O primeiro terminal de contêineres privado do Brasil quer receber os maiores navios do mundo e amplia a estrutura.
O primeiro terminal de contêineres privado do Brasil quer receber os maiores navios do mundo, e, para isso, a Portonave, em Navegantes (SC), está promovendo uma das maiores obras de ampliação já realizadas no setor portuário nacional.
A empresa, que integra o Grupo MSC e completou 18 anos recentemente, iniciou uma adequação estrutural no cais para permitir a operação de embarcações de até 400 metros de comprimento, ainda inéditas no país.
As obras começaram no terminal catarinense e devem ser concluídas no segundo semestre do próximo ano, movimentando aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos e mudando a capacidade logística da região.
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Expansão histórica para receber navios gigantes
O objetivo central é claro: o primeiro terminal de contêineres privado do Brasil quer receber os maiores navios do mundo e, com isso, aumentar sua competitividade.
Conforme explica o diretor-superintendente administrativo da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, a adaptação é uma resposta direta à demanda global por embarcações maiores.
“Existe uma demanda, de imediato, pelo navio de 366 metros (…). Nossa intenção é, com essa obra, dar condição para que esses navios operem aqui”, afirma Ribas.
Além disso, ele projeta o aumento da profundidade do canal de navegação de 14 para 17 metros, passo essencial para permitir manobras seguras e mais eficientes.
Estrutura reforçada e profundas intervenções no cais
Segundo o gerente de projetos especiais da Portonave, José Mario Batista Cunha, as intervenções no cais envolvem a construção de duas novas vigas com fundações mais robustas, chegando a 56 metros de profundidade.
“O cais todo está sendo desenvolvido pensando em um projeto de 400 metros de comprimento. Todo esse estudo foi feito para ter um ganho de escala e um frete mais baixo”, explica Cunha.
Mesmo com o ritmo intenso de obras, o terminal segue operando.
A atividade ocorre com apenas um berço de atracação, enquanto os demais passam por reforços estruturais.
No futuro, o cais de 900 metros poderá atender até três navios simultaneamente, dependendo do porte das embarcações.
“Estamos trabalhando a toda velocidade e produtividade (…). Estamos usando toda a nossa capacidade, tudo confinado em apenas um berço”, acrescenta Cunha.
Novos equipamentos e tecnologia inédita no Brasil
O pacote de investimentos inclui ainda R$ 439 milhões em novos equipamentos, todos elétricos. Entre eles:
2 guindastes Ship-to-Shore (STS);
14 Rubber Tyred Gantry (RTGs);
1 Reach Stacker já em operação desde agosto;
2 scanners de contêineres instalados em setembro.
Assim após a conclusão da obra civil, o terminal também poderá instalar o shore power, tecnologia inédita no Brasil, que fornece energia elétrica diretamente aos navios atracados permitindo reduzir emissões e ruídos.
“Todo esse conjunto nos possibilita operar os navios maiores e, consequentemente, termos um volume maior de carga sendo movimentado no terminal”, comenta Ribas.
Leilão do canal de acesso e expectativas para 2026
Outra variável decisiva para a expansão é a concessão do canal de acesso de Itajaí, infraestrutura que também atende Navegantes.
Assim o leilão que acontecerá no primeiro trimestre de 2026.
“Estamos olhando, junto com os armadores, para ver qual vai ser a viabilidade disso (…). É importante termos esse cronograma de implantação”, afirma Ribas.
Importância dos TUPs e debate sobre a nova Lei dos Portos
Então os Terminais de Uso Privado (TUPs) respondem por cerca de 60% da movimentação portuária brasileira.
A diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Gabriela Costa, reforça que o setor depende de infraestrutura pública eficiente para garantir competitividade.
“A gente precisa dotar os TUPs de toda a infraestrutura nacional necessária (…). Se não tivermos acessos rodoviário, ferroviário e aquaviário eficientes, nunca vamos ter esses investimentos sendo aproveitados como deveriam”, diz.
Assim Gabriela destaca ainda a discussão do PL 733/2025, a nova Lei dos Portos, defendendo ajustes pontuais na legislação atual, em vez de um marco completamente novo.

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