Petrobras assina contrato para implantar usina de energia solar na Rnest, em Pernambuco. Projeto terá 12 MW e integra plano de expansão e modernização da refinaria.
A energia solar dará um novo passo dentro da maior refinaria em expansão da Petrobras. A estatal confirmou que vai assinar, nesta terça-feira (2), o contrato para a construção de uma usina fotovoltaica no interior da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), localizada no Complexo Industrial de Ipojuca, em Pernambuco.
O anúncio foi feito pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que detalhou que o empreendimento será implantado pela Brafer Solar.
A nova usina terá capacidade instalada de 12 megawatts (MW), suficiente para atender cerca de 10% do consumo total de energia elétrica da refinaria. Dessa forma, a iniciativa marca a incorporação direta da energia solar à operação industrial da unidade.
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Assinatura do contrato contará com a presença do presidente Lula
Além da relevância energética do projeto, a cerimônia de assinatura terá peso político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará do evento, durante visita oficial à refinaria nesta terça-feira.
A presença do chefe do Executivo reforça a simbologia do investimento, que une ampliação da capacidade de refino com estratégias de sustentabilidade e eficiência energética.
No mesmo dia, a Petrobras também deve anunciar a previsão de aumento de 50 mil barris por dia (bpd) na produção de derivados da Rnest. Esse incremento está previsto para ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027, como parte do cronograma de ampliação da unidade.
Ampliação da refinaria ocorre em ritmo escalonado até 2029
A Rnest atravessa um processo amplo de expansão, impulsionado pela retomada das obras do chamado Trem 2. Segundo a Petrobras, todos os contratos necessários para essa fase já foram assinados ainda em meados de outubro.
Ao todo, são sete grandes conjuntos contratuais, que envolvem empresas como Consag, Tenenge, CPL, Possebon, Tecnosonda e Schneider Eletric.
Esses acordos somam mais de R$ 8 bilhões em investimentos. Conforme informações da estatal, três desses contratos já apresentam execução avançada, indicando que parte das obras está em estágio relevante de andamento.
De acordo com o gerente executivo de Sistemas de Superfície, Refino, Gás e Energia, Flavio Casa Nova, as entregas ocorrerão de forma gradual, com conclusão prevista até julho de 2029.
Ele explica que a capacidade da refinaria vem crescendo mesmo antes do término das obras completas.
Modernizações já elevam produção da Rnest
Até o ano passado, a capacidade operacional da Rnest era de 88 mil barris por dia. Atualmente, entretanto, a unidade já produz cerca de 130 mil bpd, resultado direto da instalação de novos equipamentos e de melhorias técnicas implementadas ao longo dos últimos meses.
Um dos destaques desse processo foi a entrada em operação da unidade SNOX, um sistema de abatimento de emissões. Essa tecnologia transforma óxidos de enxofre e de nitrogênio em ácido sulfúrico, o que contribuiu para um aumento de aproximadamente 27 mil bpd na produção.
Além disso, a refinaria passou por revamps no Trem 1 e na atual unidade de destilação.
“Ao fim de 2026, a Rnest vai estar pronta para crescer [a produção] em mais 50 mil bpd, completando a expansão com mais 130 mil bpd em julho de 2029, quando vai chegar a uma produção total de 260 mil bpd”, detalha Casa Nova.
Energia solar e expansão industrial caminham juntas
Enquanto amplia sua capacidade produtiva, a refinaria também incorpora fontes renováveis ao seu funcionamento.
A usina de energia solar dentro da Rnest surge como parte desse movimento, contribuindo para reduzir a dependência da energia convencional e reforçar compromissos ambientais da companhia.
Atualmente, a operação da refinaria emprega cerca de 3 mil trabalhadores. Com o avanço das obras, esse número deve subir para algo entre 3,4 mil e 3,5 mil funcionários.
Ainda assim, a maior geração de empregos acontece na fase temporária da construção, quando a Petrobras estima a presença de 10 mil a 15 mil operários no canteiro.
Rnest terá papel estratégico no abastecimento nacional de combustíveis
Magda Chambriard ressaltou que a Rnest é uma refinaria “extremamente moderna” e estratégica para o mercado brasileiro. Segundo ela, a unidade será capaz de destinar cerca de 70% de sua produção ao diesel S-10, combustível de baixo teor de enxofre.
Com isso, a refinaria poderá atender aproximadamente 17% de toda a demanda nacional desse tipo de diesel. Os 30% restantes da produção serão distribuídos entre gasolina, GLP e nafta, ampliando a oferta de derivados no mercado interno.
Outro ponto destacado pela presidente da Petrobras foi a integração da Rnest com o Porto de Suape. Conforme a executiva, essa relação tende a se fortalecer à medida que a refinaria avança em sua expansão.
“Nesse porto, a Petrobras já opera 81% dos granéis líquidos movimentados. E quando se fala em expansão da refinaria, também estamos falando de aumento na participação da Petrobras nas atividades do porto”, disse.

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