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Exoplaneta “esticado” que parece uma bola de futebol americano intriga astrônomos: o WASP-103b é deformado por gravidade extrema e está a 1.225 anos-luz

Publicado em 28/04/2026 às 08:18
Atualizado em 28/04/2026 às 08:23
Assista o vídeoWASP-103b é um exoplaneta deformado por sua estrela, com órbita inferior a 24h e formato incomum que desafia a ciência.
WASP-103b é um exoplaneta deformado por sua estrela, com órbita inferior a 24h e formato incomum que desafia a ciência. Foto: ESA
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WASP-103b é um exoplaneta deformado por sua estrela, com órbita inferior a 24h e formato incomum que desafia a ciência.

O exoplaneta WASP-103b, localizado a cerca de 1.225 anos-luz da Terra, tem chamado a atenção da comunidade científica por apresentar um formato incomum e alongado, resultado da intensa força gravitacional exercida por sua estrela. Descoberto inicialmente em 2014 e analisado com maior precisão em 2022, o corpo celeste orbita sua estrela em menos de 24 horas, o que provoca deformações contínuas em sua estrutura. A observação foi possível graças à combinação de dados de telescópios espaciais, permitindo aos pesquisadores medir, pela primeira vez, a distorção de um exoplaneta fora do Sistema Solar.

WASP-103b: exoplaneta com formato incomum desafia padrões conhecidos

Diferente da maioria dos planetas conhecidos, que possuem formato esférico, o WASP-103b apresenta uma estrutura alongada, semelhante a uma bola de futebol americano ou de rúgbi. Essa deformação ocorre devido à proximidade extrema com sua estrela hospedeira, que exerce uma força gravitacional intensa sobre o exoplaneta.

Esse fenômeno, conhecido como força de maré, é responsável por alterar significativamente a forma do corpo celeste. Na Terra, esse efeito é percebido de maneira sutil, influenciando as marés oceânicas por ação da Lua. No entanto, no caso desse exoplaneta, o impacto é muito mais intenso e visível em toda a sua estrutura.

Órbita acelerada e calor extremo explicam a deformação

A curta distância entre o WASP-103b e sua estrela é um dos fatores principais para suas características incomuns. O exoplaneta está cerca de 50 vezes mais próximo de sua estrela do que a Terra está do Sol, o que resulta em uma órbita extremamente rápida, completada em menos de um dia terrestre.

Além disso, a estrela é aproximadamente 1,7 vezes maior que o Sol e cerca de 200 graus mais quente. Essa combinação gera temperaturas elevadas no exoplaneta, contribuindo para que ele permaneça inflado e com estrutura predominantemente gasosa.

Por esse motivo, o WASP-103b é classificado como um “Júpiter quente ultracurto”, categoria que reúne exoplanetas gigantes gasosos que orbitam muito próximos de suas estrelas.

Tecnologia espacial permitiu medir o formato do exoplaneta

A confirmação do formato alongado só foi possível graças ao uso combinado de três importantes telescópios espaciais:

  • Hubble
  • Spitzer
  • CHEOPS (da Agência Espacial Europeia)

Esses instrumentos analisaram variações na luminosidade da estrela quando o exoplaneta passava à sua frente — técnica conhecida como método de trânsito. A partir dessas pequenas mudanças na luz, os cientistas conseguiram reconstruir a forma do exoplaneta com precisão inédita.

O estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics em 2022, marcando a primeira vez em que a deformação de um exoplaneta foi medida e confirmada.

WASP-103b é um exoplaneta deformado por sua estrela, com órbita inferior a 24h e formato incomum que desafia a ciência.
WASP-103b é um exoplaneta deformado por sua estrela, com órbita inferior a 24h e formato incomum que desafia a ciência. Foto: ESA

WASP-103b e o avanço na compreensão dos exoplanetas

A análise desse exoplaneta trouxe novas possibilidades para a astrofísica. Ao observar como sua estrutura reage às forças extremas, os cientistas conseguem inferir detalhes sobre sua composição interna.

No caso do WASP-103b, os dados indicam que ele é predominantemente gasoso, semelhante a Júpiter. No entanto, o calor intenso e a gravidade da estrela fazem com que sua atmosfera se expanda, alterando seu formato de maneira contínua.

Segundo o pesquisador Babatunde Akinsanmi, coautor do estudo, a medição da deformação representa um marco científico: “Depois de observar vários dos chamados ‘trânsitos’, fomos capazes de medir a deformação. É incrível que conseguimos fazer isso — é a primeira vez que tal análise é feita.”

Apesar das descobertas, o WASP-103b ainda apresenta comportamentos que intrigam os cientistas. Normalmente, exoplanetas massivos que orbitam tão próximos de suas estrelas tendem a se aproximar cada vez mais, até serem eventualmente engolidos.

No entanto, as medições atuais sugerem um comportamento inesperado: o exoplaneta pode estar se afastando da estrela, em vez de se aproximar. Essa possibilidade levanta novas questões sobre a dinâmica gravitacional desses sistemas.

O pesquisador Yann Alibert destacou que a existência de marés intensas já era esperada, mas ainda não havia confirmação até então.

Outros exoplanetas deformados e raridade do fenômeno

Embora exoplanetas conhecidos como “Júpiteres quentes” sejam relativamente comuns nas descobertas, casos de deformação visível como o do WASP-103b são extremamente raros.

Um exemplo semelhante é o WASP-121b, que também apresenta sinais de deformação devido à proximidade com sua estrela. Ainda assim, a medição detalhada obtida no WASP-103b representa um avanço significativo.

A pesquisadora Monika Lendl ressaltou que esse tipo de estudo contribui para comparar exoplanetas extremos com os gigantes gasosos do Sistema Solar, ampliando o entendimento sobre suas diferenças estruturais.

Observações futuras podem revelar novos detalhes

Com o avanço das tecnologias espaciais, os cientistas pretendem aprofundar a investigação sobre o WASP-103b e outros exoplanetas semelhantes. Novas observações poderão esclarecer:

  • A composição interna com maior precisão
  • O comportamento orbital ao longo do tempo
  • A intensidade das forças de maré
  • A existência de outros exoplanetas deformados

Esses estudos são fundamentais para compreender como exoplanetas se formam e evoluem em ambientes extremos.

A análise do WASP-103b reforça a ideia de que o Universo é muito mais diverso do que se imaginava. A existência de exoplanetas com formatos não esféricos mostra que as condições espaciais podem gerar estruturas completamente diferentes dos padrões tradicionais.

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Além disso, o uso combinado de telescópios espaciais demonstra como a tecnologia tem ampliado a capacidade de observação, permitindo que detalhes antes invisíveis sejam estudados com precisão. Assim, o WASP-103b não apenas desafia conceitos estabelecidos, mas também abre caminho para novas descobertas sobre exoplanetas distantes e suas características únicas.

Com informações da Gazeta de SP

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Andriely Medeiros de Araújo

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