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Pedreiro de 49 anos entra no tribunal sem advogado, faz a própria defesa na Justiça do Trabalho em Manaus, arranca elogio dos juízes, ganha R$ 21 mil na causa e ainda sai com bolsa integral para cursar Direito

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 17/09/2026 às 14:34
O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa sem advogado no TRT de Manaus, ganhou cerca de R$ 21 mil e ainda conquistou uma bolsa integral de Direito.
O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa sem advogado no TRT de Manaus, ganhou cerca de R$ 21 mil e ainda conquistou uma bolsa integral de Direito.
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O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa na Justiça do Trabalho de Manaus, sem advogado. Em 17 de agosto, impressionou os juízes do TRT-11 com a sustentação oral. A turma reconheceu o vínculo, mandou pagar cerca de R$ 21 mil e ele ganhou bolsa de Direito.

O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, entrou no tribunal sem advogado e fez a própria defesa em um processo trabalhista em Manaus (AM). Sem formação em Direito, ele convenceu os desembargadores, ganhou cerca de R$ 21 mil na causa e ainda saiu com uma bolsa integral para cursar Direito.

As informações foram publicadas pelo Correio Braziliense em 13 de setembro de 2026. Segundo a reportagem, a sustentação oral de Edilson diante dos juízes do TRT-11 foi parar no YouTube e virou um caso comentado.

Disputa começou após trabalho numa obra de Manaus entre 2023 e 2024

O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa sem advogado no TRT de Manaus, ganhou cerca de R$ 21 mil e ainda conquistou uma bolsa integral de Direito.
O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa sem advogado no TRT de Manaus, ganhou cerca de R$ 21 mil e ainda conquistou uma bolsa integral de Direito.

A disputa começou depois que Edilson trabalhou para uma construtora entre setembro de 2023 e abril de 2024. Ele fazia a troca de pastilhas e revestimentos na área externa de um edifício de 15 andares, com acesso por cordas.

Ao fim do período, a empresa alegou que ele atuava de forma autônoma ou avulsa. Foi assim que a construtora tentou não reconhecer o vínculo empregatício.

Primeiro advogado perdeu prazos e a ação foi encerrada

No início, o caso era acompanhado por um advogado. Mas o profissional perdeu prazos processuais, e a ação anterior foi encerrada sem análise do mérito.

“Ele não me avisou nada, e eu também não queria mais esse problema”, relatou Takahara. O revés poderia ter encerrado a briga, mas foi ali que o pedreiro decidiu seguir sozinho.

Edilson descobriu o Jus Postulandi e decidiu se defender sozinho

O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa sem advogado no TRT de Manaus, ganhou cerca de R$ 21 mil e ainda conquistou uma bolsa integral de Direito.
O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa sem advogado no TRT de Manaus, ganhou cerca de R$ 21 mil e ainda conquistou uma bolsa integral de Direito.

Decidido a não desistir, Edilson descobriu o Jus Postulandi. É um dispositivo previsto na CLT que permite ao empregado ou ao empregador atuar pessoalmente na Justiça do Trabalho, sem advogado, dentro de certos limites.

Com essa possibilidade na mão, o pedreiro resolveu assumir a própria defesa. A partir dali, começou a estudar o caso a fundo para enfrentar a construtora.

Do celular ao computador usado: como o pedreiro se preparou

“Eu tinha apenas o celular e a vontade de aprender”, conta Takahara. Para montar a defesa, ele leu a legislação, pesquisou decisões anteriores, conversou com advogados e buscou tutoriais na internet para dominar as ferramentas do processo.

O pedreiro também precisou comprar um computador, tirar um certificado digital e aprender a usar o sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe). “Minha esposa conseguiu um empréstimo, e graças a ele foi possível comprar um computador usado em bom estado”, contou ao Correio.

