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Trabalhadores aprovam a IA para agilizar o serviço, mas estudo mostra que 84% ainda temem desemprego, golpes digitais e mudanças no futuro do trabalho

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/03/2026 às 21:52
Atualizado em 06/03/2026 às 21:53
Estudo com 614 profissionais mostra que trabalhadores veem ganhos de eficiência com IA, mas 84% temem riscos cibernéticos, perda de empregos e impactos sociais.
Estudo com 614 profissionais mostra que trabalhadores veem ganhos de eficiência com IA, mas 84% temem riscos cibernéticos, perda de empregos e impactos sociais.
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Estudo piloto conduzido pela pesquisadora de tecnologia Dra. Marigo Raftopoulos com 614 profissionais da Europa e dos Estados Unidos mostra que trabalhadores reconhecem ganhos de produtividade com IA, mas 84% ainda demonstram preocupação com riscos cibernéticos, perda de empregos, questões éticas e redução da autonomia no trabalho

A maioria dos trabalhadores aceita o uso da IA no ambiente profissional e reconhece ganhos de eficiência, mas uma ampla parcela demonstra preocupação com riscos associados à tecnologia, segundo estudo citado no livro “Entanglement”, da pesquisadora de tecnologia Dra. Marigo Raftopoulos.

A pesquisa mostrou que sete em cada dez participantes avaliam que a IA apresenta desempenho muito ou extremamente bom em atividades de trabalho. Ao mesmo tempo, 84% dos trabalhadores e IA aparecem associados a riscos como segurança cibernética, perda de empregos, ameaças militares e questões de privacidade.

O estudo piloto entrevistou 614 profissionais que trabalham diretamente com tecnologias habilitadas por IA. Foram ouvidos 305 profissionais na Europa e 309 nos Estados Unidos, todos atuando em ambientes onde sistemas de inteligência artificial já fazem parte das rotinas de trabalho.

Trabalhadores, IA e a percepção de eficiência no ambiente de trabalho

Segundo os resultados analisados pela Dra. Marigo Raftopoulos, trabalhadores e IA são frequentemente associados a ganhos de eficiência e produtividade nas organizações. A maioria dos participantes destacou que a tecnologia contribui para economizar tempo e melhorar processos operacionais.

Entre os entrevistados, 71% afirmaram que a IA desempenha funções muito ou extremamente bem. As razões mais citadas foram melhoria na precisão das tarefas, otimização de processos e aumento da eficiência em atividades repetitivas ou operacionais.

Apesar desse reconhecimento sobre desempenho tecnológico, as respostas indicam que a aceitação não significa ausência de preocupações. Muitos trabalhadores demonstram uma visão simultaneamente positiva e cautelosa sobre a expansão da IA nas organizações.

A própria pesquisadora afirma que a tecnologia está alterando profundamente a forma como as pessoas trabalham. Segundo ela, compreender como os trabalhadores percebem essas mudanças tornou-se um ponto central da pesquisa.

Preocupações sobre autonomia e segurança no emprego

Mesmo com níveis elevados de aceitação da tecnologia, os resultados indicam desconforto crescente entre trabalhadores sobre a sensação de autonomia no trabalho. À medida que os sistemas de IA se expandem, muitos profissionais relatam perda de controle sobre processos e decisões.

Quase dois terços dos participantes da pesquisa, equivalentes a 63%, afirmaram sentir-se apenas moderadamente empoderados ou pouco empoderados no ambiente profissional. Esse resultado sugere que trabalhadores e IA convivem em um cenário de adaptação ainda incompleto.

Segundo a pesquisadora, existe uma boa disposição geral dos funcionários em relação à implementação da tecnologia. No entanto, persistem preocupações iniciais relacionadas à integração da IA nas organizações, além de dúvidas sobre desempenho e confiança nos sistemas.

Os participantes também demonstraram inquietação com impactos potenciais na segurança do emprego. Para muitos trabalhadores, a adoção de sistemas automatizados levanta dúvidas sobre o futuro de determinadas funções profissionais.

Avaliações positivas, condicionais e negativas sobre a tecnologia

A análise das respostas revelou diferentes níveis de aceitação da IA entre os participantes do estudo. As opiniões foram agrupadas em categorias que refletem entusiasmo, cautela ou rejeição em relação à tecnologia.

Entre as declarações positivas, que representaram 52% das respostas, os participantes afirmaram que a automação por IA é uma ferramenta útil no trabalho. Também destacaram que a tecnologia libera tempo e recursos e tende a se tornar parte comum das atividades profissionais.

Outro grupo de respostas, equivalente a 40%, apresentou avaliações condicionais sobre o uso da tecnologia. Nesse conjunto, os participantes afirmaram que a IA precisa ser usada corretamente, ainda exige supervisão humana e ainda não pode ser plenamente confiável.

Uma parcela menor, correspondente a 4%, expressou avaliações negativas sobre a tecnologia. Entre essas respostas estão opiniões de que a IA ainda apresenta vieses, não consegue igualar habilidades humanas em determinadas tarefas e pode provocar perda de empregos.

