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Petrobras indica atraso de 1 ano nas 3 plantas de combustível sustentável de aviação previstas no plano, e a primeira, em Cubatão, com 16 mil barris por dia, passa de 2029 para 2030, em apresentação do diretor William França em 2026

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 26/09/2026 às 21:36 Atualizado em 26/09/2026 às 21:37
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Tanque de combustível sustentável de aviação da Petrobras na Reduc (RJ).
Tanque de combustível sustentável de aviação da Petrobras na Reduc (RJ). Foto: Francisco de Souza/Agência Petrobras
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As unidades do Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), e da Replan, em Paulínia (SP), passam a ser previstas a partir de 2031, e a estatal avança no coprocessamento do combustível sustentável de aviação em refinarias que já existem, como a Reduc

A Petrobras indicou que suas três plantas de combustível sustentável de aviação devem atrasar um ano. A primeira, em Cubatão (SP), com 16 mil barris por dia, passa de 2029 para 2030.

A mudança apareceu na apresentação de William França, na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, segundo a Reuters. França é o diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal.

Pelo plano de negócios de 2026 a 2030, a unidade de Cubatão entraria em operação em 2029, informa a Reuters. A agência cobriu a apresentação no Rio de Janeiro, em texto da repórter Marta Nogueira. As outras duas plantas, antes previstas a partir de 2030, agora aparecem a partir de 2031.

A data de 2030 para Cubatão, porém, já constava do anúncio de 19 de junho de 2026, quando o conselho da Petrobras aprovou o investimento de cerca de US$ 1,2 bilhão na planta, segundo a Agência Petrobras.

França reforçou que, mesmo com o adiamento, a companhia vai fazer tudo o que está previsto. Atualmente, a estatal já pode produzir SAF por coprocessamento na refinaria Reduc (RJ), detalha a Reuters.

Cubatão fica com a primeira planta e perde a data de 2029

A primeira das três unidades será construída na Refinaria Presidente Bernardes, a RPBC, em Cubatão (SP). Pelos números da apresentação, ela terá 16 mil barris por dia de capacidade.

Área industrial da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP).
Área industrial da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP). Foto: Wilson Melo/Agência Petrobras

A Reuters chama Cubatão de primeira unidade “100%” da Petrobras. A planta vai produzir bioquerosene de aviação e diesel renovável, segundo a Agência Petrobras, e a capacidade anunciada vale para os dois combustíveis juntos.

O que andou no calendário foi a entrada em operação, o momento em que a planta começa a produzir. A data de 2029 constava no plano de negócios de 2026 a 2030, e a previsão mostrada agora é 2030, de acordo com a Reuters.

Com a mudança, a unidade de Cubatão passa a ser esperada para o último ano coberto pelo plano atual. Ela segue como a primeira da fila, com um ano a mais de espera.

Boaventura e Replan, as outras duas, escorregam para 2031

A segunda planta de combustível sustentável de aviação fica no Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), com 19 mil barris por dia. É a maior das três em capacidade, pelo que a Reuters detalha da apresentação.

A terceira fica na Replan, em Paulínia (SP), com 10 mil barris por dia. As duas estavam previstas para começar a partir de 2030 e agora aparecem a partir de 2031.

Para as duas, a expressão usada é “a partir de 2031”, que marca o ano mais cedo previsto para a estreia. Boaventura, com 3 mil barris por dia a mais que Cubatão, fica um ano atrás dela na fila.

A Replan aparece duas vezes no calendário

A refinaria de Paulínia entra na apresentação por dois caminhos. Ela recebe a planta dedicada de 10 mil barris por dia. Também está na lista do coprocessamento, mostra a Reuters.

Torres da Replan, a refinaria da Petrobras em Paulínia (SP).
Torres da Replan, a refinaria da Petrobras em Paulínia (SP). Foto: Divulgação/Petrobras

Na Replan, a implantação do coprocessamento deve ocorrer até o fim de 2026, conforme a Reuters. A mesma refinaria terá, assim, as duas rotas de SAF no calendário, com a unidade dedicada só a partir de 2031.

Entre o prazo do coprocessamento e a estreia da unidade dedicada, a Replan tem cerca de cinco anos no calendário que França apresentou.

