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Após 10 anos parada e oito anos submersa, estação de metrô do Rio avança em obra de R$ 697 milhões e terá 53 metros de profundidade

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Escrito por Ana Alice Publicado em 19/10/2026 às 19:00 Atualizado em 19/10/2026 às 19:27
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Estação Gávea retoma obras no Rio após 10 anos parada, terá 53 metros de profundidade e recebe investimento total de R$ 697 milhões. – Imagem: Montagem via I.A
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Retomada da estação Gávea mobiliza escavações subterrâneas, detonações controladas e investimentos de R$ 697 milhões após uma década de paralisação, com previsão de conclusão das obras e abertura ao público no segundo semestre de 2028.

Após uma década de paralisação, as obras da estação Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro, voltaram a avançar e chegaram a 30% de execução em setembro de 2026.

A estrutura, que permaneceu submersa por cerca de oito anos para preservar a estabilidade do terreno, será concluída com 53 metros de profundidade e deverá se tornar a estação mais profunda do sistema metroviário carioca.

O acordo que viabilizou a retomada prevê R$ 600 milhões em investimentos do MetrôRio e mais R$ 97 milhões do Governo do Estado, totalizando R$ 697 milhões. O Estado também informou ter reservado até R$ 300 milhões adicionais caso sejam necessários novos aportes para concluir a intervenção.

A construção começou em 2013 e deveria ter sido concluída antes dos Jogos Olímpicos de 2016.

Os trabalhos, porém, foram interrompidos em 2015, em meio a suspeitas de superfaturamento e à crise fiscal enfrentada pelo Estado do Rio naquele período, segundo a Folha de S.Paulo.

Estação ficou oito anos submersa para preservar a estrutura

Com a obra sem previsão de retomada, uma solução pouco comum passou a fazer parte do canteiro. Em 2018, os poços já escavados foram inundados com água do próprio lençol freático para manter pressão sobre o terreno e reduzir o risco de instabilidade.

Ao todo, cerca de 60 milhões de litros de água permaneceram dentro da estrutura.

A medida não representava abandono do local, mas uma estratégia de engenharia adotada para conservar as escavações enquanto o futuro do projeto permanecia indefinido.

O esvaziamento começou em 14 de agosto de 2025. Segundo a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, a água foi retirada gradualmente, passou por processo de decantação e depois seguiu para o canal do Rio Rainha.

A previsão inicial era concluir essa etapa em cerca de cinco meses.

O comportamento do solo permitiu acelerar o processo, e os 60 milhões de litros foram retirados em aproximadamente três meses, antes do prazo planejado.

A drenagem abriu caminho para que as intervenções subterrâneas fossem retomadas. A partir de dezembro de 2025, o projeto entrou em uma nova fase, com escavações em rocha realizadas por meio de detonações controladas.

Vista aérea dos poços da futura Estação Gávea, estrutura que permaneceu inundada durante parte do período de paralisação da obra. Crédito: Divulgação.
Vista aérea dos poços da futura Estação Gávea, estrutura que permaneceu inundada durante parte do período de paralisação da obra. Crédito: Divulgação.

Detonações abrem túneis a mais de 50 metros abaixo da superfície

Em vez de utilizar uma tuneladora de grande porte, conhecida popularmente como “tatuzão”, as equipes trabalham com um método convencional de perfuração e detonação. A solução foi escolhida devido à extensão relativamente curta que ainda precisava ser escavada, segundo o MetrôRio.

O processo envolve marcações topográficas, perfuração da rocha, instalação dos explosivos, isolamento da área e detonação.

Depois da retirada do material, são colocados tirantes, telas de fixação e concreto projetado para estabilizar as paredes escavadas.

Em abril de 2026, a Secretaria de Transporte informou que a etapa de detonações havia completado 100 dias. Naquele momento, aproximadamente 20 mil toneladas de rocha já tinham sido retiradas em cerca de mil caminhões basculantes, enquanto 70 metros do túnel piloto estavam escavados em direção a São Conrado.

O avanço continuou ao longo do ano.

Em setembro, a concessionária informou que mais de 44,2 mil metros cúbicos de rocha tinham sido retirados desde a retomada, volume equivalente a aproximadamente 3.400 caminhões. Pouco mais de 200 metros de túnel já haviam sido construídos no sentido São Conrado.

As explosões são feitas em pequenas cargas e podem ocorrer até três vezes por dia, precedidas por sirenes.

A operação exige atenção especial porque o canteiro fica em frente à PUC-Rio e próximo a prédios residenciais da Gávea.

Equipe técnica durante vistoria no interior das obras da Estação Gávea, na Linha 4 do metrô do Rio. Crédito: Divulgação/Jorge Antonio Barros.
Equipe técnica durante vistoria no interior das obras da Estação Gávea, na Linha 4 do metrô do Rio. Crédito: Divulgação/Jorge Antonio Barros.

Profundidade chegará a 53 metros

Quando concluída, a estação ficará a 53 metros abaixo da superfície.

De acordo com o MetrôRio, será a mais profunda do sistema carioca considerando o modelo de entrada e saída direta, sem mezaninos intermediários semelhantes aos encontrados em outras estações profundas.

Essa profundidade está relacionada às características do terreno e à configuração planejada para a Linha 4. O projeto atual prioriza a ligação da Gávea com São Conrado, onde a linha já está em funcionamento.

Quando a retomada foi formalizada em abril de 2025, o Governo do Estado informou que faltavam cerca de 60 metros de escavação no trecho de acesso em direção a São Conrado.

O planejamento também estimava que aproximadamente 20 mil pessoas por dia poderiam ser beneficiadas pela futura estação.

A obra é executada por um consórcio de construtoras liderado pela Novonor, antiga Odebrecht, enquanto o MetrôRio participa do financiamento e da implantação.

A RioTrilhos e órgãos estaduais também integram a estrutura de acompanhamento definida no acordo que permitiu destravar o projeto.

Projeto foi redesenhado antes da retomada

A configuração atual não é exatamente a mesma planejada antes da paralisação. O Estado informou que o projeto original foi alterado para reduzir custos e permitir a conclusão da estação dentro do novo modelo contratual.

O acordo também unificou as concessões das Linhas 1, 2 e 4 sob responsabilidade do MetrôRio e prorrogou o prazo contratual da concessionária até 2048.

A negociação passou pelo Tribunal de Contas do Estado, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro antes da retomada.

O cronograma divulgado em abril de 2026 prevê a inauguração da estação no segundo semestre de 2028.

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A estimativa considera um período de 39 meses a partir das etapas iniciais de retomada, embora obras subterrâneas desse porte possam ter o calendário influenciado pelas condições encontradas durante as escavações.

A estação Gávea fazia parte do desenho original da Linha 4, inaugurada parcialmente em agosto de 2016 sem esse ponto. Atualmente, a linha passa por Jardim Oceânico, São Conrado, Jardim de Alah, Antero de Quental e Nossa Senhora da Paz antes de se integrar ao restante da rede.

Com 30% da execução alcançada em setembro de 2026, as frentes de trabalho seguem concentradas na abertura dos túneis, escavação do corpo da estação e preparação das estruturas permanentes.

O cronograma oficial mantém 2028 como referência para a entrada em operação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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