A Petrobras iniciou a negociação comercial com a Yinson para o FPSO P-88, destinado ao campo de Albacora, após considerar válida a proposta técnica de US$ 2,29 bilhões.
A Petrobras abriu a etapa comercial da licitação do FPSO P-88, planejado para o campo de Albacora, depois de aprovar tecnicamente a proposta apresentada pela malaia Yinson. O lance, de US$ 2,29 bilhões, foi o menor recebido pela estatal e passa agora por uma rodada de negociação em busca de condições comerciais mais favoráveis antes do avanço da contratação.
Renata Baruzzi, diretora executiva de Engenharia, Tecnologia e Inovação da companhia, detalhou a situação na terça-feira (22), durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a primeira análise verificou a aderência técnica do projeto; concluída essa fase, preço e demais condições entram no centro das conversas.
P-88 terá capacidade para 120 mil barris de óleo por dia
O novo FPSO foi dimensionado para processar até 120 mil barris diários de petróleo quando entrar em operação. A estrutura também poderá trabalhar com até 4,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
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O cronograma apresentado prevê o primeiro óleo somente depois de 2031. Até lá, construção, montagem e preparação operacional da unidade formarão parte de um contrato estruturado de maneira diferente de uma aquisição convencional.
O P-88 ficará ligado a Albacora, ativo da Rodada Zero situado na Bacia de Campos. A Petrobras opera o campo e possui 100% de participação.

Yinson terá de construir e operar a unidade antes da transferência
A contratação utiliza o modelo BOT, sigla para Build, Operate and Transfer. Nesse formato, a empresa vencedora assume inicialmente o desenvolvimento do projeto, a construção e a montagem do FPSO.
A operação também permanece com a contratada durante o período estabelecido no acordo. Somente depois dessa etapa o ativo é transferido para a Petrobras.
Essa estrutura faz com que a negociação atual envolva um ciclo longo do empreendimento, incluindo atividades que continuarão mesmo depois de concluída a construção física da plataforma.
Diferença entre propostas chega a US$ 900 milhões
O valor apresentado pela Yinson abriu uma distância relevante em relação aos demais participantes.
Na outra ponta da disputa, a norueguesa BW Offshore ofereceu US$ 3,19 bilhões. A MISC, também da Malásia, apresentou US$ 3,05 bilhões, enquanto a indiana Shapoorji Pallonji chegou a US$ 2,9 bilhões.
A chinesa COOEC ficou mais próxima da menor proposta, com US$ 2,84 bilhões. Entre o primeiro e o segundo menor lance, portanto, existe uma diferença de US$ 550 milhões.
A diferença de preços provocou movimentação entre empresas que participaram da concorrência. Interlocutores ouvidos pela Agência iNFRA relataram questionamentos sobre a proposta da Yinson por companhias que apresentaram valores superiores.
Fontes da estatal consultadas pela publicação afirmaram, entretanto, que o projeto malaio atende às especificações solicitadas na licitação.
Baruzzi também informou aos jornalistas que, até aquele momento, a Petrobras não havia recebido formalmente pedidos de recurso.
Com a validação técnica concluída, a definição do P-88 passa agora pela negociação das condições comerciais. O resultado dessa etapa será determinante para o avanço de uma plataforma projetada para assumir parte relevante da futura produção de Albacora na próxima década.
