Projeto de até R$ 1 bilhão prevê terminal de GNL em Rio Grande com capacidade inicial de 800 mil m³ por dia, expansão futura e foco em atrair novas indústrias ao estado.
Um projeto com potencial de receber até R$ 1 bilhão em investimentos pode mudar a forma como o Rio Grande do Sul recebe gás natural e reduzir um dos gargalos que há anos limita a expansão industrial no estado. A Edge, empresa controlada pela Compass, assinou um acordo com o governo gaúcho para desenvolver uma nova estrutura de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Rio Grande.
A nova infraestrutura deverá ser instalada no Distrito Industrial de Rio Grande, em uma área estratégica próxima ao Porto do Rio Grande. O objetivo é ampliar a oferta do combustível, atender consumidores que hoje enfrentam limitações de abastecimento e tornar o estado mais competitivo para receber novos projetos industriais.
O acordo foi firmado entre o governo do Rio Grande do Sul e a Edge Comercialização S.A., empresa ligada ao grupo Compass. O projeto prevê a implantação e operação de um terminal de GNL ou de outras soluções de importação, armazenamento, logística e regaseificação que sejam consideradas técnica e economicamente viáveis.
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Fonte: Prefeitura do Rio Grande
Terminal pode começar com 800 mil m³ de gás por dia e chegar a 3 milhões
A primeira etapa deverá ter capacidade para movimentar cerca de 800 mil metros cúbicos de gás natural por dia, volume considerado suficiente para sustentar economicamente o início da operação.
Hoje, o Rio Grande do Sul recebe aproximadamente 2,8 milhões a 2,9 milhões de m³ de gás por dia, principalmente por meio do Gasoduto Bolívia-Brasil, o Gasbol.
Como o estado está localizado na extremidade final dessa infraestrutura, ampliar a oferta de gás nem sempre é simples. A limitação física do sistema é apontada há anos como um dos principais obstáculos para aumentar o consumo industrial.
Com o novo terminal, a oferta disponível no estado poderia crescer cerca de 30% já na primeira fase.
Mas esse é apenas o começo do projeto.
A Edge pretende construir uma estrutura modular que poderá aumentar gradualmente sua capacidade até alcançar aproximadamente 3 milhões de m³ de gás natural por dia.
Esse número chama atenção porque representa um volume semelhante a praticamente toda a quantidade de gás que hoje consegue entrar diariamente no Rio Grande do Sul.
Na prática, caso o empreendimento alcance sua capacidade máxima prevista, o estado passaria a contar com uma segunda grande porta de entrada de gás natural, reduzindo a dependência da infraestrutura atualmente existente.
GNL poderá chegar por navios e seguir até indústrias em caminhões criogênicos
Uma das principais diferenças do projeto está na logística.
O GNL poderá chegar a Rio Grande transportado por navios, permanecer armazenado em condições criogênicas e depois ser distribuído conforme a necessidade dos consumidores.
A Edge avalia utilizar uma embarcação do tipo FSU, ou Floating Storage Unit, que funcionaria como uma unidade flutuante de armazenamento.
Inicialmente, parte do combustível poderá vir do Terminal de Regaseificação de São Paulo, em Santos, infraestrutura que já é operada pela própria empresa.
Entretanto, Rio Grande também poderá receber GNL diretamente de outros mercados internacionais.
Entre as possíveis origens citadas estão Argentina, Estados Unidos e Catar, grandes produtores ou fornecedores internacionais de gás natural.
Depois de descarregado no Rio Grande do Sul, parte do combustível poderá seguir diretamente para consumidores industriais em caminhões criogênicos.
Esse modelo é conhecido como operação off-grid, justamente porque permite fornecer gás a empresas que não estão conectadas diretamente a uma rede de gasodutos.
Para regiões industriais afastadas das tubulações existentes, isso pode representar uma mudança importante.
Uma fábrica poderia começar recebendo GNL por rodovia e, caso o consumo da região crescesse suficientemente, justificar posteriormente a expansão da rede física de distribuição.
Falta de gás já apareceu como obstáculo para atrair grandes fábricas
O interesse do governo gaúcho no projeto não está relacionado apenas à segurança energética.
A disponibilidade de gás natural também influencia diretamente a capacidade de atrair grandes investimentos industriais.
Setores como siderurgia, fertilizantes, química, alimentos, cerâmica, vidro e celulose podem depender de grandes volumes de gás tanto como fonte de energia quanto como insumo industrial.
Em Rio Grande, a falta de infraestrutura adequada para garantir esse abastecimento já apareceu em discussões envolvendo a possível chegada de grandes empreendimentos.
Durante negociações para receber novos projetos industriais, a capacidade de fornecimento de gás foi mencionada como uma das limitações da região.
Isso ajuda a explicar por que o governo considera o novo terminal uma peça estratégica.
Com mais gás disponível, o estado poderia oferecer melhores condições para empresas que hoje analisam simultaneamente energia, infraestrutura portuária, logística rodoviária e acesso a matérias-primas antes de decidir onde instalar uma fábrica.
O Porto do Rio Grande já possui uma posição estratégica no comércio exterior do Sul do país. A chegada de uma nova cadeia de GNL poderia acrescentar outro elemento à estrutura logística existente.
Projeto de até R$ 1 bilhão ainda depende da decisão final de investimento
Apesar do potencial de investimento de até R$ 1 bilhão, a construção do terminal ainda não está definitivamente aprovada.
A Compass informou ao mercado que o empreendimento continua sujeito à chamada Final Investment Decision (FID), etapa em que a companhia decide formalmente se realizará o investimento.
Antes disso, ainda serão necessários estudos de infraestrutura, logística, demanda, fornecimento e viabilidade econômica.
O empreendimento também dependerá de licenciamento ambiental e outras autorizações regulatórias antes do início das obras.
A expectativa apresentada pela Edge é tomar a decisão final de investimento em aproximadamente seis meses.
Caso a empresa confirme o projeto, a estimativa é de aproximadamente 18 meses para colocar a infraestrutura em funcionamento.
Nesse cenário, 2028 aparece como possível horizonte para o início das operações, embora o cronograma ainda possa mudar durante os estudos e o processo de licenciamento.
O projeto também poderá crescer à medida que novos consumidores apareçam.
Essa expansão gradual é justamente o que permitiria elevar a capacidade dos 800 mil m³ diários inicialmente previstos para até 3 milhões de m³ por dia.
Para o Rio Grande do Sul, o empreendimento pode representar uma mudança importante na matriz de abastecimento.
Além de aumentar a disponibilidade de gás, a nova estrutura poderá diversificar fornecedores, reduzir limitações logísticas e criar condições para a chegada de novas indústrias, transformando Rio Grande em uma nova porta de entrada de GNL para o extremo Sul do Brasil.
