O preço do GB caiu de R$ 6,19 para R$ 5,36 em um ano, segundo a Anatel, e o consumo subiu 16,8% no mesmo período. No Rio Grande do Sul o gigabyte sai por R$ 7,26; no Amazonas, por R$ 3,87.
O preço do GB da internet móvel caiu 13,4% em um ano no Brasil. O número está no Panorama Econômico-Financeiro do Setor de Telecomunicações do segundo trimestre de 2026, que a Anatel colocou no ar na segunda-feira (6).
O gigabyte consumido no celular custava, em média, R$ 6,19 entre abril e junho de 2025. No mesmo período deste ano, ficou em R$ 5,36.
A queda não quer dizer que a fatura ficou mais leve. Enquanto o preço do GB descia, o brasileiro passou a gastar mais dados móveis: o consumo médio subiu 16,8%, de 5,82 GB para 6,80 GB por usuário no mês.
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Quanto custa o GB no celular hoje
A agência não pesquisa a tabela de preço das operadoras. Ela calcula uma média a partir do que as próprias empresas informam a cada trimestre, dividindo a receita do serviço pelo volume de dados que passou pela rede.

Por isso o preço do GB calculado pela agência funciona como um termômetro do mercado, e não como o preço que aparece na loja. O que ele mostra é a tendência, e a tendência é de queda trimestre após trimestre.
| Indicador da internet móvel | 2º tri de 2025 | 2º tri de 2026 | variação |
|---|---|---|---|
| Preço médio do GB | R$ 6,19 | R$ 5,36 | -13,4% |
| Consumo médio por usuário no mês | 5,82 GB | 6,80 GB | +16,8% |
O consumo de 6,8 GB por pessoa é o maior da série que a Anatel apresenta no relatório. No trimestre, o país inteiro trafegou 4,36 bilhões de GB de dados móveis, segundo os dados publicados pelo Teletime, em reportagem do jornalista Danilo Paulo.
Por que a conta do plano de celular não caiu junto
Multiplicando os dois números da Anatel, dá para ver o efeito no bolso. Com 6,8 GB a R$ 5,36, o gasto médio com dados móveis fica perto de R$ 36,45 por mês. Um ano antes, com 5,82 GB a R$ 6,19, a mesma conta dava R$ 36,03.
Ou seja, o GB ficou mais barato, mas o brasileiro usou a diferença para consumir mais internet. O dinheiro que sai do bolso por mês ficou praticamente parado.
A receita média por usuário confirma o retrato. Segundo a Anatel, cada linha de celular rendeu às operadoras R$ 34,07 por mês no segundo trimestre.
A distância entre os tipos de plano de celular é grande. O cliente de pós-pago deixa, em média, R$ 50,35 por mês, enquanto o de pré-pago deixa R$ 12,27, cerca de quatro vezes menos.
O estado onde o gigabyte custa quase o dobro
O preço do GB muda bastante de um estado para outro. O mais caro do país está no Rio Grande do Sul, com R$ 7,26. O mais barato aparece no Amazonas, com R$ 3,87, o que coloca o gaúcho pagando quase o dobro do amazonense pelo mesmo gigabyte.
| Estado | preço médio do GB |
|---|---|
| Rio Grande do Sul | R$ 7,26 |
| São Paulo | R$ 5,69 |
| Média do Brasil | R$ 5,36 |
| Rio de Janeiro | R$ 4,30 |
| Distrito Federal | R$ 4,11 |
| Amazonas | R$ 3,87 |
Quem mora em Brasília é quem mais usa a internet móvel. São 10,57 GB por mês, mais de uma vez e meia a média nacional. Na outra ponta, o Maranhão tem o menor consumo, com 4,79 GB.
Na prática, um pacote de 5 GB no ritmo de preço do Rio Grande do Sul sai cerca de R$ 17 mais caro do que no Amazonas, pela média calculada pela agência.
O número da Anatel é contestado por operadoras menores
O cálculo da agência tem críticos. Em julho, quando a Anatel divulgou queda de 10,9% no preço do GB no primeiro trimestre, a Associação Brasileira da Operadora Móvel Virtual (Abratual) disse em nota que os dados eram distorcidos.
A entidade representa as operadoras virtuais, que alugam a rede de internet móvel das grandes. Segundo o Teletime, a Abratual afirmou que quem envia os números à Anatel são as operadoras interessadas em manter os preços de referência altos, e pediu que a agência use outras fontes no cálculo.
A briga tem dinheiro no meio. O preço do GB de referência pesa no valor que as operadoras virtuais pagam às grandes pelo GB no atacado.
O preço do GB nos planos de vitrine também é bem menor que a média da Anatel. Um relatório da XP Research citado pelo Teletime apontou que, em junho, os planos de entrada pós-pagos das grandes operadoras cobravam entre R$ 1,86 e R$ 2,50 por GB. No plano controle, a faixa ia de R$ 1,28 a R$ 1,80.
Como pagar menos no plano de celular
A diferença entre a média da Anatel e o preço dos planos de entrada mostra que quem compara ofertas pode pagar bem menos pelo gigabyte. A própria agência mantém o aplicativo Anatel Comparador de Ofertas, que lista planos de celular, banda larga e TV por operadora e por cidade.
Antes de trocar de plano de celular, vale olhar quantos GB de dados móveis você usa de verdade. O consumo de dados móveis aparece nas configurações do aparelho, em “uso de dados”, e no aplicativo da operadora.
Quem gasta perto da média de 6,8 GB e tem um plano de celular de 20 GB ou mais pode estar sobrando franquia todo mês.
A receita do celular segue sendo o coração do setor. O serviço móvel, que inclui a internet móvel e as ligações, somou R$ 25,33 bilhões no trimestre, perto de 72% dos R$ 34,96 bilhões que a Anatel contou entre os serviços analisados.
Quanto você paga hoje no seu plano de celular, e quantos GB usa por mês? Conte nos comentários se a sua conta caiu, subiu ou ficou igual.
