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Empresa chinesa que prometeu transformação no Brasil reúne funcionários e anuncia demissão em massa e 200 trabalhadores ‘vão para a rua’: ‘Eu larguei tudo porque vocês me chamaram […] prometendo mundos e fundos’

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/03/2026 às 21:22
Assista o vídeoKeeta demite 200 funcionários no Rio após adiar operação e cita barreiras de concorrentes; empresa mantém plano de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil.
Keeta demite 200 funcionários no Rio após adiar operação e cita barreiras de concorrentes; empresa mantém plano de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil.
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Expansão bilionária, demissões inesperadas e um mercado travado por disputas comerciais colocam a operação brasileira da Keeta sob pressão justamente quando a empresa tentava ganhar escala fora de São Paulo e consolidar sua entrada no setor de delivery no país.

A Keeta, plataforma de entregas do grupo chinês Meituan, dispensou cerca de 200 funcionários no Rio de Janeiro poucos dias depois de adiar, por tempo indeterminado, o início de sua operação na capital fluminense.

A empresa afirma que manterá 1,2 mil postos de trabalho no país, concentrados em São Paulo, e sustenta que o plano de investir R$ 5,6 bilhões em cinco anos no mercado brasileiro segue em vigor.

Os desligamentos atingem uma fatia relevante da estrutura local montada para a estreia no Rio.

Considerando os 1,2 mil empregos que a própria empresa diz manter no Brasil, o corte de 200 pessoas equivale a aproximadamente 16,7% desse contingente.

Em nota, a Keeta relacionou a medida ao adiamento da expansão e afirmou que decidiu rever a operação antes de avançar para novas praças.

A companhia anunciou em 26 de fevereiro que suspenderia o lançamento no Rio, que era tratado como um passo importante na ofensiva para ampliar presença no país.

Desde então, passou a dizer que pretende priorizar a melhoria dos padrões de serviço para consumidores, restaurantes e entregadores, além de enfrentar o que chama de entraves estruturais à concorrência no setor de delivery.

Keeta adia operação no Rio e corta 200 funcionários

Na prática, a Keeta atribui boa parte do recuo a contratos de exclusividade firmados por concorrentes com redes de restaurantes.

Ao justificar o adiamento, executivos da empresa afirmaram ter encontrado um mercado mais fechado do que o esperado e disseram que parte relevante dos estabelecimentos do Rio estaria impedida de operar simultaneamente com a nova plataforma.

O vice-presidente de parcerias estratégicas da Keeta Brasil, Danilo Mansano, disse que a companhia reuniu evidências da “complexidade e disfuncionalidade” desse modelo.

Segundo ele, mais de 50% das redes de restaurantes avaliadas no Rio tinham algum tipo de bloqueio contratual.

A empresa também sustenta que essas cláusulas atingem justamente redes consideradas essenciais para dar escala à operação desde o primeiro dia.

Exclusividade no delivery vira centro da disputa

A discussão ocorre num ambiente já tensionado pelo histórico do setor.

Em 2023, o Cade firmou um acordo com o iFood que proibiu novos contratos de exclusividade com redes de 30 restaurantes ou mais e impôs limites adicionais para marcas menores.

A Keeta afirma que, mesmo com esse precedente, ainda encontrou barreiras relevantes na tentativa de montar sua base comercial no Rio.

Enquanto isso, o episódio provocou reação imediata entre os trabalhadores atingidos.

Reportagens publicadas nesta semana relataram protestos e momentos de tensão durante reuniões convocadas em hotéis no Rio, onde os desligamentos teriam sido comunicados coletivamente.

Ex-funcionários disseram ter sido atraídos por promessas de crescimento numa operação que se apresentava como uma das principais apostas estrangeiras para disputar espaço com iFood e 99Food.

Protestos expõem impacto das demissões na Keeta

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Depois da repercussão, a empresa afirmou que conduziu o processo “em total conformidade com as leis e exigências locais” e declarou ter oferecido um pacote de indenização para apoiar a transição profissional dos demitidos.

A Keeta também disse que continuará trabalhando com restaurantes, autoridades e parceiros locais para defender um mercado mais aberto, competitivo e sustentável no país.

A operação brasileira da Keeta começou de forma experimental no litoral paulista e ganhou escala em São Paulo a partir de 1º de dezembro, com investimento inicial de R$ 1 bilhão.

Além da capital, a plataforma já se expandiu para cidades como Guarulhos, Osasco, Barueri, Diadema, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Itaquaquecetuba.

Para o Rio, o plano divulgado previa R$ 400 milhões em aportes.

Investimento bilionário no Brasil segue mantido

A empresa chegou ao país com discurso agressivo de expansão e uma meta de longo prazo que chamou atenção do mercado.

Segundo seus executivos, o compromisso de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil permanece “firme e inalterado”, apesar da pausa no Rio.

Ainda assim, o recuo na segunda praça mais simbólica do plano brasileiro representa o primeiro grande teste público para a estratégia da Meituan no país.

Esse movimento coincidiu com uma pressão adicional sobre a controladora chinesa.

Em 4 de março de 2026, a S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Meituan de A- para BBB+, com perspectiva negativa, e avaliou que a companhia deve reduzir o ritmo de expansão da Keeta.

A agência citou o aumento da competição no mercado chinês, a pressão sobre margens e a menor capacidade de geração de caixa.

Rebaixamento da Meituan amplia pressão sobre a operação

A Keeta, porém, tenta separar os dois planos de pressão.

Publicamente, a empresa sustenta que o recuo no Rio decorre de dificuldades locais para estruturar uma operação competitiva, e não de abandono do mercado brasileiro.

O discurso oficial é o de concentrar recursos em São Paulo, amadurecer o serviço e só depois retomar a expansão geográfica em condições consideradas mais favoráveis.

Para o setor, o episódio expõe o tamanho da barreira de entrada no delivery brasileiro, mesmo para um grupo com musculatura global, caixa relevante e disposição para subsidiar a operação.

Para os trabalhadores dispensados, a ruptura veio antes de a promessa de crescimento se consolidar no Rio.

Para restaurantes e concorrentes, a pausa da Keeta recoloca em evidência a disputa por escala, exclusividade e poder de distribuição num mercado em que a expansão depende menos do anúncio e mais da execução.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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