A redução na disponibilidade de animais prontos para o abate está criando expectativas de valorização no preço do boi gordo entre os pecuaristas. A menor oferta pressiona o mercado e pode refletir no valor da carne para o consumidor final.
O mercado do boi gordo teve um mês de março marcado por recuperação. A oferta mais limitada de animais para abate forçou uma reação nos preços e trouxe dificuldades para as indústrias frigoríficas.
Com menos bois disponíveis, a arroba ficou mais valorizada nas principais regiões do país.
Oferta curta e demanda firme
Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a escassez de animais prontos para o abate pressionou as escalas dos frigoríficos.
-
Fazenda no Nordeste foge do padrão e dribla a seca: projeto no sertão de Sergipe usa ventilação constante, genética e estoque de silagem para até dois anos e mira produção de 10 mil litros de leite por dia
-
Fazenda no deserto australiano puxa água do mar por 5 km, usa 23 mil espelhos solares e transforma sal, sol e calor em 15 mil toneladas de tomates por ano; estufa de Port Augusta parece ficção científica agrícola
-
Criança vira exemplo nacional após transformar lição de educação financeira em granja com 25 galinhas, produção de 150 ovos por semana, clientes fixos e plano de expansão em Palmas
-
Plantaram amêndoas para abastecer o mundo, mas a Califórnia consome mais de 4 trilhões de litros de água por ano com elas em plena seca e ainda depende de bilhões de abelhas levadas de caminhão de todo o país para polinizar os pomares
Para manter o ritmo das operações, as indústrias intensificaram a procura pelo boi gordo, o que puxou os preços para cima.
Além disso, o aumento na demanda interna por carne bovina no atacado ajudou a reforçar o cenário de alta. O movimento de valorização foi consistente ao longo do mês, com apoio também das exportações.
Preços nas principais praças
As cotações da arroba do boi gordo a prazo subiram em quase todas as regiões no fim de março:
- São Paulo (Capital): R$ 320,00 — alta de 1,59% sobre fevereiro.
- Goiás (Goiânia): R$ 310,00 — aumento de 6,90%.
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 305,00 — estabilidade.
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315,00 — alta de 6,78%.
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 305,00 — avanço de 1,67%.
- Rondônia (Vilhena): R$ 275,00 — elevação de 2,61%.
Em algumas praças, os ajustes foram mais expressivos. Goiás e Mato Grosso do Sul, por exemplo, registraram aumentos acima de 6%, reflexo direto da oferta apertada.
Atacado em alta
O atacado de carne bovina também apresentou alta nos preços. Com a chegada da Páscoa, o consumo tende a crescer, o que reforça o otimismo no setor.
- Quarto traseiro: R$ 25,50/kg — alta de 7,14%.
- Quarto dianteiro: R$ 18,50/kg — aumento de 8,82%.
A expectativa é de que esse movimento se mantenha pelo menos no início de abril, com o consumo ganhando força por conta do feriado.
Exportações aceleram
No mercado externo, o desempenho foi ainda mais forte. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 797,06 milhões em março, com média diária de US$ 61,31 milhões.
O volume exportado foi de 163,297 mil toneladas, com média diária de 12,561 mil toneladas. O preço médio por tonelada ficou em US$ 4.881,00.
Na comparação com março de 2024:
- Valor diário: +62,8%
- Quantidade embarcada: +51,1%
- Preço por tonelada: +7,8%
Esses números mostram um mercado aquecido, tanto no Brasil quanto lá fora. A valorização da arroba do boi gordo é reflexo direto desse cenário positivo.
