Na propriedade serrana, o cantor concilia a conservação da vegetação nativa com um orquidário estruturado para centenas de plantas, além de horta e pomar orgânicos. O interesse pela botânica também ultrapassou os limites do sítio e chegou à música.
A rotina de Djavan fora dos palcos inclui uma propriedade em Araras, na Região Serrana do Rio de Janeiro, onde trechos de Mata Atlântica preservada convivem com cultivo de orquídeas e produção de alimentos. O cantor mantém no local uma relação cotidiana com jardins, floresta e agricultura.
O registro mais detalhado divulgado pelo próprio artista sobre o orquidário apareceu em uma entrevista ao Jornal do Brasil, em 2018. Na ocasião, Djavan informou que a estrutura reunia 850 plantas de 360 espécies, depois de ter sido planejada inicialmente para aproximadamente 450 exemplares.
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O cultivo começou por interesse pessoal, e não como atividade comercial. Djavan contou que já mantinha jardins quando percebeu que não cultivava orquídeas e decidiu procurar um especialista para estruturar um espaço adequado às exigências das plantas.
A orientação técnica passou a fazer parte da rotina porque o cultivo depende de fatores como luminosidade, ventilação e umidade. Com o tempo, a coleção aumentou, e o cantor também passou a estudar espécies, aromas, formatos, procedências e nomenclaturas científicas.
O espaço, concebido para algumas centenas de exemplares, continuou recebendo novas orquídeas conforme o interesse pelo assunto se transformava em atividade permanente. Os registros sobre a propriedade situam a coleção acima de 800 plantas e 350 espécies.
Mata Atlântica e áreas de cultivo

O orquidário está dentro de uma propriedade que Djavan descreveu como uma área de 11 alqueires de Mata Atlântica em Araras, distrito de Petrópolis. O objetivo relatado pelo cantor é reduzir interferências nos trechos de vegetação nativa e preservar a dinâmica natural do ambiente.
Entre os elementos mencionados por ele estão pássaros sazonais, fontes, nascentes e matas ciliares, além das árvores e demais espécies que compõem a floresta. Djavan também afirmou contar com auxílio de biólogos no acompanhamento da propriedade.
Esse cuidado diferencia a área preservada das partes do terreno usadas para cultivo. Nos trechos de Mata Atlântica, a proposta descrita pelo artista é interferir o mínimo possível, enquanto o orquidário exige observação frequente e condições adequadas para espécies mais sensíveis.
A propriedade também reserva espaço para produção de alimentos. Uma reportagem da Caras descreve o sítio com áreas de agricultura orgânica, incluindo horta e pomar destinados ao cultivo de legumes, hortaliças e frutas.
As formas de uso seguem rotinas distintas. A floresta é mantida com foco em conservação; horta e pomar são áreas produtivas, enquanto o orquidário depende de manejo mais controlado, compatível com as necessidades das espécies cultivadas.
Fontes, nascentes e matas ciliares fazem da água outro elemento presente na área descrita pelo cantor. O acompanhamento de biólogos integra esse cuidado com os trechos naturais e com a preservação dos processos existentes na floresta.
Da infância à música
A relação de Djavan com plantas é anterior ao sítio e ao próprio orquidário. Ao Jornal do Brasil, ele relatou que a mãe lhe ensinava nomes de plantas e constelações na infância, contato que ajudou a formar seu interesse por diferentes paisagens e formações vegetais brasileiras.
Esse repertório continuou presente na vida adulta e passou a incluir estudo mais sistemático quando o cantor se dedicou às orquídeas. Livros e pesquisas sobre espécies fizeram parte desse processo, assim como a atenção à pronúncia dos nomes científicos e às características particulares de cada planta.
O interesse também chegou à produção musical. No álbum “Vesúvio”, lançado em 2018, Djavan incluiu a faixa “Orquídea”, cuja letra incorpora nomes científicos de espécies e explora a sonoridade das palavras em latim.
O compositor relatou que a ideia nasceu do contato frequente com as plantas e das pesquisas realizadas para compreender melhor o universo das orquídeas. Algumas espécies despertaram curiosidade suficiente para que ele procurasse exemplares depois de conhecê-las em livros.
A coleção passou a reunir plantas de diferentes origens, com exemplares associados a países como Austrália, Itália, Japão e Estados Unidos, além de variedades encontradas no Brasil. O estudo permitiu ao cantor observar diferenças de espécies, perfumes, formatos e procedências à medida que o orquidário crescia.
Os números divulgados em momentos diferentes mantêm a coleção na mesma ordem de grandeza. Djavan relatou ao Jornal do Brasil 850 plantas de 360 espécies, enquanto a descrição mais recente da propriedade trabalha com a referência de mais de 800 exemplares de mais de 350 espécies.
O sítio não representa afastamento da carreira musical. A propriedade funciona como refúgio nos períodos em que Djavan está distante da sequência de shows, gravações e outros compromissos profissionais, oferecendo uma rotina dedicada à floresta, às plantas e ao cultivo de alimentos.
