A família passou por Coimbra, Covilhã e Caldas da Rainha, onde os dois filhos permaneceram na rede pública; Emília enfrentou preconceito na adolescência e chegou ao ensino superior, enquanto Elizângela concluiu o doutorado e manteve a atuação acadêmica ligada à comunicação.
A mudança de Elizângela Noronha de Teresina para Portugal alterou também a rotina educacional dos filhos. Emília, que havia estudado apenas em instituições particulares no Brasil, entrou aos 12 anos na rede pública portuguesa e precisou se adaptar a outro ambiente escolar durante a adolescência.
A experiência da família foi relatada pelo Público Brasil em reportagem sobre estudantes brasileiros nas escolas portuguesas. Elizângela tem dois filhos, Emília e José Miguel, que permaneceram no ensino público, mas tiveram percursos diferentes depois das mudanças entre Coimbra, Covilhã e Caldas da Rainha.
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Do jornalismo à pesquisa em Portugal
Elizângela saiu do Piauí para desenvolver o doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade de Coimbra, aproximando a experiência profissional no jornalismo de uma trajetória acadêmica. Antes dessa etapa, havia trabalhado em jornalismo, comunicação e ensino superior.
O currículo científico de Elizângela na plataforma Ciência Vitae registra a conclusão do doutorado em 2023 e, posteriormente, de um pós-doutorado na Universidade Católica Portuguesa em 2026. A pesquisadora aparece ainda como investigadora associada ao Centro de Estudos de Comunicação e Cultura e professora adjunta convidada no Instituto Politécnico de Coimbra, mantendo estudos em comunicação, jornalismo, gênero e audiências em Portugal.
Da escola particular à rede pública
Emília chegou a Portugal ainda criança e iniciou a adaptação em Coimbra, onde a família viveu durante quatro anos. A troca de uma escola particular brasileira pela rede pública portuguesa coincidiu com uma fase em que a estudante também precisava lidar com diferenças culturais e novas relações sociais.
Foi nesse período que surgiram os episódios mais delicados relatados pela mãe. Emília ouviu comentários preconceituosos ligados à nacionalidade brasileira e à sexualidade, e os pais procuraram professores e responsáveis pela escola para tratar das situações que chegavam até a família.
Elizângela contou ao Público Brasil que ela e o marido precisaram ir à escola em alguns momentos para conversar com diretores e docentes. Com o tempo, segundo o relato da mãe, Emília passou a se posicionar diante dos comentários e continuou o percurso escolar no país.
Depois de Coimbra, a família se mudou para Covilhã, também na região Centro de Portugal. Os dois filhos permaneceram na rede pública, e a experiência de José Miguel acabou sendo mais tranquila do que a vivida pela irmã nos primeiros anos.
O menino fez todo o primeiro ciclo na mesma escola em Covilhã e formou amizades que continuaram mesmo depois de outra mudança da família. Quando passaram a viver em Caldas da Rainha, ele manteve contato com antigos colegas por conversas e videochamadas.
Na avaliação de Elizângela, o tamanho menor das cidades e das escolas ajudou na integração, sobretudo no caso do filho mais novo. Para Emília, a adaptação exigiu acompanhamento mais próximo por causa do preconceito encontrado no início e das mudanças próprias da adolescência.
A permanência no sistema português levou Emília ao ensino superior. Em 2025, ela ingressou na ESAD, ligada ao Politécnico de Leiria, em Caldas da Rainha, dando continuidade ao percurso educacional iniciado quando chegou ao país aos 12 anos.
A experiência universitária trouxe ainda uma diferença em relação ao que a família esperava da recepção aos novos alunos. Elizângela relatou de forma positiva a praxe, tradição acadêmica portuguesa que, no caso de Emília, incluiu atividades como plantio de árvores e uma caminhada pela cidade.
Brasileiros nas escolas portuguesas
A história da família apareceu em uma reportagem mais ampla sobre a presença de brasileiros nas escolas portuguesas. O Público Brasil informou, com base em dados apresentados pelo Ministério da Educação de Portugal, que mais de 88 mil estudantes brasileiros estavam matriculados na rede pública no ano letivo de 2024/2025.
Esse contingente correspondia a aproximadamente metade dos estudantes estrangeiros das escolas públicas portuguesas naquele período. O dado ajuda a dimensionar a presença de famílias que precisam lidar com diferenças de currículo, linguagem, hábitos e convivência ao matricular os filhos em outro país.
Na mesma família, as trajetórias mostram resultados distintos dentro da rede pública. José Miguel construiu vínculos mais estáveis em uma escola pequena, enquanto Emília enfrentou preconceito nos primeiros anos, permaneceu no sistema e avançou até uma instituição portuguesa de ensino superior.
A mudança também alterou o percurso profissional da mãe. Elizângela saiu de Teresina para fazer o doutorado e passou a concentrar a atuação em pesquisa e ensino superior, mantendo o jornalismo entre as áreas centrais de sua produção acadêmica.
O perfil científico de Elizângela registra que essa trajetória continuou depois do doutorado, com pós-doutorado concluído e vínculos acadêmicos em Portugal. Para os filhos, a mudança iniciada durante a formação da mãe resultou em percursos próprios dentro da educação pública portuguesa, em cidades e etapas escolares diferentes.
