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Quem vai de Guarulhos a Jericoacoara, Porto Seguro ou João Pessoa terá até 47% menos assentos da Latam no 2º trimestre de 2027: a aérea tirou 2.476 voos do sistema da Anac

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/10/2026 às 23:25 Atualizado em 29/10/2026 às 23:47
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A Latam enviou à Anac um ajuste que tira 2.476 voos da malha prevista para abril, maio e junho de 2027, cerca de 5% do planejado, e os cortes se concentram nas conexões de Brasília e Guarulhos.

O ajuste foi revelado nesta quarta-feira (28) pelo Valor Econômico, a partir de um levantamento feito por fontes nas bases da Agência Nacional de Aviação Civil. A Latam não comentou.

A causa apontada é a disparada do petróleo, que encareceu o querosene de aviação ao longo do ano. Segundo o jornal, a aérea mandou a nova programação ao regulador na segunda-feira (26).

Jericoacoara perde quase metade dos assentos saindo de Guarulhos

Em Guarulhos, a Latam retirou 976 voos do sistema. O maior corte proporcional é para Jericoacoara, no Ceará, com 23,7 mil assentos a menos, uma queda de 47%.

A rota de Guarulhos para Porto Seguro, na Bahia, perde 26,8 mil assentos, ou 26,3%. Para João Pessoa, são 24,5 mil lugares a menos, recuo de 23,9%.

São destinos de praia que dependem do avião para receber turistas do Sudeste, e o ajuste alcança abril, maio e junho, meses de feriados prolongados.

Airbus A321 da Latam taxiando na pista do Aeroporto Internacional de Guarulhos
Guarulhos teve 976 voos da Latam retirados do sistema da Anac para o 2º trimestre de 2027 (Rafael Luiz Canossa/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0)

Brasília é o hub com mais voos cortados

O aeroporto de Brasília concentra a maior parte do ajuste, com 1.012 voos a menos. Quem faz conexão na capital para o Nordeste sente o efeito primeiro.

A ligação Brasília-Recife perde 39.256 assentos, uma redução de 36,2%. É o maior corte em número absoluto de lugares entre as rotas listadas pelo Valor.

De Brasília para Porto Seguro, a oferta encolhe 52,3%, com 26.048 assentos a menos. Para Maceió, o corte tem o mesmo tamanho em lugares e chega a 34,4%.

Somadas, as três rotas que saem da capital para o Nordeste perdem 91.352 assentos no segundo trimestre de 2027, de acordo com os números levantados pelo jornal.

A empresa reduz frequência, não fecha rota

Segundo o Valor, o ajuste é uma redução de frequências previstas, e não o fim de rotas. Os destinos continuam atendidos, só que com menos partidas por semana.

O jornal ressalva que mudanças desse tipo são comuns na programação que as aéreas enviam periodicamente à Anac. Os aviões costumam ser realocados para outras rotas.

Isso significa que a Latam não necessariamente vai voar menos no Brasil. O que muda é onde cada avião vai estar, e quais trechos ficam com menos opção de horário.

O querosene pode subir mais 7,32% em novembro

A pressão de custo não parou. A Petrobras deve anunciar no início de novembro um novo aumento do querosene de aviação, de 7,32%, informou a coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo.

Se o número se confirmar, o litro vendido às distribuidoras passa de R$ 6,24 para R$ 6,69. A Petrobras não confirmou o percentual e disse que só anuncia o reajuste no dia 1º.

O aumento viria depois de uma alta de 11,76% em outubro. Seria, ainda assim, a menor elevação desde julho, quando a estatal chegou a reduzir o preço do combustível.

O combustível já é 45% da despesa das aéreas

Representantes do setor disseram à Folha que o querosene passou a responder por 45% das despesas operacionais das companhias aéreas. Antes da escalada, a fatia era de 32%.

Desde março, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, o querosene acumula alta de 90%, segundo a Abear, associação das empresas aéreas. O Brent subiu quase 60% no mesmo período.

O passageiro já paga parte da conta. Em setembro, as passagens aéreas subiram 9,66% e pesaram no IPCA, que avançou 0,82% no mês, segundo o jornal.

As refinarias produziram menos querosene para fazer mais diesel

Do lado da oferta, a Petrobras priorizou o diesel no terceiro trimestre. Algumas refinarias reduziram a fabricação de querosene de aviação, que caiu 19,3% no período, segundo a Exame.

A troca acompanhou a procura do campo. As vendas de diesel cresceram 14,4% sobre o segundo trimestre, puxadas pelo plantio da safra de verão e pela indústria.

Os dados estão no relatório de produção e vendas que a estatal divulgou na noite desta quarta-feira (28), o mesmo que trouxe o recorde de petróleo e gás.

Gol e Azul também mexeram na malha

A Latam não está sozinha. No início do mês, a Gol decidiu reduzir a operação, sobretudo a internacional, com cerca de 18 voos semanais para a Flórida deixando de existir a partir de fevereiro, segundo o Valor.

No mercado doméstico, a Gol se programou para reduzir em cerca de 10% a demanda prevista de abril a agosto de 2027, de acordo com dados enviados à Anac nas últimas semanas.

A Azul deve divulgar novos cortes nos próximos dias, segundo pessoas próximas ouvidas pelo jornal. A empresa não comentou.

O dólar virou outra preocupação depois da eleição

Fontes do setor também ligaram o alerta com a alta do dólar após o resultado do segundo turno. Cerca de 50% dos custos das aéreas são cotados na moeda americana, sobretudo o arrendamento dos aviões.

As companhias têm proteção cambial de curto prazo. O problema apareceria se o dólar continuar em patamar mais alto nos próximos meses, segundo o Valor.

A combinação de petróleo caro e câmbio pressionado já tinha aparecido aqui quando a tarifa aérea média chegou a R$ 776,87 por trecho em agosto.

O que fazer se você já comprou para 2027

Quem tem passagem comprada para abril, maio ou junho de 2027 nessas rotas pode ver o voo trocado de horário ou agrupado com outro. A Latam ainda não detalhou como vai avisar os clientes.

Pelas regras da Anac para alteração programada, o passageiro avisado da mudança pode pedir reacomodação em outro voo ou o reembolso, se o novo horário não servir.

Você já tinha viagem marcada para o Nordeste no primeiro semestre de 2027? Vai esperar a nova malha ou comprar agora com medo de a passagem subir? Conte nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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