Na Sardenha, a águia considerada extinta voltou a ser vista após solturas no Parque Natural de Tepilora, em meados de janeiro de 2025. Quatro águias de Bonelli, apoiadas por subvenção de 49.800 euros, iniciam repovoamento que começou em 2018 e mira população reprodutora viável até 2030 com solturas anuais previstas.
A águia considerada extinta voltou a ganhar céu na Sardenha com a libertação de quatro águias-de-Bonelli no Parque Natural de Tepilora, no noroeste da ilha italiana. A ação integra um programa de longo prazo que tenta reconstruir uma população reprodutora viável após a extinção local registrada na década de 1990.
A operação reuniu financiamento europeu, transferência internacional de aves e medidas de apoio no território para reduzir mortalidade e aumentar alimento disponível. O objetivo é recolocar um predador de topo no sistema, com impacto direto sobre a cadeia alimentar e sobre o equilíbrio ecológico em paisagens mediterrânicas que perderam espécies-chave no século passado.
Onde aconteceu e o que foi feito em Tepilora

A reintrodução ocorreu na Sardenha, dentro do Parque Natural de Tepilora, em uma soltura feita em várias etapas e concluída em meados de janeiro de 2025.
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O grupo foi composto por três aves juvenis e uma adulta, devolvidas à natureza após preparação e aclimatação.
A águia considerada extinta na ilha não reaparece por acaso.
O plano de repovoamento está em curso desde 2018 e recebeu novo impulso com uma subvenção de 49.800 euros do Fundo Europeu de Recuperação da Vida Selvagem, ligado à Rewilding Europe, permitindo solturas e monitoramento pós-soltura.
Por que a águia desapareceu na década de 1990

A extinção local na Sardenha, descrita para a década de 1990, foi associada a um conjunto de pressões humanas e infraestrutura perigosa.
Entre os fatores citados estão roubo de ovos e filhotes, perseguição direta e colisões com linhas de energia.
Esse tipo de perda não remove apenas uma ave.
Remove um papel ecológico.
Quando a águia considerada extinta deixa de existir em uma ilha, abre-se espaço para desequilíbrios históricos na cadeia alimentar, com efeitos que podem se espalhar por presas, competidores e disponibilidade de recursos.
A rede internacional por trás das aves reintroduzidas
A soltura foi realizada no âmbito da iniciativa LIFE Abilas, financiada pela União Europeia e executada com múltiplos parceiros.
A ONG espanhola GREFA ficou responsável pela transferência das aves para a Sardenha, com solturas supervisionadas pelo ISPRA, o Instituto Italiano de Proteção e Pesquisa Ambiental.
A origem dos indivíduos mostra a escala do esforço. Três aves foram criadas em cativeiro na região francesa da Vendée, e a quarta foi fornecida pelo governo regional da Andaluzia, na Espanha.
A operação de campo inclui também logística de transporte, avaliação e adaptação a um novo território.
Por que a águia-de-Bonelli muda a cadeia alimentar
A águia-de-Bonelli é descrita como uma ave de rapina relativamente grande, comum em habitats montanhosos ou de colinas, emblemática de regiões mediterrânicas.
A distribuição citada é ampla na Eurásia, de Portugal até a Indonésia, e a espécie ainda se reproduz na Sicília, com estimativa de cerca de 40 indivíduos adultos.
A dieta mencionada ajuda a explicar o papel ecológico: coelhos, lebres e aves de médio porte, como pombos.
Por isso, a águia considerada extinta é tratada como espécie-chave, capaz de contribuir para ecossistemas mais saudáveis e equilibrados ao atuar como predador fundamental no topo da cadeia alimentar.
Medidas de apoio para reduzir mortalidade e aumentar sobrevivência
O retorno não depende apenas de soltar aves.
A população europeia é descrita como em declínio, com 80% concentrada na Península Ibérica, e há obstáculos biológicos relevantes: maturidade sexual relativamente tardia e postura de poucos ovos, o que torna a recuperação lenta e a reintrodução mais exigente.
Na Sardenha, as medidas listadas apontam para uma estratégia de risco controlado. Incluem tornar linhas de energia mais seguras, proteger pequenos reservatórios e tanques de água para evitar afogamentos, aumentar populações de coelhos selvagens e promover o uso de munição não tóxica.
O foco é reduzir causas recorrentes de morte e melhorar a base alimentar para sustentar a presença da águia considerada extinta no território.
A jornada até a soltura e o monitoramento pós-liberdade
As quatro aves passaram por um processo em etapas.
Primeiro, ficaram no centro de vida selvagem da GREFA em Majadahonda, perto de Madrid, para tratamento e avaliação.
Depois, foram transferidas para a Sardenha por funcionários da ONG em novembro do ano anterior e permaneceram semanas em um viveiro construído especialmente para aclimatação.
A subvenção também cobriu custos críticos para manter o projeto em pé: reprodução em cativeiro, cuidados veterinários, transporte e monitoramento pós-soltura com rastreamento por GPS e armadilhas fotográficas.
A lógica é clara: sem dados, a águia considerada extinta pode voltar a desaparecer sem que se entenda por quê.
Meta até 2030 e o que a Europa tenta corrigir agora
O plano declarado é libertar entre seis e oito águias por ano até 2030, com possibilidade de até 10 em alguns anos, para formar uma população reprodutora viável na ilha.
Além da subvenção de 49.800 euros, foi citada uma verba separada de quase 70.000 euros que apoiou a soltura de sete águias em 2023, em parceria entre GREFA, ISPRA e Forestas, a agência florestal da Sardenha.
No desenho europeu, repovoamento da vida selvagem não é só um ato simbólico.
É um esforço para restaurar processos naturais em terra e no céu, devolvendo espécies vitais a paisagens que perderam predadores por perseguição, infraestrutura insegura e degradação de habitat.
Em termos práticos, a volta da águia considerada extinta expõe o custo do século passado e testa se a gestão atual consegue sustentar o retorno.
No fim, o que está em jogo é continuidade: soltar, proteger, monitorar e reduzir mortalidade por anos, até a reprodução se estabilizar.
Se você acompanha conservação na Europa, vale observar de perto metas até 2030 e cobrar que medidas como segurança em linhas de energia e munição não tóxica saiam do plano e virem rotina de gestão.
Você acredita que a volta da águia considerada extinta na Sardenha pode virar um modelo para outras reintroduções na Europa, ou cada ilha exige uma estratégia totalmente diferente?


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