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Pipas voadoras, parques solares dentro de contêineres e boias que transformam ondas em eletricidade estão entre as tecnologias que prometem baratear a energia renovável nos próximos anos

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/06/2026 às 22:45
Atualizado em 09/06/2026 às 22:47
Assista o vídeoPipas, parques solares em contêineres e boias de ondas estão entre as tecnologias que prometem baratear a energia renovável nos próximos anos.
Pipas, parques solares em contêineres e boias de ondas estão entre as tecnologias que prometem baratear a energia renovável nos próximos anos.
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Sem torres de aço, sem grandes usinas no mar e com instalação rápida, esses sistemas tentam reduzir o custo do vento, do sol e das ondas. A maioria ainda está em fase de protótipo ou demonstração, e a promessa de preço baixo precisa ser confirmada na prática.

Um conjunto de novas tecnologias de energia renovável tenta resolver o mesmo problema, ou seja, reduzir o custo de gerar eletricidade a partir do vento, do sol e do mar. As propostas vão de pipas que substituem turbinas eólicas a parques solares que cabem dentro de um contêiner e boias que convertem o movimento das ondas em energia. O ponto em comum é abrir mão das estruturas gigantes e caras que marcam as usinas tradicionais, em busca de instalação mais rápida e barata.

Antes de detalhar cada uma dessas tecnologias, é preciso um alerta de método, já que a maioria ainda está em estágio de protótipo ou de demonstração. Vários desses sistemas funcionam em projetos piloto e prometem custos baixos no futuro, mas a viabilidade comercial em larga escala ainda depende de testes e de tempo. Por isso, os números de potência e eficiência citados devem ser lidos como metas e resultados iniciais informados pelas próprias empresas, e não como desempenho consolidado no mercado.

Pipas no lugar de torres de aço

Pipas, parques solares em contêineres e boias de ondas estão entre as tecnologias que prometem baratear a energia renovável nos próximos anos.
A primeira aposta troca a torre da turbina eólica por uma pipa presa ao solo, no que o setor chama de energia eólica aérea. 

A empresa alemã EnerKíte desenvolve um sistema em que uma pipa de alto desempenho, feita de fibra de carbono, é lançada a partir de um mastro instalado sobre um caminhão ou contêiner.

A pipa sobe a altitudes de cerca de 200 a 300 metros, onde o vento é mais forte e constante do que perto do chão, faixa que a transcrição da fonte traduz como algo entre 660 e 980 pés.

Em vez de flutuar parada, a pipa traça trajetórias em forma de oito no ar, o que aumenta a força de tração sobre os cabos. 

Esse movimento puxa cabos ligados a tambores em uma estação no solo, e a rotação aciona um gerador que produz eletricidade.

Quando o cabo chega ao limite, a pipa retorna e o ciclo recomeça.

Segundo a EnerKíte, o conceito economiza cerca de 90 por cento do aço e do concreto de uma turbina comum e pode operar em uma parcela bem maior do território, por dispensar a torre.

Um parque solar dentro de um contêiner

Pipas, parques solares em contêineres e boias de ondas estão entre as tecnologias que prometem baratear a energia renovável nos próximos anos.
A segunda tecnologia parte de uma ideia logística, ou seja, transportar uma usina solar inteira dentro de um contêiner padrão. 

O sistema cabe em um contêiner de 20 pés, com cerca de 2,4 metros de largura, e se desdobra no destino por meio de trilhos, estendendo os painéis solares um após o outro ao longo de uma faixa preparada.

Montado, o conjunto se transforma em um parque solar compacto, em um processo que, segundo os desenvolvedores, leva poucas horas da chegada ao funcionamento pleno.

A vantagem central está na mobilidade e na rapidez de instalação, úteis para canteiros remotos, emergências e operações temporárias. 

De acordo com as especificações divulgadas, uma unidade totalmente aberta abriga centenas de módulos fotovoltaicos e chega a gerar na faixa de 140 quilowatts.

É uma potência modesta diante de uma usina fixa, mas pensada para situações em que montar uma estrutura permanente seria caro ou inviável, e em que a velocidade de implantação vale mais do que o tamanho.

Ondas que viram eletricidade na própria costa

No campo da energia das ondas, uma das abordagens mais comentadas é a da empresa israelense Eco Wave Power, que leva o sistema para a costa. 

Em vez de instalar geradores a quilômetros do litoral, onde manutenção e tempestades encarecem tudo, a companhia prende flutuadores a estruturas marítimas já existentes, como quebra-mares e píeres.

