Com resistência genética à PRRS, porcos criados com tecnologia CRISPR recebem sinal verde do FDA e podem transformar a indústria suína nos próximos anos.
A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou o uso de porcos geneticamente modificados para consumo humano.
O anúncio representa um avanço para a indústria suína, especialmente no combate à Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS), uma das doenças mais prejudiciais ao setor.
Os animais foram desenvolvidos pela empresa britânica PIC, que utilizou a tecnologia de edição genética CRISPR para criar uma linhagem de suínos resistentes ao vírus.
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Nova tecnologia para um velho problema
A PRRS é um problema antigo que afeta suínos em todo o mundo.
Ela compromete o sistema reprodutivo e respiratório dos animais, podendo causar a morte de leitões e infertilidade em reprodutores.
Só nos Estados Unidos, os prejuízos causados pela doença chegam a US$ 560 milhões por ano.
Para resolver esse desafio, a PIC empregou a tecnologia CRISPR para remover um receptor celular específico que o vírus utiliza para infectar os porcos.
A modificação é feita nos embriões em estágio inicial e, depois, esses embriões são implantados em fêmeas jovens.
O resultado é uma geração de animais resistentes à PRRS, com a característica genética sendo transmitida às futuras linhagens.
Aprovação é considerada marco histórico
Matt Culbertson, diretor de operações da PIC, celebrou a decisão do FDA. “Passamos anos conduzindo pesquisas extensas, validando nossas descobertas e trabalhando com o FDA para obter aprovação”, disse.
Ele destacou que essa aprovação é um “marco importante” para consumidores, produtores e toda a cadeia suinícola, que há anos busca uma solução para a PRRS.
O FDA analisou os dados de segurança e concluiu que a carne desses porcos não apresenta diferenças em sabor ou risco à saúde quando comparada à carne suína tradicional.
Isso significa que o consumidor não notará alterações visíveis no produto final.
Efeitos esperados na produção e no meio ambiente
A expectativa é que os porcos geneticamente modificados da PIC sejam resistentes a quase todas as variantes conhecidas do PRRS.
Isso pode trazer impactos positivos para o setor, como redução no uso de antibióticos e melhorias no bem-estar animal.
Banks Baker, diretor global de sustentabilidade de produtos, afirmou que combater o PRRS poderá ter efeitos ambientais relevantes.
Segundo ele, a presença do vírus faz com que o uso de antibióticos aumente em mais de 200%.
Já uma análise do ciclo de vida dos suínos, realizada segundo os padrões ISO, indicou que a eliminação da PRRS poderia reduzir em 5% as emissões de gases de efeito estufa geradas pela criação de porcos nos EUA.
Outros animais modificados já haviam sido aprovados
Essa não é a primeira vez que animais geneticamente modificados recebem autorização para uso alimentar nos Estados Unidos.
Em 2020, a FDA aprovou os porcos GalSafe, criados pela empresa Revivicor.
Esses animais foram modificados para eliminar o açúcar alfa-gal, que pode causar alergias em humanos e rejeição de órgãos em transplantes.
Antes disso, o FDA também aprovou o consumo de salmão geneticamente modificado. No entanto, o processo regulatório costuma ser longo e as empresas enfrentam obstáculos até conseguir colocar seus produtos no mercado comercial.
Expectativa de chegada ao mercado até 2026
Mesmo com a aprovação nos EUA, os porcos da PIC ainda não estão disponíveis para compra. A previsão é que isso só ocorra a partir de 2026.
Enquanto isso, a empresa controladora da PIC, chamada Genus, trabalha para obter aprovações regulatórias em outros mercados estratégicos, como México, Canadá e Japão.
A simplicidade do método usado pela PIC, somada à eficácia contra a PRRS, pode transformar esses porcos nos primeiros animais geneticamente editados a serem amplamente consumidos.
Para uma indústria que busca soluções práticas e sustentáveis, esse pode ser um caminho sem volta.

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