Com quase 1 km de extensão, Ponte Joinville entra em fase decisiva com aduelas, vigas e fundações profundas, enquanto o principal vão será construído sem apoios dentro do rio Cachoeira.
A Ponte Joinville, em Santa Catarina, entrou em uma das etapas mais complexas de sua construção: a execução do vão principal de 160 metros sobre o rio Cachoeira sem a instalação de pilares no leito.
A estrutura terá aproximadamente 980 metros de extensão e 26 metros de largura, com valor atualizado de R$ 393,2 milhões, e fará a ligação entre as regiões Sul e Leste da cidade. A Prefeitura classifica o empreendimento como a maior obra de engenharia urbana já realizada pelo município.
Os trabalhos avançaram novamente neste mês. Em 13 de outubro de 2026, cinco das primeiras vigas que formarão a estrutura da ponte foram colocadas entre os apoios 1A e 2A, no lado do bairro Boa Vista.
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Cada peça tem 21,7 metros de comprimento e pesa cerca de 50 toneladas, exigindo dois guindastes para o posicionamento.
A construção começou oficialmente em maio de 2024 e é executada pela Álya Construtora, vencedora da licitação.
O novo eixo atravessará o rio Cachoeira entre os bairros Adhemar Garcia e Boa Vista e será conectado à avenida Alwino Hansen e às ruas São Leopoldo e São Borja.

Vão de 160 metros será construído sem pilares no rio
O trecho que concentra uma das principais dificuldades de engenharia fica entre os pilares 9 e 10. Para atravessar os 160 metros de vão livre, as equipes utilizam o método de balanço sucessivo, no qual segmentos de concreto avançam gradualmente a partir dos apoios em direções opostas.
Segundo Paulo Mendes Castro, diretor-executivo da Secretaria de Infraestrutura Urbana de Joinville, esse é o trecho mais complexo da construção. O método permite vencer grandes distâncias sem apoiar a estrutura diretamente no leito do rio Cachoeira.
O processo começa pelas chamadas aduelas de arranque, estruturas construídas sobre os pilares e que funcionam como base para os demais segmentos.

A Ponte Joinville terá quatro dessas peças: duas pelo lado do Boa Vista, já concluídas quando a nova etapa foi anunciada em 7 de outubro, e outras duas pelo lado do Adhemar Garcia.
A partir delas, serão construídas 20 aduelas para formar o principal vão. Os seis primeiros segmentos terão 2,8 metros de comprimento; os seguintes chegarão a quatro metros.
A altura também diminui à medida que a construção se aproxima do centro do rio, passando de pouco mais de oito metros para cerca de 3,16 metros.
Essa redução diminui o peso da estrutura e amplia o espaço livre sob a ponte. Quando os segmentos provenientes dos dois lados estiverem próximos, uma aduela de fechamento será executada para unir as extremidades e completar os 160 metros.
Estrutura avança dos dois lados para manter o equilíbrio
Depois das primeiras peças, entram em operação os chamados carros de avanço, estruturas metálicas treliçadas posicionadas sobre as aduelas. Um equipamento fica voltado para o centro do rio e outro para a margem.
As formas, ferragens e elementos usados na protensão são montados nesses carros. Depois da concretagem e do ganho de resistência do concreto, cabos de aço de alta resistência são tensionados para reforçar cada segmento antes que os equipamentos avancem para a etapa seguinte.
A execução simultânea nos dois sentidos tem função estrutural. Enquanto uma nova aduela cresce em direção ao rio, outra avança em direção à margem, mantendo as cargas equilibradas em torno do apoio central.
A escolha desse sistema também evita a implantação de pilares no leito do Cachoeira. Segundo a Prefeitura, essa característica reduz intervenções diretas no curso d’água e em áreas próximas de manguezal.
O Fonplata, banco de desenvolvimento que participa do financiamento, também cita o balanço sucessivo entre as soluções destinadas a reduzir impactos construtivos sobre o rio.
