Trabalhadores da Reduc entram em um ciclo de US$ 4,6 bilhões depois que a refinaria de 65 anos recebeu certificação para produzir e vender combustível sustentável de aviação ao mercado internacional.
A Refinaria Duque de Caxias chega ao aniversário com uma função nova na transição energética da Petrobras. A unidade fluminense passa a reunir refino convencional e produção certificada de SAF.
O plano prevê US$ 4,6 bilhões entre 2026 e 2030. Desse total, US$ 402 milhões são associados a iniciativas de biocombustíveis, segundo a companhia.
A Agência Petrobras informou que a Reduc é a primeira refinaria da empresa certificada para comercializar esse combustível no exterior.
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A certificação abre a porta do mercado internacional
Combustível sustentável de aviação precisa comprovar origem, processo e redução de emissões conforme critérios reconhecidos. A certificação permite que compradores aceitem o produto dentro de suas metas e regras.
Ela não garante venda automática. Companhias aéreas e distribuidores avaliarão preço, disponibilidade, documentação e logística antes de contratar volumes em um mercado ainda em formação.
Rastreabilidade vira parte do produto. Sem registros confiáveis, o combustível pode ter desempenho técnico adequado e ainda assim não ser reconhecido como sustentável pelo comprador.
O primeiro lote alcançou 3,8 milhões de litros
A produção inicial divulgada somou 3,8 milhões de litros de SAF. O lote funciona como demonstração industrial de que a refinaria consegue fabricar, controlar e armazenar o combustível.
Esse volume abasteceria operações por um período limitado diante do consumo da aviação comercial. Sua relevância inicial está em validar a cadeia e preparar contratos maiores.
Escala comercial exigirá repetição. Matéria-prima, processamento, certificação e entrega precisam ocorrer em sequência para que compradores planejem abastecimento sem depender de operações isoladas.
A aviação consome grandes volumes e possui poucas alternativas imediatas aos combustíveis líquidos. Por isso, mesmo uma produção crescente levará tempo para representar parcela relevante do mercado.
SAF reduz emissões sem substituir o avião
O combustível sustentável pode ser misturado ao querosene fóssil dentro de especificações aplicáveis. Essa característica permite usar aeronaves e infraestrutura existentes, sem esperar uma frota completamente nova.
A redução é calculada no ciclo de vida, considerando matéria-prima e produção. O combustível ainda libera carbono durante o voo, mas busca emitir menos no balanço completo.
Motores recebem misturas certificadas sem perceber origem do carbono. O controle ocorre antes do abastecimento, quando laboratório e documentação confirmam que o lote atende à especificação aeronáutica.
O resultado depende da rota tecnológica. Energia usada, transporte, origem dos insumos e aproveitamento de resíduos alteram a vantagem ambiental de cada lote.

A Reduc completa 65 anos com uma nova carteira
Inaugurada em 1961, a refinaria atravessou diferentes ciclos do mercado brasileiro. Sua infraestrutura abastece combustíveis e fornece insumos para cadeias industriais no Rio de Janeiro e em outras regiões.
Modernizar uma planta existente pode aproveitar tanques, utilidades, laboratórios e logística. Ao mesmo tempo, equipamentos antigos exigem investimentos constantes em integridade e segurança.
A idade da refinaria não define sozinha sua eficiência. Manutenção, atualização tecnológica e forma de operação determinam se os ativos continuam capazes de atender novas especificações.
US$ 402 milhões colocam biocombustíveis dentro do plano
A parcela destinada a biocombustíveis representa uma frente específica no pacote de US$ 4,6 bilhões. Projetos podem envolver adequação de unidades, armazenagem, medição e sistemas de certificação.
Parte relevante do trabalho ocorre antes da partida. Engenharia define materiais, condições de processo e interfaces com equipamentos existentes, enquanto suprimentos contrata componentes e serviços especializados.
Obras dentro de refinaria ativa requerem planejamento de isolamento e liberação. Equipes precisam executar mudanças sem expor trabalhadores nem comprometer unidades que continuam produzindo.
Depois vem o comissionamento. Operadores precisam validar cada etapa com carga real, ajustar parâmetros e provar que o produto permanece dentro da especificação.

O investimento mobiliza trabalho além do portão
Obras em refinaria demandam montagem, inspeção, soldagem, elétrica, automação e planejamento. Fornecedores também atendem transporte, equipamentos, alimentação, segurança e serviços ambientais.
O valor anunciado não traz, por si só, um total fechado de vagas permanentes. Contratações variam conforme cronograma, tamanho de cada projeto e estratégia adotada pela Petrobras.
Qualificação local pode ampliar o efeito econômico. Quando trabalhadores próximos atendem aos requisitos, parte maior da renda permanece em Duque de Caxias e municípios vizinhos.
A matéria-prima definirá custo e escala
SAF pode ser produzido por rotas diferentes, usando óleos, gorduras, resíduos ou outras fontes elegíveis. Cada insumo possui oferta, preço, qualidade e impacto ambiental próprios.
Uma refinaria precisa garantir fornecimento regular sem transferir problemas para outra cadeia. Concorrência com alimentos, mudanças de uso da terra e distância de transporte merecem acompanhamento.
Segundo os critérios de certificação, origem sustentável precisa ser demonstrada. Isso pressiona fornecedores a registrar etapas que antes poderiam não fazer parte da negociação convencional.
A aviação criará demanda conforme as regras apertam
Companhias aéreas enfrentam metas de descarbonização e mecanismos que incentivam combustíveis de menor intensidade de carbono. A demanda tende a crescer quando obrigações, oferta e contratos avançam juntos.
O desafio é o preço. SAF costuma custar mais do que combustível fóssil, e essa diferença pode ser distribuída entre produtores, empresas, passageiros e políticas de incentivo.
Contratos de longo prazo ajudam a dar previsibilidade ao produtor. Para a companhia aérea, eles também reduzem o risco de faltar combustível quando metas obrigatórias começarem a crescer.
Oferta nacional pode diminuir distância de transporte até aeroportos brasileiros. A vantagem dependerá da localização dos terminais e da capacidade de misturar, armazenar e certificar o produto.
Quem viaja talvez não perceba a mistura no tanque. O efeito aparece na contabilidade de emissões e na capacidade do setor de reduzir impacto sem cortar conectividade.
O teste será transformar o primeiro lote em rotina
Certificação e produção inicial estabelecem um marco. Agora a refinaria precisa repetir lotes, conquistar compradores e provar que a cadeia de matéria-prima sustenta o crescimento.
Os próximos indicadores são volume anual, quantidade comercializada, redução de emissões reconhecida e participação dos projetos de biocombustíveis dentro dos US$ 4,6 bilhões.
Confesso que esse acompanhamento será mais revelador do que a cerimônia dos 65 anos. Escala contínua transforma inovação em mercado.
E você, pagaria um pouco mais em uma passagem para ampliar o uso de combustível sustentável produzido no Brasil? Diga nos comentários.