Outros 4% dos participantes afirmaram não ter opinião definida sobre o tema. Esse grupo indicou incerteza quanto aos efeitos futuros da tecnologia no ambiente de trabalho.

Trabalhadores, IA e a ideia de inteligência artificial como membro da equipe

Quando questionados sobre a possibilidade de a IA atuar como colaboradora ou membro de equipe no ambiente profissional, os resultados indicaram forte resistência. Apenas 12% dos entrevistados disseram considerar essa possibilidade de forma positiva.

Entre as respostas favoráveis, alguns participantes afirmaram que a IA já faz parte da equipe em determinadas funções. Outros disseram que a tecnologia ajuda os humanos a trabalhar mais rápido e executar tarefas com maior eficiência.

Uma parcela de 40% apresentou respostas condicionais sobre essa possibilidade. Esse grupo afirmou que a IA ainda precisa ser mais confiável e segura, além de apresentar comunicação mais natural nas interfaces de interação.

A maior parte dos participantes, equivalente a 44%, rejeitou a ideia de considerar a tecnologia como membro de equipe. Nesse grupo, muitos afirmaram que um membro humano da equipe é insubstituível e que a IA deve ser vista apenas como ferramenta.

Outros participantes afirmaram que a tecnologia funciona como facilitadora de processos, mas não substitui pessoas. Esse entendimento reforça a percepção de que trabalhadores e IA ainda ocupam papéis distintos dentro das organizações.

Principais preocupações sociais sobre o avanço da IA

A pesquisa também investigou quais são as maiores preocupações dos participantes sobre o impacto da IA na sociedade. O tema mais citado foi o risco de ameaças cibernéticas, mencionado por 40% dos entrevistados.

Nesse grupo, os participantes citaram riscos como golpes digitais, ataques cibernéticos e até possibilidades de terrorismo envolvendo tecnologias de inteligência artificial. Esses fatores foram considerados preocupações relevantes para o futuro.

A segunda preocupação mais mencionada foi a perda de empregos, apontada por 24% dos participantes. Entre os aspectos destacados estão o deslocamento de trabalhadores, perda de habilidades profissionais e dificuldades para manter meios de subsistência.

Outras preocupações envolvem questões éticas, mencionadas por 8% dos entrevistados. Entre os temas citados estão invasão de privacidade, uso militar da tecnologia e problemas relacionados a conjuntos de dados tendenciosos.

Além disso, 12% dos participantes demonstraram receio sobre uma possível perda de humanidade. Esses entrevistados mencionaram preocupações com a redução de empatia, bom senso e inteligência emocional em uma sociedade cada vez mais automatizada.

Um grupo menor, equivalente a 16%, afirmou não ter preocupações relevantes com a tecnologia. Alguns participantes desse grupo afirmaram que o problema não é a IA em si, mas a forma como os humanos utilizam essas ferramentas.

Educação e treinamento como resposta à adoção da tecnologia

A Dra. Marigo Raftopoulos também analisou fatores que influenciam a disposição das pessoas em adotar tecnologias de IA no ambiente de trabalho. Segundo ela, muitas pessoas demonstram hesitação em adotar essas ferramentas.

Essa relutância, segundo a pesquisa, não está associada a fatores como idade, gênero, escolaridade ou localização geográfica. O estudo sugere que a hesitação diante da tecnologia pode representar uma característica humana mais ampla.

As atitudes em relação à adoção da IA se distribuem ao longo de um espectro. Em um extremo estão pessoas que veem a tecnologia como oportunidade a ser explorada, enquanto no outro lado aparecem aqueles que a percebem como ameaça.

A pesquisadora afirma que parte da resistência pode estar relacionada às limitações da tecnologia atual. Também podem influenciar fatores como a adequação das implementações nas organizações e preocupações sobre mudanças no contrato social entre empresas e funcionários.

Diante desse cenário, ela destaca o papel da educação e do treinamento para ampliar o entendimento dos trabalhadores sobre o funcionamento da IA. Programas de alfabetização em inteligência artificial podem ajudar a reduzir receios relacionados à perda de autonomia ou emprego.

Segundo a pesquisadora, iniciativas educativas podem incentivar uma cultura de aprendizado e adaptação nas organizações. O objetivo é garantir que trabalhadores se sintam capacitados para atuar junto aos sistemas de IA, e não ameaçados por eles.

A autora também recomenda que empresas adotem estratégias de investimento de longo prazo e abordagens amplas para implementar a tecnologia. Segundo ela, o sucesso da IA depende da integração adequada com as estruturas organizacionais existentes.

Para a pesquisadora, o avanço das tecnologias inteligentes exige equilíbrio entre inovação tecnológica e bem-estar humano. Ela afirma que o florescimento humano, a eficácia tecnológica e o desenvolvimento dos negócios estão interligados.

Raftopoulos conclui que o objetivo é ajudar cidadãos e trabalhadores a compreender tanto os efeitos positivos quanto os desafios da IA. Segundo ela, a tecnologia pode ser aproveitada sem comprometer a humanidade das relações de trabalho.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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