As boias sobem e descem com as ondas, comprimindo pistões hidráulicos que empurram um fluido biodegradável até acumuladores instalados em terra firme.

A pressão acumulada aciona um motor hidráulico que move um gerador, e a eletricidade chega à rede por meio de um inversor. 

A Eco Wave Power inaugurou em setembro de 2025 o primeiro projeto de energia de ondas onshore dos Estados Unidos, no Porto de Los Angeles, com capacidade instalada de 100 quilowatts e sete flutuadores presos a um molhe existente.

A própria empresa descreve o projeto como uma demonstração para validar a tecnologia em condições reais antes de partir para usinas maiores.

O blowhole artificial que respira com o mar

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Outra solução para as ondas imita um fenômeno natural, o blowhole, aquele orifício costeiro por onde o mar expele ar e água. 

A australiana Wave Swell Energy criou o UniWave, uma estrutura de concreto com uma câmara oca construída junto à costa.

Quando as ondas entram e saem, a água sobe e desce dentro da câmara e empurra o ar aprisionado por uma turbina, que gira e gera eletricidade, usando o princípio conhecido como coluna de água oscilante.

O equipamento foi testado por doze meses na ilha King Island, na Tasmânia, fornecendo até 200 quilowatts à rede local. 

A empresa relata uma eficiência elevada e desempenho acima do esperado, embora seja preciso cautela ao comparar a eficiência de um conversor de ondas com a de painéis solares, já que as medidas têm bases diferentes.

Vale registrar ainda que aquela unidade específica era uma demonstração e foi retirada do local em 2023, depois de cumprir seu papel de prova de conceito.

Guardar energia debaixo do mar

Como o vento e o sol nem sempre coincidem com a hora de maior consumo, parte das novas tecnologias mira o armazenamento de energia. 

Uma das ideias é usar sacos ou tanques submersos em grandes profundidades, onde a pressão natural da água ajuda a manter o ar comprimido.

Quando há excesso de energia eólica, um compressor enche essas bolsas com ar pressurizado, e a própria água do fundo do mar faz parte do trabalho de compressão sem gasto extra.

Quando a demanda por eletricidade sobe, o ar armazenado é liberado, aquecido e conduzido por uma turbina ligada a um gerador. 

O conceito, conhecido como armazenamento de energia por ar comprimido, é apresentado por seus defensores como uma alternativa mais barata às baterias para guardar energia por períodos longos.

Ainda assim, trata-se de uma abordagem em desenvolvimento, cujos custos e durabilidade no ambiente marinho seguem em avaliação, como ocorre com boa parte dessas tecnologias.

O que separar entre promessa e realidade

Olhar para esse conjunto de invenções exige equilíbrio entre o entusiasmo e a prudência técnica. 

A energia das ondas, em especial, é estudada há décadas e ainda não se firmou comercialmente, justamente por causa dos custos, da corrosão e da dificuldade de sobreviver a tempestades.

Muitos dos números divulgados vêm das próprias empresas e se referem a protótipos, o que não garante que se repitam quando o sistema for produzido em escala industrial.

Mesmo assim, há um valor real nessas tecnologias, que é diversificar as fontes e atacar o custo da energia limpa por ângulos novos. 

Soluções móveis, instaladas em estruturas já existentes ou que dispensam grandes torres tendem a reduzir despesas de instalação e manutenção.

O caminho até a maturidade costuma ser longo, mas cada protótipo bem-sucedido ajuda a mostrar se a próxima geração de energia renovável pode, de fato, ficar mais barata e acessível.

As pipas, os contêineres solares e as boias de ondas mostram que a inovação em energia renovável vai muito além das placas no telhado e dos parques eólicos tradicionais. 

São tecnologias que tentam baratear a geração limpa repensando onde e como captar vento, sol e ondas, mas que ainda precisam provar seu valor fora dos projetos piloto.

O entusiasmo é justificado, desde que acompanhado da consciência de que protótipo promissor e produto consolidado são coisas diferentes.

E você, em qual dessas tecnologias apostaria para baratear a energia renovável nos próximos anos? Comente qual ideia achou mais promissora, se acredita que a energia das ondas finalmente vai decolar e como o Brasil, com seu enorme litoral e forte sol, poderia se beneficiar de soluções assim. A conversa fica aberta a todos que se interessam por inovação e pelo futuro da energia.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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