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Trabalhadores da Reduc entram em ciclo de US$ 4,6 bilhões após refinaria de 65 anos obter certificação para vender combustível sustentável de aviação ao mercado internacional

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 10/09/2026 às 04:57 Atualizado em 10/09/2026 às 05:01
Tanque de combustível sustentável de aviação da Petrobras na Refinaria Duque de Caxias
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Trabalhadores da Reduc entram em um ciclo de US$ 4,6 bilhões depois que a refinaria de 65 anos recebeu certificação para produzir e vender combustível sustentável de aviação ao mercado internacional.

A Refinaria Duque de Caxias chega ao aniversário com uma função nova na transição energética da Petrobras. A unidade fluminense passa a reunir refino convencional e produção certificada de SAF.

O plano prevê US$ 4,6 bilhões entre 2026 e 2030. Desse total, US$ 402 milhões são associados a iniciativas de biocombustíveis, segundo a companhia.

A Agência Petrobras informou que a Reduc é a primeira refinaria da empresa certificada para comercializar esse combustível no exterior.

A certificação abre a porta do mercado internacional

Combustível sustentável de aviação precisa comprovar origem, processo e redução de emissões conforme critérios reconhecidos. A certificação permite que compradores aceitem o produto dentro de suas metas e regras.

Ela não garante venda automática. Companhias aéreas e distribuidores avaliarão preço, disponibilidade, documentação e logística antes de contratar volumes em um mercado ainda em formação.

Rastreabilidade vira parte do produto. Sem registros confiáveis, o combustível pode ter desempenho técnico adequado e ainda assim não ser reconhecido como sustentável pelo comprador.

O primeiro lote alcançou 3,8 milhões de litros

A produção inicial divulgada somou 3,8 milhões de litros de SAF. O lote funciona como demonstração industrial de que a refinaria consegue fabricar, controlar e armazenar o combustível.

Esse volume abasteceria operações por um período limitado diante do consumo da aviação comercial. Sua relevância inicial está em validar a cadeia e preparar contratos maiores.

Escala comercial exigirá repetição. Matéria-prima, processamento, certificação e entrega precisam ocorrer em sequência para que compradores planejem abastecimento sem depender de operações isoladas.

A aviação consome grandes volumes e possui poucas alternativas imediatas aos combustíveis líquidos. Por isso, mesmo uma produção crescente levará tempo para representar parcela relevante do mercado.

SAF reduz emissões sem substituir o avião

O combustível sustentável pode ser misturado ao querosene fóssil dentro de especificações aplicáveis. Essa característica permite usar aeronaves e infraestrutura existentes, sem esperar uma frota completamente nova.

A redução é calculada no ciclo de vida, considerando matéria-prima e produção. O combustível ainda libera carbono durante o voo, mas busca emitir menos no balanço completo.

Motores recebem misturas certificadas sem perceber origem do carbono. O controle ocorre antes do abastecimento, quando laboratório e documentação confirmam que o lote atende à especificação aeronáutica.

O resultado depende da rota tecnológica. Energia usada, transporte, origem dos insumos e aproveitamento de resíduos alteram a vantagem ambiental de cada lote.

Vista aérea das unidades industriais da Refinaria Duque de Caxias
A Reduc combina unidades tradicionais de refino com novos projetos de biocombustíveis.

A Reduc completa 65 anos com uma nova carteira

Inaugurada em 1961, a refinaria atravessou diferentes ciclos do mercado brasileiro. Sua infraestrutura abastece combustíveis e fornece insumos para cadeias industriais no Rio de Janeiro e em outras regiões.

Modernizar uma planta existente pode aproveitar tanques, utilidades, laboratórios e logística. Ao mesmo tempo, equipamentos antigos exigem investimentos constantes em integridade e segurança.

A idade da refinaria não define sozinha sua eficiência. Manutenção, atualização tecnológica e forma de operação determinam se os ativos continuam capazes de atender novas especificações.

US$ 402 milhões colocam biocombustíveis dentro do plano

A parcela destinada a biocombustíveis representa uma frente específica no pacote de US$ 4,6 bilhões. Projetos podem envolver adequação de unidades, armazenagem, medição e sistemas de certificação.

Parte relevante do trabalho ocorre antes da partida. Engenharia define materiais, condições de processo e interfaces com equipamentos existentes, enquanto suprimentos contrata componentes e serviços especializados.

Obras dentro de refinaria ativa requerem planejamento de isolamento e liberação. Equipes precisam executar mudanças sem expor trabalhadores nem comprometer unidades que continuam produzindo.

Depois vem o comissionamento. Operadores precisam validar cada etapa com carga real, ajustar parâmetros e provar que o produto permanece dentro da especificação.

Tanques esféricos e tubulações da Reduc vistos do alto
Tanques, dutos e sistemas de controle fazem parte da logística necessária para novos combustíveis.

O investimento mobiliza trabalho além do portão

Obras em refinaria demandam montagem, inspeção, soldagem, elétrica, automação e planejamento. Fornecedores também atendem transporte, equipamentos, alimentação, segurança e serviços ambientais.

O valor anunciado não traz, por si só, um total fechado de vagas permanentes. Contratações variam conforme cronograma, tamanho de cada projeto e estratégia adotada pela Petrobras.

Qualificação local pode ampliar o efeito econômico. Quando trabalhadores próximos atendem aos requisitos, parte maior da renda permanece em Duque de Caxias e municípios vizinhos.

A matéria-prima definirá custo e escala

SAF pode ser produzido por rotas diferentes, usando óleos, gorduras, resíduos ou outras fontes elegíveis. Cada insumo possui oferta, preço, qualidade e impacto ambiental próprios.

Uma refinaria precisa garantir fornecimento regular sem transferir problemas para outra cadeia. Concorrência com alimentos, mudanças de uso da terra e distância de transporte merecem acompanhamento.

Segundo os critérios de certificação, origem sustentável precisa ser demonstrada. Isso pressiona fornecedores a registrar etapas que antes poderiam não fazer parte da negociação convencional.

A aviação criará demanda conforme as regras apertam

Companhias aéreas enfrentam metas de descarbonização e mecanismos que incentivam combustíveis de menor intensidade de carbono. A demanda tende a crescer quando obrigações, oferta e contratos avançam juntos.

O desafio é o preço. SAF costuma custar mais do que combustível fóssil, e essa diferença pode ser distribuída entre produtores, empresas, passageiros e políticas de incentivo.

Contratos de longo prazo ajudam a dar previsibilidade ao produtor. Para a companhia aérea, eles também reduzem o risco de faltar combustível quando metas obrigatórias começarem a crescer.

Oferta nacional pode diminuir distância de transporte até aeroportos brasileiros. A vantagem dependerá da localização dos terminais e da capacidade de misturar, armazenar e certificar o produto.

Quem viaja talvez não perceba a mistura no tanque. O efeito aparece na contabilidade de emissões e na capacidade do setor de reduzir impacto sem cortar conectividade.

O teste será transformar o primeiro lote em rotina

Certificação e produção inicial estabelecem um marco. Agora a refinaria precisa repetir lotes, conquistar compradores e provar que a cadeia de matéria-prima sustenta o crescimento.

Os próximos indicadores são volume anual, quantidade comercializada, redução de emissões reconhecida e participação dos projetos de biocombustíveis dentro dos US$ 4,6 bilhões.

Confesso que esse acompanhamento será mais revelador do que a cerimônia dos 65 anos. Escala contínua transforma inovação em mercado.

E você, pagaria um pouco mais em uma passagem para ampliar o uso de combustível sustentável produzido no Brasil? Diga nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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