Em 17 de agosto, ele fez história na tribuna do TRT-11

Em 17 de agosto, Takahara se representou na tribuna da Segunda Turma do TRT-11, responsável pela jurisdição do Amazonas e de Roraima. Segundo o tribunal, foi a primeira vez na história do colegiado que um trabalhador fez pessoalmente uma sustentação oral.

Para aquele momento, Edilson tinha resumido o processo, anotado quatro pontos que queria abordar e escolhido os dois argumentos que considerava mais fortes. “Eu sempre gostei muito de falar, então deduzi que conseguiria, mas mesmo confiante ensaiei para não me perder na apresentação dos argumentos”, detalhou.

“Como um pedreiro em cordas pode ser autônomo?”, questionou aos juízes

Durante a fala, Edilson questionou a tese de trabalho autônomo defendida pela construtora. “Como um pedreiro que sobe lá no alto do prédio em cordas pode ser autônomo e trabalhar sem a orientação de uma equipe?”, indagou aos magistrados.

Ele argumentou que o serviço dependia de uma equipe e seguia as orientações diretas do engenheiro e do encarregado da obra. Era a base para provar que existia, sim, um vínculo de emprego.

Fotos, áudios e vídeos de treinamento sustentaram a defesa

Como provas, Edilson apresentou fotos dos sete meses de serviço na obra e vídeos de treinamentos de segurança promovidos pela própria construtora. Também levou mensagens e áudios sobre a dispensa e os acertos financeiros.

Além disso, juntou comprovantes de transferências bancárias. Todo esse material serviu para mostrar que a relação com a empresa tinha as características de um emprego formal.

“Pode mudar de profissão”, disse o relator do processo

A organização dos argumentos impressionou o tribunal. O relator do processo, o juiz do Trabalho Sandro Nahmias Melo, elogiou a sustentação em público. “Pode mudar de profissão, porque a lógica de argumentos acabou sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido de outros patronos”, declarou.

Outro integrante do colegiado, o juiz Audari Matos Lopes, destacou a importância do momento para a cidadania. Ele comparou a trajetória de Edilson à de figuras que atuaram no direito sem formação acadêmica, como Luiz Gama e Alexander Hamilton.

Turma reconheceu o vínculo e mandou pagar cerca de R$ 21 mil

Por unanimidade, a Segunda Turma manteve a decisão favorável ao trabalhador e rejeitou o recurso da construtora. O vínculo empregatício foi reconhecido.

Com isso, o tribunal determinou o pagamento de aviso-prévio, 13º salário, férias e multa, que somam cerca de R$ 21 mil. Foi o fim vitorioso de uma briga que Edilson conduziu sozinho.

Palestra na Famec terminou com uma bolsa integral de Direito

A repercussão da história levou Edilson a ser convidado para palestrar para estudantes de Direito da Faculdade Metropolitana de Ciências e Tecnologia (Famec), em 31 de agosto. Ao fim do evento, a instituição o surpreendeu com uma bolsa de estudos integral para a graduação em Direito.

O pedreiro chegou a cogitar recusar, porque não planejava seguir a carreira jurídica tradicional. Mas mudou de ideia por ser apaixonado por aprender. “Durante toda a minha vida sempre tive a curiosidade de aprender”, conta.

Aulas começaram em 3 de setembro, mas ele não vai largar a obra

Edilson começou as aulas no turno da noite em 3 de setembro. Mesmo assim, ele garante que não vai abandonar a obra de imediato. “Não vou sair da obra, estou iniciando o curso conciliando com os clientes os horários”, afirmou.

Hoje mestre de obras, o pedreiro acredita que o curso pode somar à profissão e até ajudá-lo a gerenciar projetos na construção civil. “Acredito que esse novo curso pode somar conhecimentos valiosos à minha profissão”, disse, agora conciliando os estudos à noite com o atendimento aos clientes.

E você, teria coragem de fazer a própria defesa na Justiça, sem advogado, como o pedreiro Edilson fez? Deixe sua opinião nos comentários

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Bruno Teles

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