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Peixe declarado extinto, o Sympterichthys unipennis “andava” pelo fundo do mar, tinha uma aparência incomum, media cerca de 15 cm, barbatanas pontiagudas, vivia na costa da Tasmânia e desapareceu há mais de 200 anos

Publicado em 26/01/2026 às 07:57
Atualizado em 26/01/2026 às 07:58
Assista o vídeoO peixe-mão liso (Sympterichthys unipennis) foi oficialmente declarado extinto pela IUCN. Entenda o que levou ao desaparecimento da espécie e os impactos ambientais.
O peixe-mão liso (Sympterichthys unipennis) foi oficialmente declarado extinto pela IUCN. Entenda o que levou ao desaparecimento da espécie e os impactos ambientais. Imagem: © CSIRO/Wikimedia Commons
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O peixe-mão liso (Sympterichthys unipennis) foi oficialmente declarado extinto pela IUCN. Entenda o que levou ao desaparecimento da espécie e os impactos ambientais.

O peixe-mão liso, conhecido cientificamente como Sympterichthys unipennis, foi oficialmente declarado extinto em maio pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A decisão histórica marca a primeira vez, na era moderna, que uma espécie de peixe marinho recebe essa classificação.

O animal não é visto desde 1802, quando foi registrado pela última vez próximo à costa da Tasmânia, no sul da Austrália. A constatação ocorreu após décadas de buscas sem sucesso e análises científicas detalhadas.

Segundo especialistas, a combinação entre mudanças climáticas, degradação ambiental e características biológicas da espécie explica o desaparecimento.

Por isso, o caso se tornou um alerta urgente sobre o futuro de outros organismos marinhos vulneráveis.

Peixe-mão liso é declarado extinto após mais de 200 anos sem registros

O peixe-mão liso fazia parte de um grupo raro de peixes conhecidos como peixes-mão. Eles recebem esse nome porque utilizam nadadeiras adaptadas, semelhantes a pequenas mãos, para “caminhar” pelo fundo do mar em vez de nadar longas distâncias.

Além disso, o Sympterichthys unipennis tinha uma aparência incomum. Media cerca de 15 centímetros, possuía barbatanas pontiagudas e uma saliência na testa que lembrava uma pequena barbela.

Essa combinação fez com que o peixe fosse descrito, de forma quase poética, como um animal peculiar e carismático, apesar de pouco conhecido.

O único exemplar conhecido do peixe-mão liso foi coletado em 1802 pelo biólogo francês François Péron. Na época, ele integrava uma expedição científica que explorava a fauna marinha da região da Tasmânia. O espécime foi levado ao Museu de História Natural de Paris, onde permanece até hoje.

Desde então, nenhum outro indivíduo foi encontrado. Mesmo com expedições modernas, uso de mergulho científico e tecnologias avançadas, o peixe-mão liso jamais voltou a ser avistado.

Isso levou os pesquisadores a concluírem que a espécie realmente desapareceu da natureza.

Por que o peixe-mão liso foi considerado extinto?

A classificação de extinto não acontece de forma simples. Para que isso ocorra, é necessário um consenso científico baseado em longos períodos sem registros confiáveis, mesmo após buscas intensivas.

No caso do peixe-mão liso, passaram-se mais de dois séculos sem qualquer evidência de sua existência. A IUCN avaliou dados históricos, relatos científicos e levantamentos recentes antes de tomar a decisão. Assim, o desaparecimento foi considerado definitivo.

Características biológicas aumentaram a vulnerabilidade da espécie

Um dos principais fatores que contribuíram para a extinção do peixe-mão liso foi seu comportamento altamente sedentário. Diferente de outros peixes, ele não se deslocava por grandes áreas e vivia restrito a regiões específicas e rasas da costa da Tasmânia.

