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Petróleo chega a US$ 115 após ameaças à Arábia Saudita e acende alerta sobre combustíveis

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Escrito por Carla Teles Publicado em 29/10/2026 às 22:06 Atualizado em 29/10/2026 às 23:01
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Petróleo chega a US$ 115 após ameaças à Arábia Saudita e acende alerta sobre combustíveis
Navio petroleiro em área de fundeio no Mar da Ligúria, na Itália. As tensões no Oriente Médio mantêm o transporte internacional de petróleo sob atenção. Imagem ilustrativa. Foto: DeLuca G/Pexels.
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Reivindicações de ataques a instalações petrolíferas sauditas aumentaram o risco de abastecimento, enquanto diplomacia e estoques americanos influenciam as cotações.

O petróleo Brent fechou a quarta-feira, 28 de outubro de 2026, cotado a US$ 115,32 por barril, após novas ameaças à infraestrutura energética da Arábia Saudita elevarem a preocupação com o abastecimento mundial. O WTI, referência negociada nos Estados Unidos, avançou 3% e terminou a sessão em US$ 102,78. Nesta quinta-feira (29), os preços recuaram diante de expectativas de negociações entre Estados Unidos e Irã, mas o Brent permaneceu próximo de US$ 115.

As cotações foram confirmadas pela Reuters, em reportagem de 29 de outubro, e complementam as informações divulgadas pelo portal O Petróleo, também nesta quinta-feira. O movimento envolve ataques reivindicados por forças houthis no Iêmen, riscos para o transporte marítimo e incertezas sobre o futuro do conflito envolvendo o Irã. Os efeitos sobre gasolina e diesel no Brasil dependerão da duração da alta internacional e das condições do mercado doméstico.

Brent supera US$ 115 após houthis reivindicarem ataque contra refinaria saudita

Estruturas industriais de uma refinaria de petróleo. Ataques reivindicados contra instalações sauditas elevaram as preocupações com a oferta mundial de derivados. Imagem ilustrativa. Foto: Ali Mucci/Pexels.
Estruturas industriais de uma refinaria de petróleo. Ataques reivindicados contra instalações sauditas elevaram as preocupações com a oferta mundial de derivados. Imagem ilustrativa. Foto: Ali Mucci/Pexels.

O principal fator de pressão sobre as cotações foi a possibilidade de novos danos à infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita, um dos maiores produtores mundiais e principal exportador de petróleo bruto.

Na terça-feira, 27 de outubro, os houthis, grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã, afirmaram ter atingido uma refinaria saudita com um míssil.

A instalação mencionada nas reportagens da Reuters possui capacidade de processamento de aproximadamente 550 mil barris por dia. O possível ataque aumentou o receio de interrupções na produção de derivados e no fornecimento regional.

Entretanto, as autoridades sauditas não haviam confirmado independentemente a reivindicação quando as informações foram publicadas. Também não havia um balanço técnico verificado sobre danos à instalação ou redução efetiva de sua capacidade operacional.

No dia seguinte, forças do governo iemenita relataram um ataque houthi ao aeroporto de Áden, depois que o grupo havia divulgado um alerta para a retirada de pessoas da instalação.

A intensificação dos confrontos elevou a atenção sobre refinarias, oleodutos e terminais de exportação da região.

O impacto sobre o petróleo decorre principalmente do risco de interrupção da oferta. Mesmo antes de uma eventual paralisação ser confirmada, investidores podem incorporar aos preços a possibilidade de menor disponibilidade de combustível.

Petróleo recua em 29 de outubro, mas continua perto de US$ 115 por barril

A reação do mercado mudou nesta quinta-feira, 29 de outubro, com a divulgação de informações sobre possíveis iniciativas diplomáticas para reduzir o conflito.

O Brent encerrou a sessão a US$ 114,88, queda de 0,38%, enquanto o WTI terminou a US$ 102, com recuo de 0,76%.

Os dois contratos chegaram a perder mais de US$ 2 por barril durante as negociações, mas recuperaram parte das perdas ao longo do dia.

Segundo a Reuters, expectativas de retomada do diálogo entre Washington e Teerã reduziram temporariamente as preocupações com o fornecimento.

Ao mesmo tempo, novas informações sobre ataques na região saudita impediram uma queda mais expressiva dos preços.

O mercado também acompanha o calendário político dos Estados Unidos, onde as eleições legislativas estão marcadas para 3 de novembro.

Participantes do setor avaliam a possibilidade de novas decisões militares americanas depois da votação, mas não existe confirmação de que uma operação será realizada nessa data.

Em outubro, o Brent também havia registrado outros momentos de valorização expressiva. Em 23 de outubro, por exemplo, o contrato fechou a US$ 116,72, conforme levantamento do portal O Petróleo.

A sequência de altas e quedas demonstra que os preços continuam respondendo rapidamente às notícias sobre segurança energética e iniciativas diplomáticas.

Estreito de Ormuz concentra risco para petroleiros e transporte mundial de energia

A preocupação não se limita às refinarias sauditas. O transporte marítimo de petróleo também enfrenta dificuldades decorrentes das tensões no Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e funciona como passagem para cargas exportadas por importantes produtores da região.

Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), o volume de petróleo bruto e outros líquidos petrolíferos transportados por Ormuz passou de 21,6 milhões de barris por dia no último trimestre de 2025 para 4,9 milhões no segundo trimestre de 2026.

A queda registrada nesses períodos mostra a dimensão das dificuldades enfrentadas pelo transporte regional durante o conflito.

O indicador não corresponde necessariamente à movimentação atual de outubro, pois se refere aos volumes apurados até junho.

Mesmo quando refinarias e campos produtores continuam funcionando, restrições na navegação podem comprometer a entrega de petróleo aos compradores internacionais.

As dificuldades também podem elevar despesas com frete, seguros e mudanças de rota, dependendo das condições de segurança.

Em matéria publicada no início de outubro, o CPG mostrou que a circulação de petróleo pelo Golfo Pérsico havia se recuperado, mas os preços permaneciam elevados diante do risco de novas interrupções.

A situação exige distinguir o volume efetivamente transportado das ameaças relatadas por grupos envolvidos no conflito, que nem sempre recebem confirmação independente.

Estoques americanos caem quase 1,9 milhão de barris e reforçam atenção sobre a oferta

Outro indicador acompanhado pelo mercado foi a redução dos estoques de petróleo nos Estados Unidos.

Segundo dados divulgados pela EIA em 28 de outubro, os estoques comerciais americanos de petróleo bruto, excluídas as reservas estratégicas, passaram de aproximadamente 412,5 milhões para 410,6 milhões de barris na semana encerrada em 23 de outubro.

A diferença representa uma redução próxima de 1,9 milhão de barris.

O movimento contribuiu para sustentar as cotações na quarta-feira, pois veio em um período de preocupação com a disponibilidade internacional de petróleo.

A queda dos estoques não significa, isoladamente, que os Estados Unidos estejam enfrentando desabastecimento.

Esses volumes podem variar conforme o funcionamento das refinarias, as exportações, as importações e o consumo doméstico.

Ainda assim, a diminuição das reservas comerciais recebe atenção especial quando ocorre simultaneamente a ameaças sobre instalações produtoras e rotas marítimas.

O próximo balanço semanal da EIA está previsto para 4 de novembro e permitirá verificar se o movimento de redução dos estoques continuará.

Gasolina e diesel no Brasil dependem da cotação do dólar e das decisões comerciais

A valorização internacional do petróleo pode pressionar o mercado brasileiro de combustíveis, mas o aumento das cotações não se transforma automaticamente em reajuste nas bombas.

A Petrobras informa em sua política de formação de preços que considera referências dos mercados nacional e internacional, custos alternativos de fornecimento e condições comerciais em diferentes regiões.

A companhia também declara buscar evitar o repasse imediato das oscilações de curto prazo do petróleo e do câmbio.

A composição do preço final inclui outros fatores, como tributos, custos de distribuição, margens de revenda e misturas obrigatórias de biocombustíveis.

O dólar acrescenta outra variável porque parte das referências de petróleo e derivados é negociada internacionalmente em moeda americana.

A combinação dessas condições já foi abordada pelo CPG em reportagem sobre a pressão cambial sobre gasolina e diesel, publicada em 27 de outubro.

O diesel possui impacto direto sobre transportadoras e caminhoneiros, responsáveis por grande parte da movimentação de mercadorias no país.

Um levantamento recente sobre o custo do diesel S-10 mostrou a pressão enfrentada pelas empresas de transporte rodoviário diante da elevação dos combustíveis e de outras despesas operacionais.

Em caso de novas altas persistentes, os custos adicionais podem afetar os contratos de frete e os preços de mercadorias transportadas por caminhões.

Entretanto, não há confirmação de que a valorização do Brent em 28 de outubro tenha provocado um reajuste imediato da Petrobras.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que divulgará em 3 de novembro o levantamento de preços referente à semana de 25 a 31 de outubro.

Os dados permitirão verificar como os combustíveis se comportaram nos postos brasileiros durante o período de maior volatilidade internacional.

Negociações entre Estados Unidos e Irã e decisões da Opep+ podem alterar preços

As próximas movimentações do mercado dependerão das condições de segurança no Oriente Médio e das decisões sobre produção e fornecimento.

A Opep+ tem uma reunião prevista para o início de novembro, na qual os países participantes deverão avaliar suas metas de produção para dezembro.

Segundo informações obtidas pela Reuters, a expectativa de participantes do mercado era de manutenção dos objetivos de oferta, embora a decisão ainda não tivesse sido formalizada.

Na frente diplomática, a possibilidade de retomada de negociações entre Estados Unidos e Irã poderá influenciar a percepção sobre o risco de novas interrupções.

Os relatos mais recentes, entretanto, indicam divergências entre as partes sobre as condições para um eventual acordo.

Para o Brasil, os próximos indicadores serão as cotações internacionais, a evolução do dólar, os preços efetivos dos combustíveis divulgados pela ANP e eventuais alterações comerciais anunciadas pelas refinarias.

O próximo levantamento nacional de preços está previsto para 3 de novembro, enquanto o balanço americano de estoques será divulgado no dia 4.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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