Negociação sobre energia de Itaipu reacende disputa internacional e pressiona acordo entre Brasil e Paraguai
A possibilidade de o Paraguai redirecionar parte do excedente de energia de Itaipu para interesses ligados aos Estados Unidos voltou ao debate depois de declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, em maio de 2025, em meio às negociações entre Assunção e Brasília sobre as regras comerciais e financeiras da usina.
Itaipu tem potência instalada de 14 mil megawatts e opera sob regime binacional. Brasil e Paraguai têm direito a 50% da energia gerada.
Energia de Itaipu no centro da relação entre Brasil e Paraguai
O tema ganhou repercussão porque o Tratado de Itaipu prevê que, quando um dos sócios não usa integralmente a sua parcela, o excedente precisa ser cedido ao outro país, dentro das condições definidas no chamado Anexo C.
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Esse anexo trata da base financeira da operação e das regras de comercialização.
Estava previsto para revisão após 50 anos de vigência, a partir de 2023.
Declarações dos EUA sobre Itaipu ampliam repercussão internacional
Em audiência pública nos Estados Unidos, em maio de 2025, Rubio citou o Paraguai como exemplo de país com energia abundante e mencionou a discussão sobre o destino do excedente de Itaipu.
Na ocasião, ele afirmou que os EUA deveriam “estar na mesa” em parcerias com países que dispõem dessa eletricidade.
Disse ainda que “o Paraguai estava em um acordo de longo prazo com o Brasil” e que esse acordo havia expirado, enquanto os paraguaios buscavam uma solução para a energia disponível.

A fala, porém, não altera automaticamente as regras do empreendimento.
Itaipu é regida por tratado internacional entre os dois países.
Qualquer mudança relevante no formato de comercialização precisa passar por negociações bilaterais.
Também depende de decisões internas de cada governo e do arcabouço jurídico do setor elétrico.
Revisão do Anexo C e impasse diplomático recente
Brasil e Paraguai chegaram a um entendimento bilateral em abril de 2024 como base para a revisão do Anexo C.
A expectativa era construir um acordo definitivo que reorganizasse custos e desse previsibilidade para a tarifa da energia de Itaipu.
Esse processo teria impacto direto sobre o setor elétrico e sobre as receitas paraguaias.
As conversas, no entanto, sofreram um novo abalo em 2025.
O Paraguai suspendeu as negociações após denúncias de ações de espionagem relacionadas ao tema.
Em nota conjunta divulgada em 17 de novembro de 2025, os chanceleres Mauro Vieira e Rubén Ramírez Lezcano informaram que o governo paraguaio considerou o assunto encerrado depois de receber explicações e um relatório.
No mesmo documento, os dois países concordaram em retomar, na primeira quinzena de dezembro de 2025, as negociações sobre a revisão do Anexo C.
A retomada foi baseada no entendimento bilateral firmado em abril de 2024.
Repercussão política e resposta do governo brasileiro
No comunicado oficial, o lado brasileiro afirmou que “tornou sem efeito” a operação assim que tomou conhecimento dela.
O texto também registra que o governo brasileiro está adotando medidas para identificar os responsáveis.
Segundo a nota, o objetivo é viabilizar a responsabilização judicial.
O Brasil reconheceu o impacto do episódio na relação bilateral com o Paraguai.

Como funciona a divisão da energia de Itaipu
Itaipu divide a produção igualmente entre Brasil e Paraguai.
Na prática, o Paraguai historicamente não consome toda a energia a que tem direito.
O excedente é transferido ao mercado brasileiro.
Esse modelo transforma a usina em ativo estratégico para o abastecimento do Brasil.
Ao mesmo tempo, representa fonte relevante de receitas para o Paraguai.
Nos últimos anos, a discussão sobre o excedente ganhou nova dimensão.
O Paraguai busca ampliar o aproveitamento interno da sua parcela de energia.
Projetos industriais e aumento da demanda doméstica fazem parte desse movimento.
Interesse internacional e limites do tratado binacional
Cresce também o interesse global por eletricidade firme e relativamente barata.
Esse interesse envolve setores de alto consumo, como centros de processamento de dados e infraestruturas digitais.
Ainda assim, a interpretação de que os EUA poderiam “assumir o lugar do Brasil” simplifica o funcionamento do acordo.
A energia de Itaipu não é um ativo que possa ser substituído por um terceiro país por decisão política isolada.
O que existe é uma disputa de influência e de mercado.
Essa disputa se concentra em como o excedente pode ser contratado, precificado e utilizado no futuro.
O que está em jogo para os dois países