O peixe-mão liso (Sympterichthys unipennis) foi oficialmente declarado extinto pela IUCN. Entenda o que levou ao desaparecimento da espécie e os impactos ambientais.
Único exemplar já registrado do peixe-mão liso (Sympterichthys unipennis), capturado em 1802 e posteriormente transportado para a França pelo biólogo François Péron.. Imagem: CSIRO Australian National Fish Collection

Além disso, seus filhotes não passavam por uma fase larval amplamente dispersa, comum em muitos peixes marinhos. Isso significa que, se uma população local fosse eliminada, dificilmente seria reposta naturalmente. Portanto, qualquer impacto ambiental tinha efeitos devastadores e duradouros.

Poluição e destruição do habitat agravaram a situação

Com o avanço da ocupação humana na Tasmânia, os ambientes costeiros começaram a sofrer alterações profundas. O despejo de resíduos industriais, incluindo metais pesados, comprometeu a qualidade da água em estuários e áreas rasas — justamente os habitats preferidos dos peixes-mão.

Além disso, atividades como a pesca de vieiras e a destruição de recifes de ostras modificaram o fundo marinho. Essas mudanças afetaram diretamente espécies sensíveis, como o peixe-mão liso, que dependia de ambientes estáveis para sobreviver.

Aquecimento dos oceanos é apontado como a maior ameaça

Entre todos os fatores, o aquecimento das águas é considerado o mais preocupante. Desde 1900, a temperatura do oceano na Tasmânia subiu quase dois graus Celsius. Embora esse número pareça pequeno, ele é suficiente para alterar drasticamente ecossistemas marinhos frios.

O peixe-mão liso era adaptado a águas mais geladas. Com o avanço de correntes quentes vindas do norte da Austrália, seu território foi encolhendo progressivamente. Sem capacidade de migrar para regiões mais frias, a espécie acabou encurralada até desaparecer.

Outras espécies de peixe-mão também estão em risco

O desaparecimento do peixe-mão liso não é um caso isolado. Atualmente, existem outras treze espécies conhecidas de peixe-mão, a maioria restrita à Tasmânia. No entanto, quase todas são consideradas ameaçadas, criticamente ameaçadas ou classificadas como “dados deficientes”.

Sete dessas espécies não são avistadas desde o ano 2000 ou antes, o que preocupa os pesquisadores. Segundo especialistas, o peixe-mão liso funciona como um sinal de alerta para o que pode acontecer se medidas urgentes não forem adotadas.

Projetos de conservação tentam evitar novas extinções

Atualmente, apenas três espécies de peixe-mão contam com planos de conservação estruturados: o peixe-mão vermelho, o peixe-mão manchado e o peixe-mão-de-ziebell. Entre eles, o peixe-mão vermelho é o mais ameaçado, com menos de cem indivíduos adultos conhecidos.

As estratégias incluem monitoramento constante, proteção do habitat e até a instalação de substratos artificiais no fundo do mar. Esses materiais ajudam os peixes a depositar seus ovos, substituindo algas e organismos naturais que foram destruídos por espécies invasoras.

Falta de dados dificulta a proteção das espécies marinhas

Apesar dos esforços, os cientistas enfrentam grandes desafios. Muitas espécies de peixe-mão são raras, discretas e difíceis de localizar. Isso torna a coleta de dados lenta e cara. Sem informações suficientes, fica complicado criar políticas eficazes de preservação.

Para contornar esse problema, pesquisadores têm investido em novas tecnologias, como a detecção de DNA ambiental na água do mar. Essa técnica permite identificar a presença de espécies sem a necessidade de avistá-las diretamente.

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Extinção do peixe-mão liso deixa lições importantes

A extinção do peixe-mão liso (Sympterichthys unipennis) representa mais do que a perda de uma única espécie.

Ela simboliza os impactos silenciosos das mudanças ambientais nos oceanos e a fragilidade de ecossistemas pouco visíveis ao olhar humano. Além disso, o caso reforça a urgência de investir em ciência, monitoramento e conservação.

Como muitos desses animais vivem longe dos olhos da sociedade, seus declínios podem passar despercebidos até que seja tarde demais.

O desaparecimento do peixe-mão liso, portanto, é um lembrete claro de que proteger a biodiversidade marinha não é uma opção, mas uma necessidade imediata.

Com informações do National Geographic Brasil.

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Andriely Medeiros de Araújo

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