute of Design and Innovation, conhecido pela sigla DIDI. A reportagem publicada em 9 de agosto informava que o embarque dos estudantes estava previsto para setembro de 2026, mas não apresentava a data exata da viagem.
Bolsa de R$ 42 mil por ano ajuda a pagar a permanência
Um dos pontos mais importantes da oportunidade é entender para que servem os R$ 42 mil anuais. O dinheiro funciona como apoio complementar para que Caio consiga permanecer no exterior durante os estudos.

A IstoÉ, portal digital de notícias e reportagens, informou que os recursos do programa podem cobrir despesas de moradia, transporte, alimentação e material acadêmico. O apoio, portanto, atua sobre gastos básicos enfrentados por quem precisa viver longe de casa durante uma graduação internacional.
Isso significa que os R$ 42 mil não devem ser apresentados como preço da faculdade ou como pagamento integral da graduação. O valor está ligado principalmente às condições necessárias para o estudante morar, se alimentar, se deslocar e manter sua rotina acadêmica.
O programa também oferece mentorias de carreira, oficinas, contato com lideranças negras e acompanhamento psicológico. Dessa forma, o suporte não se limita ao repasse de dinheiro durante a experiência internacional.
Caio saiu de Irajá para disputar uma oportunidade acadêmica em Dubai
A distância entre Irajá e Dubai ajuda a mostrar o tamanho da mudança na vida do estudante. Em poucos anos, Caio passou de uma realidade em que não havia estrutura para aulas online para uma seleção que pode levá lo a cursar Design em uma instituição internacional.
A oportunidade surgiu depois de um período no qual estudo, trabalho e responsabilidades familiares passaram a ocupar o mesmo espaço. O jovem não chegou à seleção seguindo uma trajetória escolar sem interrupções. Pelo contrário, enfrentou um ano sem aulas e depois precisou trabalhar para reforçar a renda familiar.
A escolha do Dubai Institute of Design and Innovation coloca o estudante diante de um novo ambiente acadêmico e cultural. A previsão divulgada antes da viagem indicava setembro de 2026 como o mês do embarque.
Conseguir uma vaga é apenas parte do desafio de estudar em outro país
A história também expõe uma dificuldade que aparece depois da aprovação. Entrar em uma instituição no exterior não elimina gastos com moradia, alimentação, transporte e materiais necessários para estudar.
Por isso, o auxílio de permanência pode ser decisivo. Sem recursos para as despesas do cotidiano, uma oportunidade acadêmica internacional pode continuar distante mesmo depois de o estudante conquistar a vaga.
No caso de Caio, o apoio financeiro se soma à rede oferecida pelo Black STEM. A proposta é permitir que estudantes selecionados tenham condições de permanecer no exterior durante a formação, em vez de receberem apenas acesso inicial à oportunidade.
A trajetória de Caio reúne duas situações muito diferentes em apenas alguns anos. Em 2020, ele passou um ano sem aulas online. Depois, precisou trabalhar para ajudar a família quando o pai deixou de exercer sua atividade profissional. Em 2026, foi selecionado para estudar Design em Dubai com R$ 42 mil anuais de apoio complementar.
O caso mostra como a permanência financeira pode pesar tanto quanto a própria conquista de uma vaga quando o estudo exige mudança de país.
Você acredita que mais programas deveriam oferecer ajuda para moradia, alimentação e transporte a estudantes que conseguem oportunidades como essa? Compartilhe esta história e deixe sua opinião nos comentários.
