1. Início
  2. / Economia
  3. / Paraguai pode deixar Brasil de lado e se unir aos EUA em acordo bilionário pela energia de Itaipu, rompendo parceria histórica e colocando em risco os 14 GW da maior usina binacional do mundo
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 12 comentários

Paraguai pode deixar Brasil de lado e se unir aos EUA em acordo bilionário pela energia de Itaipu, rompendo parceria histórica e colocando em risco os 14 GW da maior usina binacional do mundo

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/01/2026 às 15:39
Atualizado em 07/01/2026 às 15:44
Paraguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.
Paraguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
96 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Negociação sobre energia de Itaipu reacende disputa internacional e pressiona acordo entre Brasil e Paraguai

A possibilidade de o Paraguai redirecionar parte do excedente de energia de Itaipu para interesses ligados aos Estados Unidos voltou ao debate depois de declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, em maio de 2025, em meio às negociações entre Assunção e Brasília sobre as regras comerciais e financeiras da usina.

Itaipu tem potência instalada de 14 mil megawatts e opera sob regime binacional. Brasil e Paraguai têm direito a 50% da energia gerada.

Energia de Itaipu no centro da relação entre Brasil e Paraguai

O tema ganhou repercussão porque o Tratado de Itaipu prevê que, quando um dos sócios não usa integralmente a sua parcela, o excedente precisa ser cedido ao outro país, dentro das condições definidas no chamado Anexo C.

Esse anexo trata da base financeira da operação e das regras de comercialização.

Estava previsto para revisão após 50 anos de vigência, a partir de 2023.

Declarações dos EUA sobre Itaipu ampliam repercussão internacional

Em audiência pública nos Estados Unidos, em maio de 2025, Rubio citou o Paraguai como exemplo de país com energia abundante e mencionou a discussão sobre o destino do excedente de Itaipu.

Na ocasião, ele afirmou que os EUA deveriam “estar na mesa” em parcerias com países que dispõem dessa eletricidade.

Disse ainda que “o Paraguai estava em um acordo de longo prazo com o Brasil” e que esse acordo havia expirado, enquanto os paraguaios buscavam uma solução para a energia disponível.

vParaguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.
Paraguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.

A fala, porém, não altera automaticamente as regras do empreendimento.

Itaipu é regida por tratado internacional entre os dois países.

Qualquer mudança relevante no formato de comercialização precisa passar por negociações bilaterais.

Também depende de decisões internas de cada governo e do arcabouço jurídico do setor elétrico.

Revisão do Anexo C e impasse diplomático recente

Brasil e Paraguai chegaram a um entendimento bilateral em abril de 2024 como base para a revisão do Anexo C.

A expectativa era construir um acordo definitivo que reorganizasse custos e desse previsibilidade para a tarifa da energia de Itaipu.

Esse processo teria impacto direto sobre o setor elétrico e sobre as receitas paraguaias.

As conversas, no entanto, sofreram um novo abalo em 2025.

O Paraguai suspendeu as negociações após denúncias de ações de espionagem relacionadas ao tema.

Em nota conjunta divulgada em 17 de novembro de 2025, os chanceleres Mauro Vieira e Rubén Ramírez Lezcano informaram que o governo paraguaio considerou o assunto encerrado depois de receber explicações e um relatório.

No mesmo documento, os dois países concordaram em retomar, na primeira quinzena de dezembro de 2025, as negociações sobre a revisão do Anexo C.

A retomada foi baseada no entendimento bilateral firmado em abril de 2024.

Repercussão política e resposta do governo brasileiro

No comunicado oficial, o lado brasileiro afirmou que “tornou sem efeito” a operação assim que tomou conhecimento dela.

O texto também registra que o governo brasileiro está adotando medidas para identificar os responsáveis.

Segundo a nota, o objetivo é viabilizar a responsabilização judicial.

O Brasil reconheceu o impacto do episódio na relação bilateral com o Paraguai.

Paraguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.
Paraguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.

Como funciona a divisão da energia de Itaipu

Itaipu divide a produção igualmente entre Brasil e Paraguai.

Na prática, o Paraguai historicamente não consome toda a energia a que tem direito.

O excedente é transferido ao mercado brasileiro.

Esse modelo transforma a usina em ativo estratégico para o abastecimento do Brasil.

Ao mesmo tempo, representa fonte relevante de receitas para o Paraguai.

Nos últimos anos, a discussão sobre o excedente ganhou nova dimensão.

O Paraguai busca ampliar o aproveitamento interno da sua parcela de energia.

Projetos industriais e aumento da demanda doméstica fazem parte desse movimento.

Interesse internacional e limites do tratado binacional

Cresce também o interesse global por eletricidade firme e relativamente barata.

Esse interesse envolve setores de alto consumo, como centros de processamento de dados e infraestruturas digitais.

Ainda assim, a interpretação de que os EUA poderiam “assumir o lugar do Brasil” simplifica o funcionamento do acordo.

A energia de Itaipu não é um ativo que possa ser substituído por um terceiro país por decisão política isolada.