Fundação já consumiu mais de 1,7 mil toneladas de aço
Antes de a superestrutura avançar sobre o rio, boa parte do trabalho ocorre abaixo do nível visível.
Somente a fundação da Ponte Joinville utiliza 1.718 toneladas de aço, segundo dados divulgados pela Prefeitura em setembro de 2026.
Desse total, aproximadamente 800 toneladas estão nos perfis metálicos usados nas estacas. Considerando toda a estrutura da ponte, incluindo outras etapas da construção, a quantidade prevista chega a 3.698 toneladas de aço.
A fundação é dividida em 16 blocos de apoio, sete pelo lado do Adhemar Garcia e nove no Boa Vista. Em alguns pontos, as condições do terreno exigem estacas de aproximadamente 1,20 metro de diâmetro e profundidades que chegam a 39 metros.
A complexidade do solo também teve impacto no cronograma. Durante a cravação das estacas no lado do Adhemar Garcia, foram encontradas condições diferentes das verificadas nas sondagens anteriores, exigindo adaptações nos equipamentos e nos métodos de execução.
Enquanto o vão central é formado por aduelas moldadas durante o avanço, outros trechos utilizam grandes vigas pré-moldadas.
A ponte terá 127 vigas longarinas, e 123 já estavam fabricadas em 14 de outubro. Elas formarão 25 vãos apoiados sobre 29 vigas travessas.
Valor da obra subiu para R$ 393 milhões
O contrato original para a construção foi assinado em abril de 2024 por aproximadamente R$ 296,2 milhões.
Após reajustes e alterações no projeto, a Prefeitura atualizou o valor para R$ 393.211.130,51 em maio deste ano.
O aditivo incorporou R$ 48,8 milhões relacionados ao aumento de quantidades de materiais e equipamentos e outros R$ 22,5 milhões referentes a itens novos. Ao mesmo tempo, aproximadamente R$ 7 milhões foram retirados após revisões que eliminaram serviços anteriormente previstos.
O prazo também foi ampliado em 16 meses. A conclusão passou para outubro de 2027, enquanto a vigência do contrato segue até dezembro daquele ano.
Entre as razões apresentadas para a mudança estão a liberação da área da Vila dos Pescadores, restrições a atividades ruidosas durante a noite, condições inesperadas do solo e a necessidade de equipamentos adicionais, inclusive apoio náutico para a execução do balanço sucessivo.
Neste mês, o Fonplata também aprovou US$ 35 milhões em financiamento complementar para ajudar a assegurar a conclusão do projeto.
O banco informou que o novo crédito responde ao aumento dos custos de insumos da construção, especialmente do aço, e será acompanhado de contrapartida municipal e garantia da União. Esse financiamento não deve ser somado diretamente ao valor contratual de R$ 393,2 milhões, pois corresponde à estrutura financeira destinada à execução do projeto.
Ponte terá quatro faixas, ciclovia e espaço para pedestres
Quando concluída, a travessia contará com duas pistas em cada sentido, além de acostamento, ciclovia e calçada para pedestres.
O projeto prevê ainda intervenções no sistema viário que conecta a ponte aos bairros Boa Vista e Adhemar Garcia.
A Prefeitura estima que aproximadamente 65 mil pessoas utilizem diariamente a estrutura após a entrada em operação e calcula que cerca de 448 mil moradores das regiões atendidas possam ser beneficiados pela nova ligação viária. Os números são projeções do município e dependerão do comportamento efetivo do trânsito após a abertura.
Na etapa mais recente, além do avanço das aduelas sobre o rio, as equipes começaram a instalar as primeiras vigas da estrutura que dará origem à pista no lado do Boa Vista.
Depois do posicionamento dessas peças, o cronograma prevê a instalação das pré-lajes, execução das transversinas e concretagem da laje definitiva.
Com as diferentes frentes ocorrendo simultaneamente, os trabalhos seguem tanto no vão central quanto nas fundações, vigas e acessos.
O cronograma oficial mantém outubro de 2027 como prazo para conclusão da maior obra de engenharia urbana já realizada pela Prefeitura de Joinville.