Para o Brasil, Itaipu é uma das peças centrais do sistema elétrico nacional.
A usina tem efeito direto sobre a oferta de energia e sobre a tarifa em determinados cenários.
Para o Paraguai, o peso é ainda mais expressivo.
Itaipu é fundamental para a matriz energética e para a estrutura de receitas associadas a royalties e compensações.
O debate sobre o novo Anexo C envolve custo de operação, tarifa e regras de contratação.
Também discute o espaço para novos modelos de comercialização.
A atenção internacional se concentra nesse momento de transição.
A revisão do anexo é vista como janela para redesenhar mecanismos que definem quem compra o excedente.
Esses mecanismos também estabelecem em quais condições e com que flexibilidade a energia será negociada.
Próximos movimentos e expectativa sobre o acordo
Se a renegociação avançar com previsibilidade e regras claras, Brasil e Paraguai tendem a manter o controle sobre o destino da energia.
Também preservam os termos centrais da parceria.
Se o processo se prolongar ou sofrer novas crises políticas, o interesse de agentes externos tende a crescer.
Esse movimento inclui oportunidades comerciais e investimentos associados à oferta energética.
Com a retomada formal das tratativas anunciada para dezembro de 2025, a expectativa se volta para o desfecho das negociações.
Brasil e Paraguai precisam transformar o entendimento bilateral em um texto final da revisão do Anexo C.
A definição desse novo arranjo pode reduzir tensões históricas sobre preços, excedentes e governança: o que cada lado está disposto a ceder para fechar esse capítulo sem abrir espaço para novos impasses?

a CPG, manda uma matéria com um monte de empecilhos, que fica difícil de ler…muita propaganda
Não bem assim não , fechar contrato com EUA ,na lá eu dos dois países em 1965 quando começou a discussão por construir , a usina existe m termo de ajustamento entre os dois países ,q tava em paz até pós Bolsonaro entrar na discussão tentando infiltrar nas relações bilaterais, onde este strume por o dedo pode ter certeza tem maracutaia, foi assim com a distribuidora Petrobras, com udinabpeyro no Paraná, na Bahia e outros só deu pra milionário em troca de jóias de comissão.
O nove dedo tá e lascado com USA ele botou a mão dentro de um vespeiro arrumando confusão agora se lascou
Tá botando a culpa no Bolsonaro?
Cuidado se sua mulher aparecer grávida pode ter sido ele também kkkkk!
O PT está quebrando todas as estatais e você seu ****, vem com narrativa, mentira, caso não saiba o que é narrativa, para jogar a culpa nos outros, **** é tudo igual, acusa os outros das **** que ele faz!
Pqp, mais de 20 anos o partido das **** governando e a culpa é do Bolsonaro? Vc tem extrume na cabeça?
Que me conste, foi o governo Lula que enviou agentes da ABIN para levantar quem seriam os paraguaios responsáveis pelas tratativas do acordo binacional para cooptá-los, via suborno. A CIA norte-americana entregou a patacoada ao governo paraguaio, que suspendeu as negociações. Tenho certeza que as bigtech americanas de inteligência artificial, compondo com o governo americano, irão fazer propostas irrecusáveis ao governo paraguaio. Avalanches de dólares e desenvolvimento do país. É lembrar o que aconteceu com a Europa e o Japão pós II GM, Coreia do Sul após a guerra da Coreia e o Panamá após a prisão de Manoel Noriega. O Brasil está caminhando para uma situação de insolvência. Lula falou que, em 2027, não haverá mais dinheiro. Como o Brasil vai pagar a energia excedente de Itaipu ao Paraguai?
O contrato da distribuição entre os dois países expirou. Então o Paraguai pode negociar o excedente com quem quiser.
Não pode. O Excedente só pode ser negociado entre os dois países.