Kit removível criado nos Estados Unidos promete converter bicicleta comum em elétrica ao acoplar motor diretamente no freio a disco, com até 1.250 W de potência e bateria de 300 Wh, sem troca de roda e com proposta de uso alternado entre modo assistido e analógico.
Um kit removível da empresa norte-americana Bimotal promete transformar uma bicicleta comum em elétrica sem trocar a roda e sem instalar um motor fixo no quadro, ao acoplar a tração diretamente na região do freio a disco por meio do sistema chamado Elevate.
Batizado de Elevate, o conjunto combina uma unidade motriz encaixada perto da pinça, uma bateria externa de 300 Wh presa ao quadro e um comando no guidão, com limite de velocidade de 20 milhas por hora no padrão “class 2” adotado nos Estados Unidos.
Como o Elevate transmite força à roda pelo disco
Em vez de usar um cubo motorizado ou um motor central no movimento, a Bimotal afirma que o Elevate transfere potência ao girar a roda via engrenagem, explorando a área do rotor de freio e mantendo o restante da bicicleta como originalmente.
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Para isso, o kit depende de uma peça que substitui o disco tradicional: o rotor-gear, um rotor dentado que recebe o contato de uma engrenagem de saída da unidade motriz quando o motor é encaixado no suporte.

Segundo a própria fabricante, o rotor-gear usa interface ISO de seis parafusos e pode ser usado em cubos do tipo centerlock com adaptador, ampliando as possibilidades de montagem em bicicletas que já utilizam freios a disco.
Ainda assim, a frenagem não sai de cena: a desaceleração continua sob responsabilidade do sistema hidráulico da bike, enquanto o conjunto dentado serve como ponto de acoplamento do motor para gerar tração na roda.
Potência, torque e upgrade para 1.250 W
Na configuração padrão, a Bimotal anuncia potência de 750 W e torque máximo de até 70 Nm, com 50 Nm de torque contínuo, um patamar que coloca o kit acima de soluções compactas focadas apenas em assistência leve.
Além da versão padrão, a empresa comercializa uma opção “MAX” e também um serviço de upgrade que habilita potência total de 1.250 W, apresentado como acréscimo de 500 W em relação ao conjunto original.
Na prática, esse formato reforça a proposta de oferecer assistência forte quando necessário e permitir que o ciclista retorne ao modo analógico em poucos segundos, retirando motor e bateria para transportar ou usar em outra bicicleta compatível.
Autonomia declarada e variações conforme o uso
A bateria de 300 Wh é instalada no quadro em um suporte que aproveita pontos comuns de fixação, como os usados em suportes de caramanhola, e a Bimotal associa o alcance a condições típicas do ciclismo fora de estrada.

Nos materiais da empresa, aparecem diferentes faixas de autonomia, com menção a 10 a 15 milhas como alcance típico e, em outra página institucional, referência a 10 a 20 milhas por carga, sempre com ressalvas sobre terreno e modo de condução.
Um teste do site especializado The Loam Wolf também destacou essa variabilidade e citou números de alcance divulgados pela marca em termos de distância e ganho de elevação, além de apontar que o comportamento depende do quanto se usa o acelerador.
Compatibilidade exige checagem do freio e do quadro
Por operar junto ao disco, o Elevate impõe requisitos de espaço e de padrão de montagem, e a própria Bimotal descreve que o quadro precisa oferecer folga para a unidade motriz e o conjunto de freio deve atender a critérios específicos.
De acordo com o The Loam Wolf, o kit exige pinças hidráulicas de quatro pistões e tende a pedir um rotor maior do que o mínimo suportado pelo quadro, combinação que pode limitar a instalação em bikes de estrada e em algumas urbanas.
A empresa também admite a possibilidade de uso na roda dianteira, mas recomenda a roda traseira sempre que possível por causa do “torque steer”, efeito em que a direção pode puxar sob aceleração quando a tração fica na frente.
Peso do sistema, controle e proposta de uso alternado
Em peso, a Bimotal informa cerca de 8,8 libras no sistema instalado, algo próximo de 4 kg, e detalha a divisão com 1,50 kg para a unidade motriz e 1,55 kg para a bateria, além do kit de fixação e cabos.
O acionamento pode ser feito por acelerador no guidão e por aplicativo, e o discurso da empresa insiste em “eletrificar a bike que o ciclista já gosta”, preservando a possibilidade de remover o conjunto em descidas técnicas ou onde regras locais restrinjam e-bikes.
Reconhecimento internacional e preço do kit
O Elevate ganhou projeção ao entrar na lista Best Inventions de 2024 da revista Time, que descreveu o dispositivo como um motor compacto capaz de transformar uma bicicleta em e-bike e citou interesse de equipes de busca e resgate.
No site da Bimotal, o kit aparece com preço de US$ 2.195 na versão padrão e US$ 2.595 na versão MAX, enquanto a empresa também lista um “Search and Rescue Motor System” separado, com valor mais alto, voltado a esse tipo de aplicação.
Ao apostar num motor destacável e numa transmissão pelo rotor do freio, a proposta se diferencia de conversões por roda motorizada e de sistemas centrais mais invasivos, mas também coloca a compatibilidade como etapa decisiva antes da compra e do uso.
Se kits removíveis com potência de e-bike completa ganharem escala, quantos ciclistas vão preferir transformar a própria bicicleta em dois veículos diferentes, alternando entre o modo elétrico e o analógico, em vez de comprar uma e-bike dedicada?


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