O que existe é uma disputa de influência e de mercado.

Essa disputa se concentra em como o excedente pode ser contratado, precificado e utilizado no futuro.

O que está em jogo para os dois países

Paraguai discute futuro da energia de Itaipu, negociações com o Brasil, interesse dos EUA e impactos da revisão do Anexo C na usina binacional.

Para o Brasil, Itaipu é uma das peças centrais do sistema elétrico nacional.

A usina tem efeito direto sobre a oferta de energia e sobre a tarifa em determinados cenários.

Para o Paraguai, o peso é ainda mais expressivo.

Itaipu é fundamental para a matriz energética e para a estrutura de receitas associadas a royalties e compensações.

O debate sobre o novo Anexo C envolve custo de operação, tarifa e regras de contratação.

Também discute o espaço para novos modelos de comercialização.

A atenção internacional se concentra nesse momento de transição.

A revisão do anexo é vista como janela para redesenhar mecanismos que definem quem compra o excedente.

Esses mecanismos também estabelecem em quais condições e com que flexibilidade a energia será negociada.

Próximos movimentos e expectativa sobre o acordo

Se a renegociação avançar com previsibilidade e regras claras, Brasil e Paraguai tendem a manter o controle sobre o destino da energia.

Também preservam os termos centrais da parceria.

Se o processo se prolongar ou sofrer novas crises políticas, o interesse de agentes externos tende a crescer.

Esse movimento inclui oportunidades comerciais e investimentos associados à oferta energética.

Com a retomada formal das tratativas anunciada para dezembro de 2025, a expectativa se volta para o desfecho das negociações.

Brasil e Paraguai precisam transformar o entendimento bilateral em um texto final da revisão do Anexo C.

A definição desse novo arranjo pode reduzir tensões históricas sobre preços, excedentes e governança: o que cada lado está disposto a ceder para fechar esse capítulo sem abrir espaço para novos impasses?

Inscreva-se
Notificar de
guest
12 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Osvaldo Tilão
Osvaldo Tilão
09/01/2026 21:55

a CPG, manda uma matéria com um monte de empecilhos, que fica difícil de ler…muita propaganda

Dom Victtorio Rossi
Dom Victtorio Rossi
09/01/2026 20:11

Não bem assim não , fechar contrato com EUA ,na lá eu dos dois países em 1965 quando começou a discussão por construir , a usina existe m termo de ajustamento entre os dois países ,q tava em paz até pós Bolsonaro entrar na discussão tentando infiltrar nas relações bilaterais, onde este strume por o dedo pode ter certeza tem maracutaia, foi assim com a distribuidora Petrobras, com udinabpeyro no Paraná, na Bahia e outros só deu pra milionário em troca de jóias de comissão.

Janio Cesar Albuquerque Lima
Janio Cesar Albuquerque Lima
Em resposta a  Dom Victtorio Rossi
10/01/2026 00:14

O nove dedo tá e lascado com USA ele botou a mão dentro de um vespeiro arrumando confusão agora se lascou

Jair
Jair
Em resposta a  Dom Victtorio Rossi
10/01/2026 09:24

Tá botando a culpa no Bolsonaro?
Cuidado se sua mulher aparecer grávida pode ter sido ele também kkkkk!
O PT está quebrando todas as estatais e você seu ****, vem com narrativa, mentira, caso não saiba o que é narrativa, para jogar a culpa nos outros, **** é tudo igual, acusa os outros das **** que ele faz!

Beto
Beto
Em resposta a  Dom Victtorio Rossi
11/01/2026 10:16

Pqp, mais de 20 anos o partido das **** governando e a culpa é do Bolsonaro? Vc tem extrume na cabeça?

Cesar Damasceno
Cesar Damasceno
Em resposta a  Dom Victtorio Rossi
29/01/2026 08:52

Que me conste, foi o governo Lula que enviou agentes da ABIN para levantar quem seriam os paraguaios responsáveis pelas tratativas do acordo binacional para cooptá-los, via suborno. A CIA norte-americana entregou a patacoada ao governo paraguaio, que suspendeu as negociações. Tenho certeza que as bigtech americanas de inteligência artificial, compondo com o governo americano, irão fazer propostas irrecusáveis ao governo paraguaio. Avalanches de dólares e desenvolvimento do país. É lembrar o que aconteceu com a Europa e o Japão pós II GM, Coreia do Sul após a guerra da Coreia e o Panamá após a prisão de Manoel Noriega. O Brasil está caminhando para uma situação de insolvência. Lula falou que, em 2027, não haverá mais dinheiro. Como o Brasil vai pagar a energia excedente de Itaipu ao Paraguai?

Flavio
Flavio
09/01/2026 11:02

O contrato da distribuição entre os dois países expirou. Então o Paraguai pode negociar o excedente com quem quiser.

Leonardo Costa
Leonardo Costa
Em resposta a  Flavio
22/01/2026 21:53

Não pode. O Excedente só pode ser negociado entre os dois países.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
12
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x