Uma nova espécie de planta chamada Grindelia mutabilis foi descoberta por pesquisadores da UFRGS no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí, no extremo oeste do Rio Grande do Sul, com apenas 35 indivíduos adultos conhecidos e classificação de criticamente ameaçada de extinção.
Uma planta que a ciência não sabia que existia acaba de ser identificada em um dos cantos mais remotos do Brasil. Pesquisadores ligados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) descobriram a Grindelia mutabilis, uma espécie de planta que ocorre exclusivamente no Parque Estadual do Espinilho, localizado em Barra do Quaraí, no extremo oeste do Rio Grande do Sul. A descoberta foi publicada na revista científica internacional Plants e revela que essa planta, apesar de já ter sido coletada na década de 1940, vinha sendo confundida com outra espécie semelhante durante mais de oito décadas.
O que torna o caso ainda mais urgente é a escala da descoberta. Os pesquisadores estimam que existam apenas cerca de 35 indivíduos adultos dessa planta, todos concentrados em uma área muito pequena dentro do parque. Por isso, a Grindelia mutabilis já nasce para a ciência com a classificação de criticamente ameaçada de extinção, o nível mais alto de risco segundo critérios internacionais. A planta que ninguém conhecia pode desaparecer antes que a maioria das pessoas saiba que ela existe.
Como a planta foi descoberta por pesquisadores gaúchos após décadas de confusão

Conforme o Governo do Estado do RS, a história da descoberta começa com um erro de identificação que durou mais de 80 anos.
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O biólogo Fernando Fernandes, que conduziu os estudos para seu mestrado em Botânica na UFRGS, investigava o gênero Grindelia no Brasil quando percebeu que a espécie registrada no Parque Estadual do Espinilho como Grindelia scorzonerifolia na verdade não correspondia a essa classificação. Uma análise minuciosa revelou que se tratava de uma planta completamente distinta e ainda não descrita pela ciência.
A revisão taxonômica conduzida por Fernandes e pesquisadores de instituições parceiras identificou diferenças na forma de crescimento, nas folhas, nas flores e nos frutos da planta. O gênero Grindelia pertence à família Asteraceae, que inclui margaridas, girassóis e crisântemos.
A nova espécie apresenta características que a distinguem de todas as outras conhecidas no grupo, confirmando que não se trata de uma variação, mas de uma planta genuinamente nova para a ciência.
O que torna essa planta única entre todas as espécies do gênero

A Grindelia mutabilis tem uma característica que nenhuma outra espécie do seu gênero possui. As lígulas dessa planta, pequenas estruturas localizadas nas folhas, apresentam coloração amarelo-claro que muda para um tom salmão à medida que amadurecem, algo inédito para o gênero inteiro.
Foi justamente essa capacidade de mudança de cor que inspirou o nome “mutabilis”, derivado do latim para “mutável” ou “que muda”.
Além da coloração única, a planta possui uma morfologia singular que permitiu aos pesquisadores resolver um problema taxonômico antigo dentro das margaridas da América do Sul. “Além de descrever essa espécie única, o trabalho resolveu um problema taxonômico antigo dentro das margaridas da América do Sul”, explicou Fernandes.
A descoberta não apenas adiciona uma planta nova ao catálogo científico, mas reorganiza a classificação de todo um grupo de espécies que vinha gerando confusão entre os botânicos.
O habitat extremamente específico onde essa planta sobrevive
A Grindelia mutabilis não cresce em qualquer lugar. Seu habitat se restringe a solos arenosos e levemente salinos, em áreas abertas da vegetação conhecida como espinilho ou ñandubay, um tipo de savana rara que no território brasileiro sobrevive praticamente apenas dentro dos limites do Parque Estadual do Espinilho.
Essa vegetação é uma das mais ameaçadas do bioma Pampa e representa um ecossistema que não se encontra em nenhuma outra região do país.
A combinação entre solo específico, clima particular e tipo de vegetação faz com que a planta dependa de condições que existem em uma área extremamente limitada. Se o habitat desaparecer, a espécie desaparece junto.
Os 35 indivíduos adultos conhecidos estão concentrados em um trecho pequeno do parque, o que significa que qualquer evento adverso, seja uma queimada, uma seca prolongada ou uma alteração no uso do solo, pode colocar em risco toda a população conhecida dessa planta no planeta.
Por que o Parque Estadual do Espinilho é essencial para a sobrevivência dessa planta
O Parque Estadual do Espinilho, administrado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) do Rio Grande do Sul, é o único local conhecido onde a Grindelia mutabilis existe. “A descoberta evidencia ainda mais a importância do Parque Estadual do Espinilho, criado para proteger o bioma Pampa”, comentou Cátia Viviane Gonçalves, diretora do Departamento de Biodiversidade da Sema.
O parque protege um conjunto de ecossistemas exclusivo do Rio Grande do Sul que não existe em nenhum outro estado brasileiro.
Sem a proteção oferecida pela unidade de conservação, a planta provavelmente já teria desaparecido sem que ninguém soubesse que ela existia.
A Grindelia mutabilis se torna mais um argumento concreto a favor da manutenção e do fortalecimento de áreas protegidas, especialmente em biomas como o Pampa, que historicamente recebe menos atenção do que a Amazônia ou a Mata Atlântica, mas que abriga biodiversidade única e insubstituível.
O que a descoberta dessa planta significa para a ciência e para a conservação no Brasil
Mais do que um nome novo em catálogos científicos, a Grindelia mutabilis é um símbolo da biodiversidade escondida nos campos do sul do Brasil.
A planta prova que mesmo em regiões estudadas há décadas, espécies desconhecidas podem estar vivendo de forma discreta, confundidas com outras espécies ou simplesmente ignoradas por falta de pesquisas dedicadas. Se uma planta passou mais de 80 anos sendo confundida com outra, quantas mais podem estar na mesma situação em outros biomas brasileiros?
A expectativa dos pesquisadores é que a publicação na revista Plants atraia atenção para a necessidade de mais estudos no Pampa e para a importância de manter equipes de campo investigando a biodiversidade em unidades de conservação.
Para uma planta com apenas 35 indivíduos conhecidos e classificação de criticamente ameaçada, cada dia de proteção conta. A Grindelia mutabilis nasceu para a ciência já pedindo socorro.
Você sabia que uma planta exclusiva do planeta inteiro vive em um único parque no Rio Grande do Sul? O que acha de uma espécie que já nasce criticamente ameaçada com apenas 35 indivíduos? Conta nos comentários. Descobertas assim mostram que a natureza do Brasil guarda segredos que a ciência ainda nem começou a catalogar.

Já vi tem ..tem mais ..vá aos arredores de Horizontina RSnos campos e matagal..se nao foi tudo destruido ja…ezistem mais por ai…quando pequeno andava muito no matagal e encontrava mtas diversas por ai..era esses tipo mesmo…
Essa descoberta é sensacional! Estou totalmente de acordo de espalhar isso para que mais pessoas saibam a importância de preservar essa nova espécie, afinal mal conhecemos ela, afinal deve ter várias diferenças entre a planta que ela foi confundida