O calendário antes e depois, planta por planta

Planta por planta, a previsão anterior e a nova ficam assim, pelos números que a Reuters publicou:

PlantaOnde ficaCapacidadePrevisão anteriorNova previsão
RPBCCubatão (SP)16 mil barris por dia20292030
Complexo BoaventuraItaboraí (RJ)19 mil barris por diaa partir de 2030a partir de 2031
ReplanPaulínia (SP)10 mil barris por diaa partir de 2030a partir de 2031
Totaltrês plantas45 mil barris por dia2029 e 20302030 e 2031

Somadas, as três chegam a 45 mil barris por dia, conta feita com as capacidades que França mostrou. Boaventura responde por 42,2% desse total, Cubatão por 35,6% e a Replan por 22,2%.

Os 16 mil barris por dia de Cubatão, convertidos em litros

O barril, medida padrão da indústria do petróleo, tem 158,987 litros. Multiplicado pelos 16 mil barris diários, dá cerca de 2,5 milhões de litros por dia de capacidade na planta de Cubatão.

Uma piscina olímpica de 50 metros por 25 metros, com 2 metros de fundo, guarda 2,5 milhões de litros. Na capacidade informada, a planta encheria uma dessas por dia, com sobra de uns 44 mil litros.

A mesma conversão vale para as outras duas unidades. Boaventura, com 19 mil barris diários, daria cerca de 3 milhões de litros. A Replan, com 10 mil, ficaria perto de 1,6 milhão de litros por dia.

Juntas, as três plantas somam cerca de 7,2 milhões de litros por dia de capacidade. É o bastante para encher quase três piscinas olímpicas a cada 24 horas.

Os números são de capacidade, o teto previsto para cada planta, e não de produção garantida. Operando no máximo o ano inteiro, Cubatão chegaria a cerca de 928 milhões de litros, somando bioquerosene e diesel renovável, e as três juntas passariam de 2,6 bilhões.

Para 2030, a conta cai de 45 mil para 16 mil barris por dia

No calendário anterior, Cubatão estrearia em 2029 e as outras duas começariam a partir de 2030, de acordo com a Reuters. Com isso, as três plantas podiam somar 45 mil barris por dia a partir de 2030.

No calendário novo, só Cubatão tem data em 2030, com 16 mil barris por dia. A capacidade dedicada prevista para aquele ano cai 29 mil barris por dia, ou 64,4%, pela conta feita com os números que França mostrou.

Em litros, os 29 mil barris diários equivalem a cerca de 4,6 milhões de litros por dia. Em 2029, o ano que teria a estreia de Cubatão, a capacidade dedicada no calendário passa de 16 mil barris para zero.

Para 2031, o total chega a 45 mil barris por dia no papel, se as três datas forem cumpridas. O teto é o mesmo do calendário anterior, agora com data em 2031.

Da apresentação até a estreia, a espera passa de três anos

Da apresentação de setembro de 2026 até 2030, a espera por Cubatão passa de três anos. Se a estreia ficar para o fim de 2030, passa de quatro.

Boaventura e a Replan ficam a mais de quatro anos da apresentação. Pelo calendário anterior, Cubatão estaria a pouco mais de dois anos de distância, se estreasse no começo de 2029.

SAF, a sigla do combustível sustentável de aviação

Na reportagem da Reuters, SAF é a sigla de combustível sustentável de aviação, do inglês sustainable aviation fuel. É um querosene feito de matérias-primas renováveis ou de resíduos, que pode ser misturado ao de petróleo e usado nos mesmos aviões.

O SAF da Petrobras tem dois caminhos no calendário, as plantas dedicadas e o coprocessamento em refinarias que já existem. A apresentação de França tratou dos dois.

Coprocessamento e planta dedicada, as duas rotas do combustível sustentável de aviação

O nome ajuda a entender o coprocessamento. Nele, o conteúdo renovável é processado junto com a carga de petróleo, em unidades que a refinaria já tem.

Nesse processo, a parte renovável da carga costuma ser pequena, porque as unidades foram projetadas para o petróleo. Na planta dedicada, a carga inteira pode ser renovável, como na unidade “100%” que a Reuters descreve em Cubatão.

A diferença aparece no calendário. As unidades dedicadas só começam a partir de 2030, e o coprocessamento já está em andamento em quatro refinarias, em fases diferentes.

