Davi acompanhava a coleta havia meses quando decidiu que queria comemorar seus 3 anos justamente com os trabalhadores que passavam diante de casa
Durante meses, Davi de Souza Teles esperou pelo barulho do caminhão de coleta na rua onde mora, em Padre Bernardo, Goiás. Quando completou 3 anos, em 7 de julho de 2025, o menino não pediu uma festa com personagens ou super-heróis.
Ele queria comemorar com os garis que via passar todas as semanas. A mãe, Rafaela de Souza Miranda Teles, decidiu realizar o pedido: montou uma mesa de café da manhã na calçada e esperou pela equipe.
Os trabalhadores não sabiam que seriam os convidados.
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A paixão pelos caminhões começou quando Davi ainda era bebê
Segundo Rafaela, o interesse do filho por caminhões começou quando ele tinha aproximadamente seis meses.
Com o passar do tempo, Davi também passou a prestar atenção nos profissionais que faziam a coleta. Entre o fim de 2024 e o início de 2025, tornou-se comum ele esperar o veículo chegar, cumprimentar os garis e observar o trabalho.
Quando escutava o caminhão se aproximando, queria ir para a porta de casa.
Seis meses antes, ele já havia escolhido o tema
A decisão sobre o aniversário apareceu cedo.
Em janeiro de 2025, cerca de seis meses antes de Davi completar 3 anos, Rafaela começou a apresentar diferentes possibilidades de temas para a comemoração.
O menino não demonstrou dúvida.
“Mãe, quero caminhão de lixo.”
Em outra entrevista, a mãe reproduziu a forma como ele fez o pedido:
“Quero aniversário do Davi caminhão de lixo.”
A ideia não mudou nos meses seguintes.
Em casa, ele colecionava miniaturas e brincava de fazer a coleta
Davi também transformava o interesse em brincadeira.
O menino mantinha uma coleção de caminhões em miniatura, alguns comprados pelo pai, e imitava aquilo que observava na rua.
Durante as brincadeiras, chegava a recolher pequenas pedras como se estivesse fazendo a própria coleta. O pai, que não participou do café da manhã porque estava viajando, também incentivava a paixão do filho pelos veículos.
O aniversário caiu exatamente em um dia de coleta

Na região onde a família mora, o caminhão costumava passar às segundas, quartas e sextas-feiras.
O aniversário de Davi, em 7 de julho de 2025, caiu em uma segunda-feira.
Rafaela percebeu que não seria necessário levar o filho até outro lugar. Bastaria esperar pelos trabalhadores que já faziam parte da rotina dele.
A família preparou então uma mesa na calçada, com bolo, pães, quitandas, bebidas e outros alimentos para receber a equipe.
A mesa estava pronta, mas o caminhão atrasou
Havia um detalhe: os garis não tinham sido avisados sobre a surpresa.
Rafaela conhecia aproximadamente o horário em que a equipe costumava passar, mas não tinha garantia de que isso aconteceria naquele momento.
“Montamos a mesa na calçada de casa mesmo e aguardamos. Geralmente eles passam entre 7h e 7h30.”
O horário habitual passou e o caminhão ainda não havia aparecido.
Enquanto algumas pessoas perguntavam o que aconteceria caso a equipe não chegasse, a família continuou esperando.
Perto das 8h, Davi finalmente viu o caminhão
A espera terminou perto das 8h.
Quando o veículo entrou na rua, Davi reconheceu imediatamente o caminhão que acompanhava havia meses.
O menino tentou chamar os trabalhadores:
“Vem tomar café com nós!”
Mas, quando os garis realmente desceram e caminharam em direção à mesa, a animação deu lugar à timidez.
“Ele ficou feliz e ao mesmo tempo sem graça por eu estar filmando.”
Jailton e Renildo não faziam ideia da surpresa
Os trabalhadores eram Jailton Pereira de Morais, de 32 anos, e Renildo Ferreira de Jesus, de 34 anos.
Os dois cumpriam normalmente a rota de coleta e não sabiam que uma família os aguardava para uma comemoração.
Ao chegarem, interromperam o trabalho por alguns minutos, cumprimentaram o aniversariante e se sentaram para participar do café preparado na calçada.
Para Davi, eram os mesmos homens que ele observava passar diante de casa durante a semana. Para os dois garis, aquele seria um trecho completamente diferente da rota habitual.
Depois do café, ele entrou no caminhão que tanto observava
A surpresa ainda não havia terminado.
Davi conseguiu entrar no caminhão de coleta e tirar fotografias com os trabalhadores.
O veículo que durante meses ele acompanhava apenas do lado de fora agora fazia parte da própria comemoração de aniversário.
A cena também ajudou a explicar por que o menino havia rejeitado outros temas quando a mãe perguntou como ele queria festejar os 3 anos.
“O presente quem ganhou fomos nós”
Os trabalhadores disseram que não esperavam encontrar algo semelhante durante a rotina.
“Acordar de manhã todos os dias e, de repente, virar uma rua e ver algo inesquecível, sem saber de nada, é uma alegria imensa. Saber que o pequeno Davi está fazendo aniversário à nossa espera. O presente quem ganhou fomos nós, com um gesto de amor e carinho, é muito gratificante. Isso vai me marcar pelo resto da vida. O que ele fez não tem preço”.
A comemoração havia sido organizada para realizar o desejo de Davi, mas acabou surpreendendo justamente os convidados.
A mãe gravou a cena sem imaginar a repercussão

Rafaela registrou o encontro, mas afirmou que não planejava transformar aquele momento em um vídeo viral.
“O vídeo não foi intencional, foi algo muito simples.”
Depois de publicado, porém, o registro começou a circular rapidamente pelas redes sociais.
Em uma das primeiras medições divulgadas pelo Mais Goiás, a publicação já acumulava cerca de 111 mil visualizações e 11 mil curtidas no Instagram. Republicações também alcançaram números maiores em outras plataformas.
“Muita gente comentou que ficou emocionada. É bom demais fazer o bem e ver a felicidade deles também”.
“O aniversário é dele, mas o presente é nosso”
Ao compartilhar o vídeo, Rafaela também agradeceu aos profissionais pelo modo como tratavam o filho durante as passagens semanais.
“O aniversário é dele, mas o presente é nosso.”
O gerente da empresa responsável pela coleta, Lázaro Marques, de 39 anos, também comentou a homenagem.
“O trabalho que a gente faz é tão importante quanto o de um médico ou de um mecânico. Se a população ficar sem coleta de lixo por três dias, haverá mau cheiro e lixo espalhado. Acho que as pessoas precisam ter um pouco mais de carinho, assim como Davi”.
Os garis voltaram a ser convidados pela família
O encontro daquela segunda-feira não encerrou a história.
Depois do café na calçada, a família manteve contato com os trabalhadores e os convidou para outra celebração do aniversário de Davi.
O menino que durante meses esperava o caminhão passar acabou transformando aquela rotina em uma relação muito mais próxima.
Para Jailton e Renildo, o que parecia ser apenas mais uma manhã de coleta terminou com uma mesa preparada na calçada, um aniversariante de 3 anos esperando por eles e uma lembrança que um dos trabalhadores resumiu em uma frase: “Isso vai me marcar pelo resto da vida.”
