1. Início
  2. Economia
  3. Dólar chega a superar R$ 5,60 após vitória de Lula e coloca Petrobras diante de pressão sobre gasolina e diesel, enquanto economistas avaliam risco de aumento nos postos
Faça um comentário 8 min de leitura

Dólar chega a superar R$ 5,60 após vitória de Lula e coloca Petrobras diante de pressão sobre gasolina e diesel, enquanto economistas avaliam risco de aumento nos postos

Imagem de perfil do autor Carla Teles
Escrito por Carla Teles Publicado em 27/10/2026 às 19:50
Google News
Dólar chega a superar R$ 5,60 após vitória de Lula e coloca Petrobras diante de pressão sobre gasolina e diesel, enquanto economistas avaliam risco de aumento nos postos (2)
Alta do dólar após reeleição de Lula pressiona os preços da gasolina e do diesel no Brasil, mas Petrobras ainda não confirmou novos reajustes.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Com importações responsáveis por parte do abastecimento nacional, diferenças entre preços internos e externos crescem, enquanto subsídios temporários ajudam a conter repasses.

O dólar chegou a superar R$ 5,60 na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aumentando o risco de novos reajustes da gasolina e do diesel no Brasil. A valorização da moeda americana pressiona os custos de importação dos combustíveis, especialmente do diesel, que já apresentava diferença expressiva em relação às cotações internacionais. Até esta terça-feira (27), porém, não havia um percentual de aumento confirmado pela Petrobras em decorrência da reação cambial.

Segundo reportagem de Paula Gama, publicada pelo UOL Carros em 27 de outubro, economistas avaliam que a manutenção do dólar elevado poderá pressionar os preços nas refinarias e, posteriormente, nos postos. O cenário também depende das cotações internacionais dos derivados, das decisões comerciais da Petrobras e da continuidade das medidas federais para conter os preços.

Dólar supera R$ 5,60 e encarece referência internacional dos combustíveis

Motorista abastecendo carro vermelho em posto de combustíveis durante a noite.
Motorista abastece veículo em posto de combustíveis. A valorização do dólar aumentou o risco de reajustes da gasolina e do diesel no Brasil. Foto ilustrativa: Kostiantyn Zavhorodnii/Pexels.

O dólar chegou a superar R$ 5,60 na segunda-feira (26 de outubro de 2026), durante o primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República.

Durante as negociações de segunda-feira, o dólar perdeu parte da alta, mas permaneceu acima do patamar anterior à votação. A reação ocorreu em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica no próximo mandato.

A ligação com os combustíveis ocorre porque petróleo, gasolina e diesel são negociados internacionalmente em dólares. Mesmo quando a cotação externa de um derivado permanece estável, sua conversão para reais pode resultar em um custo maior.

Esse efeito aparece principalmente nas importações. Empresas que compram combustíveis no exterior precisam considerar o preço internacional, o câmbio, o transporte e outras despesas necessárias para trazer o produto ao Brasil.

O aumento desses custos não significa que o valor cobrado nas bombas mudará na mesma proporção. O repasse depende dos fornecedores, das distribuidoras, dos postos e de outros componentes do preço final.

A preocupação também envolve as tensões no mercado internacional de petróleo. No início de outubro, o CPG mostrou que o petróleo voltou a superar US$ 100, em meio às restrições comerciais e ao conflito no Oriente Médio.

Diesel apresenta diferença de R$ 3,53 por litro em relação à referência de importação

Entre os combustíveis, o diesel é o mais exposto à pressão cambial devido à dependência brasileira de importações.

Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgado em 23 de outubro e reproduzido pelo UOL Carros, o diesel vendido pela Petrobras apresentava uma defasagem média de R$ 3,53 por litro, equivalente a 108% do preço doméstico utilizado na comparação. Na gasolina, a diferença era de R$ 0,58 por litro, ou 19%. Os dados são anteriores à valorização do dólar registrada após a eleição.

Essa diferença correspondia a 108% do preço doméstico utilizado na comparação. Os dados indicavam que a referência de importação estava mais que o dobro do valor considerado nas refinarias da estatal.

Na gasolina, o levantamento registrou uma diferença de R$ 0,58 por litro, equivalente a 19%.

Os valores divulgados pela Abicom em 23 de outubro de 2026 foram calculados antes do segundo turno presidencial, realizado no dia 25, e da alta do dólar registrada no pregão de 26 de outubro. Portanto, representam a situação anterior à reação cambial, e não uma atualização dos custos de importação após a eleição.

A defasagem, entretanto, não equivale a um reajuste que será aplicado automaticamente. Ela representa uma comparação entre referências comerciais de momentos específicos.

Em setembro, os preços já apresentavam pressão no mercado brasileiro. Uma reportagem do CPG mostrou que o diesel S-10 chegou a R$ 7,33 por litro, na média nacional informada pela ANP naquele período.

Petrobras pode adiar reajustes porque não segue automaticamente o dólar

Conforme a estratégia comercial divulgada pela Petrobras em maio de 2023 e reafirmada em julho daquele ano, a companhia considera as condições dos mercados nacional e internacional na formação dos preços de gasolina e diesel. A estatal informa que os reajustes não possuem periodicidade definida, permitindo evitar o repasse imediato de oscilações temporárias do petróleo e do câmbio.