Na Reduc, o SAF por coprocessamento já pode sair

Das quatro refinarias dessa rota, a Reduc é a mais adiantada. O coprocessamento de conteúdo renovável na Reduc já permite à companhia produzir SAF, destaca a Reuters.

Vista aérea do parque de tanques da Reduc (RJ).
Vista aérea do parque de tanques da Reduc (RJ). Foto: Mário Nascimento/Agência Petrobras

Revap e Regap esperam a certificação

Duas refinarias estão um passo atrás da Reduc. Na Revap (SP) e na Regap (MG), os projetos de coprocessamento já foram implantados e estão em processo de certificação, segundo a Reuters.

A certificação é o que separa as duas da situação da Reduc, pelo que a apresentação mostrou. A Replan fecha a lista, com implantação prevista até o fim de 2026.

Se Revap e Regap forem certificadas e a Replan for implantada, a rota de coprocessamento chega a quatro refinarias, em três estados.

O Corsia e a janela de 2027 a 2030 citada por França

Durante a mesma apresentação, França tratou do programa internacional de emissões da aviação. “Estamos preparados para atender ao Corsia de 2027 até 2030”, afirmou o diretor.

Tanques de combustível sustentável de aviação na Reduc (RJ).
Tanques de combustível sustentável de aviação na Reduc (RJ). Foto: Francisco de Souza/Agência Petrobras

A Reuters explica que o Corsia é o esquema global de compensação e redução de emissões da aviação. O programa é da Organização Internacional da Aviação Civil, a ICAO, pela sigla em inglês.

Nesse esquema, as companhias aéreas compensam parte das emissões com créditos de carbono. O uso de combustível sustentável de aviação ajuda a diminuir essa compensação.

A janela citada por França tem quatro anos, de 2027 a 2030. No calendário novo, nenhuma planta dedicada ao combustível sustentável de aviação estreia de 2027 a 2029, e Cubatão chega no último ano dessa janela.

Antes de 2030, o calendário mostrado por França só tem SAF da estatal pela rota do coprocessamento, com a Reduc à frente.

Seis instalações em três estados entram na rota do SAF

Juntando as duas rotas, a apresentação cita seis instalações da Petrobras em três estados, conforme a Reuters. São Paulo tem três delas, a RPBC, a Replan e a Revap.

O Rio de Janeiro aparece com a Reduc e com o Complexo Boaventura, segundo a Reuters. Minas Gerais entra com a Regap, a única fora do eixo Rio-São Paulo.

Pela conta das plantas dedicadas, São Paulo fica com 26 mil dos 45 mil barris por dia, ou 57,8%. O Rio de Janeiro fica com os 19 mil de Boaventura, ou 42,2% da capacidade prevista.

Convertida em litros, a fatia paulista passa de 4,1 milhões por dia de capacidade, e a fluminense fica perto de 3 milhões. Minas Gerais não tem planta dedicada no calendário, só o coprocessamento da Regap.

Do sebo bovino ao óleo de cozinha, as matérias-primas citadas

Em outro ponto da apresentação, França associou a transição energética da Petrobras a uma aproximação cada vez maior com o agronegócio, registra a Reuters.

Ele citou matérias-primas de combustíveis renováveis como etanol, óleo de milho, soja, sebo bovino e óleo de cozinha usado. Outros resíduos também entram na lista, detalha a Reuters.

O executivo disse que a estatal amplia os investimentos em biorrefino e quer mais insumos agrícolas e resíduos no portfólio. O movimento acompanha a expansão de diesel renovável, SAF e outros bioprodutos, segundo o relato da Reuters.

O plano de negócios de 2027 a 2031 chega no fim de 2026

A Petrobras está na reta final para anunciar um novo plano de negócios no fim de 2026, informa a Reuters. O documento vai cobrir o período de 2027 a 2031.

França afirmou que o plano terá um foco importante na transição energética, conforme a Reuters. Pelos períodos citados, de 2026 a 2030 e de 2027 a 2031, cada plano da estatal cobre cinco anos.

Com a troca, 2030 deixa de ser o último ano da janela e passa a ser o quarto. Boaventura e a Replan, a partir de 2031, ficam no último ano do novo período.

Também até o fim de 2026, a Replan deve concluir a implantação do coprocessamento. Para o combustível sustentável de aviação feito em planta própria, a data mais próxima segue sendo Cubatão, em 2030.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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