ANP autoriza a Petrobrás a iniciar operações da plataforma FPSO P-78 no Campo de Búzios, no Pré-sal, ampliando a produção de petróleo e gás natural no Brasil.
A produção de petróleo no Brasil deve registrar um novo salto nos próximos meses com a autorização concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a entrada em operação da plataforma FPSO P-78. A unidade, instalada no Campo de Búzios, no Pré-sal da Bacia de Santos, permitirá um aumento de até 180 mil barris de petróleo por dia, além de 7,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
A decisão da ANP foi anunciada na segunda-feira (22) e marca mais um avanço na exploração de petróleo em águas profundas. O Campo de Búzios está localizado a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro e é considerado estratégico para a expansão da produção nacional.
Plataforma FPSO P-78 amplia capacidade produtiva da Petrobrás
A FPSO P-78 segue o modelo de unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás, tecnologia amplamente utilizada em operações offshore de águas profundas e ultraprofundas. Esse tipo de plataforma permite maior eficiência logística e operacional, sobretudo em campos de grande porte como Búzios.
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Com a entrada da nova unidade, a Petrobrás reforça o papel do Campo de Búzios como um dos principais ativos do Pré-sal. Atualmente, o campo já é reconhecido como o maior em águas profundas do mundo e, neste ano, atingiu o recorde de produção de 1 milhão de barris de petróleo por dia, consolidando-se como o maior produtor do país.
Sistema de flare segue padrões ambientais internacionais
Entre os destaques da FPSO P-78 está a adoção de um sistema de flare considerado mais avançado do ponto de vista ambiental. A tecnologia é projetada para minimizar impactos, pois promove a queima de gases e vapores combustíveis em uma câmara selada, em vez de liberá-los de forma aberta na atmosfera.
Essa prática segue as melhores normas internacionais do setor de petróleo e gás e atende às exigências regulatórias brasileiras. A adoção do sistema foi analisada no processo de autorização e integra as condicionantes de segurança operacional estabelecidas pela ANP.
Processo de aprovação envolveu análise técnica e de segurança
A autorização para início das operações foi decidida no sábado (20), após a ANP concluir a avaliação da Documentação de Segurança Operacional apresentada pela Petrobrás. O órgão regulador também analisou o cumprimento das condicionantes de segurança, além de aprovar o projeto da plataforma e autorizar o uso dos sistemas de medição.
Todo o processo envolveu auditorias técnicas e verificações detalhadas, garantindo que a unidade esteja apta a operar dentro dos padrões exigidos pelo setor de petróleo no Brasil.
Construção da plataforma envolveu estaleiros internacionais
De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, a construção da FPSO P-78 seguiu um cronograma internacional. “O casco da P-78 foi construído em estaleiros nas cidades Yantai e Hayang, na China, e em Ulsan, na Coreia do Sul. Os blocos foram integrados na Coreia do Sul, antes de seguirem para Singapura, onde houve a montagem dos módulos, incluindo um construído no estaleiro da Seatrium (antigo Brasfels), em Angra dos Reis, litoral do Rio de Janeiro. As auditorias da ANP foram realizadas ainda em Singapura”.
O modelo de construção modular permitiu a integração de diferentes etapas em diversos países, estratégia comum em grandes projetos da indústria de petróleo offshore.
Búzios passa a contar com sete plataformas em operação
Com a chegada da FPSO P-78, o Campo de Búzios passa a contar com sete plataformas em operação. A unidade se soma às plataformas P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.
Essa estrutura reforça a relevância de Búzios no cenário energético nacional e internacional, sobretudo no contexto do Pré-sal, que responde por parcela significativa da produção brasileira de petróleo.
Autorização ocorre em meio à greve nacional dos petroleiros
A liberação da nova plataforma ocorre em um momento sensível para o setor. A categoria dos petroleiros está em greve nacional, movimento que completou oito dias nesta segunda-feira (22).
Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), as negociações com a Petrobrás apresentam “avanços significativos em relação aos três eixos de luta da campanha reivindicatória”. Ainda assim, a mobilização segue abrangente.
De acordo com a entidade, aderiram à greve nove refinarias, 28 plataformas de produção marítima, 16 terminais operacionais, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel e dez instalações terrestres operacionais, o que demonstra a amplitude do movimento dentro do setor de petróleo e energia no país.

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