Segundo a política divulgada pela própria estatal, a formação de preços considera condições do mercado nacional e internacional, alternativas de fornecimento aos clientes e a rentabilidade das operações de refino.

A empresa também não trabalha com periodicidade fixa para reajustes da gasolina e do diesel.

Esse modelo permite evitar que movimentos cambiais passageiros sejam integralmente transferidos aos preços domésticos. Por outro lado, períodos prolongados de diferença entre os valores brasileiros e internacionais podem aumentar a pressão comercial sobre fornecedores e importadores.

Em entrevista ao UOL, Tatiana Goes, economista da Silo Multi Family Office, destacou que os efeitos dependem principalmente da duração da alta do dólar e do comportamento das referências internacionais.

Tiago Velloso também apontou o diesel como o combustível mais vulnerável, mas ressaltou que a existência de uma diferença de preços não determina, isoladamente, uma decisão imediata da Petrobras.

O preço final nos postos envolve outras variáveis. Entre elas estão os tributos, os custos de distribuição e revenda e a participação de biocombustíveis nas misturas comercializadas.

O CPG já explicou por que o preço da gasolina nem sempre acompanha imediatamente as oscilações internacionais do petróleo.

Governo amplia subsídio do diesel importado para até R$ 3,52 por litro

A reação do mercado ocorre enquanto o governo federal mantém medidas temporárias para reduzir a pressão sobre os combustíveis.

Segundo comunicado oficial do Ministério da Fazenda, publicado em 9 de outubro de 2026, o governo federal anunciou a prorrogação, por mais 30 dias, da desoneração dos tributos federais sobre gasolina e etanol. A medida manteve zeradas as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis incidentes sobre a gasolina..

A decisão manteve zeradas as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis incidentes sobre a gasolina, conforme as condições estabelecidas pelo governo.

Na mesma publicação, a Fazenda anunciou uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel rodoviário importado, durante 30 dias. O valor seria somado ao benefício de R$ 2,12 por litro então vigente, elevando a compensação potencial para R$ 3,52 por litro.

O ministério estimou em R$ 1,6 bilhão o custo da subvenção adicional durante o período. O comunicado também informou que aproximadamente 33% do diesel consumido no Brasil era importado, fator que aumenta a exposição do mercado nacional às oscilações dos preços internacionais.

A pasta informou que aproximadamente 33% do diesel consumido no Brasil é importado, o que explica a importância do mecanismo para a continuidade do abastecimento.

A subvenção é destinada aos importadores habilitados que cumpram as condições do programa. Portanto, o valor de R$ 3,52 por litro não representa um desconto direto e automático para os consumidores nos postos.

A continuidade das medidas também dependerá das decisões fiscais do governo. Caso os benefícios terminem enquanto os custos externos permanecerem elevados, a pressão comercial sobre o diesel poderá aumentar.

Aumento do diesel pode atingir fretes e preços de alimentos no Brasil

Uma eventual elevação do diesel teria efeitos sobre o transporte rodoviário de mercadorias, utilizado para abastecer supermercados, indústrias e centros de distribuição.

Para caminhoneiros autônomos e transportadoras, o combustível representa uma parcela relevante das despesas operacionais. Quando o diesel sobe e os valores dos fretes não acompanham a mudança, a margem das viagens pode diminuir.

Essa situação já foi abordada pelo CPG em reportagem sobre a alta do diesel e os fretes, que reuniu relatos de profissionais sobre custos crescentes e dificuldades nas negociações.

Para as empresas contratantes, a elevação dos custos de transporte pode resultar em pedidos de revisão contratual ou reajustes futuros nos serviços.

Parte dessa despesa pode chegar aos preços finais das mercadorias, dependendo das condições comerciais de cada setor. O efeito não é imediato nem necessariamente proporcional à alta do combustível.

No caso da gasolina, o impacto aparece diretamente nos gastos de famílias e profissionais que utilizam automóveis e motocicletas.

A combinação entre combustíveis mais caros e valorização do dólar também pode pressionar indicadores de inflação, mas a intensidade dependerá da duração dos aumentos e dos demais preços da economia.

Próximas decisões da Petrobras e do governo determinarão os preços nas bombas

O acompanhamento dos combustíveis continuará concentrado no comportamento do dólar, nas cotações internacionais e nas decisões dos fornecedores nacionais.

Segundo o Levantamento de Preços de Combustíveis da ANP, a pesquisa realizada entre 18 e 24 de outubro de 2026 teve seus resultados disponibilizados em 26 de outubro. Os dados permitem consultar os preços praticados nos postos antes da reação cambial registrada após o segundo turno presidencial.

As próximas pesquisas semanais poderão indicar se os custos mais elevados começaram a ser repassados ao consumidor, embora eventuais alterações também dependam de decisões das refinarias, distribuidoras e revendedores.

O próximo levantamento poderá ajudar a identificar se a pressão cambial começou a aparecer nos valores cobrados aos consumidores, embora mudanças registradas nos postos também possam ter outras causas.

Até 27 de outubro, não havia reajuste automático definido para compensar a alta do dólar. O resultado dependerá da permanência da valorização cambial, dos custos internacionais e das decisões da Petrobras, das demais refinarias e dos agentes do mercado.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x